quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Desabafo na primeira pessoa


Tenho saudades de mim
De conseguir estar sozinha comigo
De isso não me perturbar os sentidos
De isso não questionar o que sou
Tenho saudades de pensar
Dantes tinha saudades de sentir
E agora que sinto
Já não quero lembrar esse sentir
Nem lembrar
Nem relembrar
Nem o próprio 'nem' do delirar
Não é mágoa
É um estar perdida
É um saber onde é o caminho
A meta
O transporte
Mas, o transporte está cheio
Atulhado
Ou por outra, vazio
Mas, não sou passageira para sequer poder entrar
[Espera na passagem]
Estou lá há demasiado tempo
'
'
'
'
'
Caí

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Teria, sim


Se bem repararem
Nada tem de perturbação
Teria, sim
Mas, agimos como se púdessemos
Pedir uma qualquer indemnização
Ao Presente
Pelo Futuro que ainda não temos
E aos segundos
Quando este relógio
Nem sequer esse ponteiro tem.
Se bem repararem
Nada tem de perturbação
De artístico
Teria, sim
Se não fosse este incomodo
Esta indiferença
Este encolher
Este guardar de Tempo
Como se o Tempo coubesse no bolso
E os sentires numa qualquer maleta.
Se bem repararem
Nada tem de perturbação
De distracção
Teria, sim
Se não morasse algures
A consciência
Desse mesmo perturbar
Se bem repararem
Tudo tem de perturbação
Qualquer que seja
A ausência
De uma insana
Emoção.
Isto é... se bem repararem!

domingo, fevereiro 04, 2007

adeus

Que não saibas que estive na estação
À espera de todos os comboios
Por aquela linha
Que não saibas que te disse que estava lá
Permanentemente
Sem medir o Tempo
Que não saibas que esperei sozinha
Que não saibas isso
Nem tão pouco da intensidade dessa espera
Nem do espanto de esperar, ainda
Mesmo que esse ainda já não seja
Insanamente já não seja
Espanto
-
-
-
-
-

















Adeus

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Surdina

Não é segredo para os outros.
Não é segredo para mim.
Porque insistes em ser um segredo para ti?
- Dizia ele em surdina.
Não é segredo para mim.
Não é segredo para os outros.
Porque insistes em ser um segredo para ti?
- Respondeu ela num sussurrar.


quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Traje versus Pele , Pensar versus Sentir

O que eu penso é um traje
Um traje de tecido roto
E dizem para o tirar
Que tal fardamenta já não se usa
E que ainda para mais
Está roto
Roto
O que eu penso é um traje
Não está na moda
Na voga como falam na capital
Este traje já me deixa nua
Este estranho modo de pensar
Deixa-me assim
Desnuda
Desconcertada
E o meu pensar que deveria proteger-me
Já não protege
Este traje já deixa entrar o frio
Estranho modo este que senti de repente
Senti frio
Senti que sempre foi frio
Este traje
Frio
Os trajes que se vêm nas vitrinas
São de algodão e ceda
Dão um cómodo vestir
Assentam nos demais
Os trajes que se vêm nas vitrinas
Ahhh traje esse que não me serve
Queria eu que ele servisse
Queria eu olhar sequer a montra
Apesar de me convencerem
Não me servem
Este modo de pensar nasceu roto
Nu
Posso até o despir
O pensar
Posso
Sim
Posso
Porque este traje
Não tem cinto
Mas, e o que sinto?
O sentir
Que traje é esse?
Não é!
É pele
Pele
E sua
Sua
É pele
PELE

terça-feira, janeiro 30, 2007

Esqueci-me


Peguei numa folha.
Folha.
Folha branco.
Em branco.
Alcancei um lápis.
Precisava desenhar.
Desenhar.
Desenhar um qualquer risco.
Não era de Madrugada.
Esse desenhar.
Não consegui.
Tinha folha.
Tinha lápis.
Tinha até o traço.
Tinha o afia.
Mas,
Esqueci-me.
Esqueci-me de como se afia.
De como se afia.
Um
Segredo.
Era de Madrugada?
Não.


Era adversário!
E gritou-me:
Sai da Humanidade!

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Discurso Directo


Não queria ser mal educada com ela.
Nem sequer lhe faltar ao respeito.
E muito menos ser traiçoeira.
Por isso, e num gesto sem nenhuma subtileza,
Lhe disse:
Olha Vida, se queres Gestos, não me oprimas.
Se queres Palavras, não me ajustes.
Se queres Sentires, não me ameaces.
Se queres Olhares, não me cegues.
Se não queres nada disto, não me chames.
E se um dia mudares de ideias e quiseres isto tudo.
Não lamentes.
Porque eu estava oprimida, ajustada, ameaçada e cega!
Restou-me o olfacto para prever a tua chegada.
E passos para fugir da tua partida.
Olha Vida, se um dia lembrares de mim.
Lembra-te que um lembrar é Mente.
E se é de Mente que se trata.
Então, não queiras lembrar de mim.
Não estou em nenhuma Mente!
Estou ali.
Ali mais para aqueles lados de lá.
A fugir.

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Veias desgovernadas

São suores.
Suores de frio.
Arrepio.
Daqueles que se desencontram entre a pele e a retina.
O resto é temperatura.
É uma espécie de esquisito.
De ossos mal amanhados.
De veias desgovernadas.
Ando intoxicada.




Sem risco!

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Diagonal


- Qual é a melhor direcção para a certeza?
- A direcção não sei.
- Então, o que sabes?
- Sei o caminho.
- Não é a mesma coisa?
- Talvez até seja.
- Então porque respondes assim.
- Porque do saber ao sentir, vai todo um caminho.
- E.....?
- E esse caminho eu sei... Agora a direcção.. A direcção, não sei!
- E o caminho?
Qual é?
- Sei que não é diagonal!
- Como assim?
- Se fosse horizontal, ou vertical seria banal...
- Quer dizer então, que um desses será.
- Será! Mas, seria semi-recta.
E com toda a certeza, a incerteza estará num vértice.
Aquele.
Aquele que une o deambular com o ......
Com o ... qualquer coisa.
Desde que não seja segmento.
- Não entendo.
- Ainda bem. Se entendesses seria banal. E isso seria certeza.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

O tempo não é de desenrasque

Conheces aquela história dos nativos?
Sim, aquela em que se fala de um coração nativo.
Conheces?
Não importa se conheces.
Importa se queres conhecer.
Queres?
Não me importa o resto.
Queres conhecer ou não?
Responde.
Queres?
Ora, porquê agora...
Porque o tempo não é de desenrasque.
Os ponteiros já não estão alheios.
Não são exigências de tic tac.
Estou apenas a exigir de mim o meu mim.
E a pedir-te a ti, um soletrar.
Nem que seja em silêncio.
Tic tac tic tac
Tic
Tac
Tac
Qualquer lógica que consigas nesse tic tac
Esquece-a!
Não é de lógica que se trata esta história.
Não esqueceste?
Estás alheio.
E isso pesa.
Pesa.
Pesa neste tic tac
Tic
Tac
Tac
Soletras?

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Pólos II

E ele gritou que era um qualquer desencaminhamento.
Confusão de um querer.
Intoxicadamente selvagem.
E ela veio com a conversa da Loucura.

Não venham com a conversa do imcompatível.
Dos pólos.
Do Norte e do Sul.
Ora, se há dias de Sol e Chuva, e que faz o Arco-Íris.
Porque não existir a Timidez e a Ousadia, a fazerem a Loucura?

sábado, janeiro 20, 2007

Trovoada

Não é complicação, nem tão pouco confusão.
É fidelidade.
É não querer desabitar de mim.
Não me aceito, é certo!
Mas, recuso-me a ceder a tal desabitação.
E isto não é errado.
Mas, também não é para fazer sentido.
É conflito.
É talvez e sim descoberta.
Como que uma embriaguez de absurdo.
Com ressaca de desassossego.
E não me venham com a lucidez.
Não a conheço, nem faço questão de a conhecer.
Não.
Não já disse, não quero essa apresentação.
Com toda a certeza não lhe irei estender a mão.
Seriam demasiados limites.
E o que eu quero são disparates.
Disparates de emoção.
Emoção!
Sem vocabulários.
Sensações.
Desconcertantes.
Sem constantes.
Sobressaltos.
De enfrentar!
Ousadia.
Da distracção.
Genialidade de qualquer coisa.
Curiosidade do acaso.
Acaso!
Delícia do improviso.
Improviso!
Poeira de trovoada.
Trovoada incerta.
Estava distraída.
Atenta!
Ops
Impulso.
Isto não é estranho.
É apenas o meu modo.
O meu modo.
O meu modo de.
De Ser.
Ser.
SER!

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Queda Livre

Tendem a falar de gravidade como uma faca.
Tendem.
Ah pois tendem...
São tendências!
E perguntam o quanto a faca é afiada.
E eu respondo:
Quem a amolou?
E ficam de testa franzida.
Tendências...
A lâmina somos nós que fazemos.
Que importa se os outros a acham de gravidade.
Ou aguçada.
Ou até nada cortante.
Que importa isso, se ela não cortar o que eu quero?
Se ela não for a minha medida.
O meu punho!
A minha forma.
Então qual é a gravidade do ferimento?
Olha não sei,
O que eu sei é que a minha faca
É gravidade sim.
Mas, é outra
É daquela atracção gravitacional entre a Terra ou outro qualquer corpo celeste.
É aguçada ao ponto de ser responsável (na Terra) pelo peso de um objecto próximo da superfície ou pela sua aceleração em queda livre.
Queda Livre!
E perguntam outra vez:
A faca está afiada?
E eu respondo:
Salta em queda livre e logo vês!


quarta-feira, janeiro 17, 2007

Desengonçada


Não me asfixies
E eu sei que não
E é esse saber que me asfixia
Não o teu saber
Mas, o meu surpreender
De não saber
O porquê
Desta não asfixia
Não penses que é recíproco
Ou até sensatez
Pensa antes que é loucura
Este meu conhecer
Isto não é um embarco
Apesar deste descalço
É qualquer coisa de perigo
Para além do movimento
E este modo desengonçado
É algo inerente
Assim como o orvalho
Numa noite de desalento
Como que um desabitar
Da confusão
Para quê tantas tradições
Se o que eu quero são ilusões
E não importa o labirinto
Repara no momento
Que importa se demora
Prevalece o pensamento
Vê lá se percebes
Que nada há para entender
O que existe tem sentido
Mesmo que esteja por decidir
Talvez seja subúrbio
Esta minha insensatez
Talvez nada seja
Nada mais que uma qualquer invalidez
Que importa o que seja
Nem que seja confusão
Quero lá saber o que seja
Desde que seja
Um qualquer desatar
Não penses que é loucura
Este meu conhecer
Pensa antes que é um apagar
De uma qualquer sensatez

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Revelo


Dizem por aí que todos nós usamos máscaras.
Umas mais acentuadas.
Outras menos.
Mas, dizem que todos as temos.
Permitem-me discordar.
Não vou dizer que ninguém as tem.
Isso seria ingenuidade e hipocresia.
Claro que existe quem as tenha.
O que as pessoas confundem... é o escondido com as máscaras.
As máscaras escondem algo.
Uma face. Um gesto. Um episódio. Uma realidade. Um bocejo.
O escondido é diferente.
Eu posso ter um qualquer pó escondido num qualquer canto da sala.
Está no canto. Mas, não atrás de algo.
Apenas está no canto.
E por estar no canto, está escondido.
Ou está escondido por estar no canto.
Por vezes dizem-nos:
- Mostra-te como és!
E esquecem que nós estamos a ser o que somos.
Apenas não estamos a revelar tudo em gestos ou palavras, porque estamos no canto.
E insistem que o revelar está nos gestos e palavras.
E esquecem que as pessoas podem dissimular esses mesmos gestos e palavras.
Agora nos olhos!
Nos olhos não.
Não!
E revela-se isso tudo nos olhos.
Não é num olhar.
Atenção, é nos olhos.
Porque essas tais máscaras que falam pode até ser um olhar.
Há quem consiga fazer isso. Usa-las até num olhar.
Eu cá não consigo.
Assumo, se pudesse era usar sempre óculos escuros.
Porque os olhos dizem tudo.
E por isso andam encolhidos.
Com medo de um qualquer olhar que os dispa num clicar.
Com medo de um qualquer bocejo que desprenda aquele lacrimejar há tanto por sair.
Simplesmente encolhidos.
Simplesmente encolhida porque .......
Eu respondia.. mas, estou ali no canto.
Revelo que menti ao escrever que se pudesse usaria sempre óculos escuros.
Já não quero!
Ando com os olhos desnudos.
Encolhidos é certo.
Mas, desnudos.
DESNUDOS.
Pudesse a palma da minha mão revelar essa nudez!

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Sombras

De Inverno era por volta das dezassete horas e quinze minutos,
de Verão era um pouco mais tarde, e nunca com os quinze minutos.
Apertava os ténis rotos, um deles já sem atacadores.
E saia.
Descia as escadas de dois em dois degraus.
No Inverno, pois no Verão cada degrau tinha outro sabor.
Não porque era melhor mas, porque era(m) mais denso.
A porta do prédio estava sempre entreaberta.
Quer dizer, no Outono nem porta tinha.
E saia.
Saia pela rua abaixo com um desalmamento tal que parecia mudo.
Não de fala.
A rua era íngreme, de calçada, de ferro de varandas, de vasos sem terra.
Lá ao fundo um pombal de madeira de eucalipto.
E pelas dezoito horas menos dez minutos ele parava.
De Primavera.
E escrevia um bilhete, pousava o lápis no alpendre da mercearia ao lado.
Pousava-o, não o guardava. Pois nunca escrevia tudo o que queria mas, apenas o que podia.
E o que podia era tão pouco, que estremecia.
Suava a alma aquele estremecer.
O espírito nem tanto.
Mas, a Alma... ai a alma o quanto suava.
E já pingava nas letras daquele manuscrito que ele cuidadosamente enrolava.
E tirou o único atacador que tinha.
Pegou no pequeno papel e no pombo de nome Medo, atou no tornozelo do 'Medo' o manuscrito.
Atou.
Não se soltou.
Tinha Asas.
Mas, tinha medo.
E ficou apenas.
Assim.
Apenas.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Passada


Perante qualquer realidade impõe-se as vivências
de um qualquer Passado.
E fico eu passada
de não se impor os sentires deste Presente.

sábado, janeiro 06, 2007

Diafragma


Que todo este desacompanhamento é sufocante já eu sabia
Que todo este sufoco é acompanhante também já eu sabia
Agora, que é desprotegido
Isso sim é novidade
Não no sentido geral do termo
Nem tão pouco do particular
É assim como que desamparo
Não é abandono
É desamparo
Mas, não é fobia
Mas, embacia
O auxílio
Aqui no diafragma
Que repulsa esta.
Esta estranha pessoa
Esta!

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Carácter

Divulga-se por aí que certas expressões não passam disso mesmo
De expressões.
E divulgam isso, assim sem mais nem medos.
E há quem acredite.
Que certas expressões não passam disso mesmo
De expressões.
Não passam de isso mesmo?
As expressões divulgam.
Essas sim é que divulgam.
Agora o contrário?
É como o carácter.
Não o contrário.
Nem tão pouco as expressões.
Mas, ele divulga-se.
Ou.. se divulga!
Falando de expressões.
Eu cá divulgo que ando a suspeitar das minhas.
E cá de uma maneira!


quinta-feira, dezembro 28, 2006

Apimentar


Atordoar
Atordoar a sanidade
Controlar um qualquer enigma
Apimentar o quotidiano
Simplesmente fugir de pedaços paraplégicos.

Ó Insanidade
Espanta-te comigo
Que eu já não me espanto contigo

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Lá isso

Sintetiza lá isso.
Mas, sintetizar lá isso, como?
Tudo bem.
Posso sintetizar um livro.
Resumir, portanto!
Dar um lamiré da história.
Mas, sintetizar o indetectável?
Não consigo.
Nem quero!
E insistem.
Insistem nisso.
Sintetiza lá isso.
Ai se soubessem o lá isso.
Saberia eu o lá aquilo.
Saberia?
Não, não saberia.
Posso sintetizar um dia.
Mas, num dia?
Não.
Não posso.
Nem quero!
Compreendo que queiram o sintetizar.
Até compreendo isso.
Mas, a parte do 'lá isso'.
Isso é que eu não compreendo.
Como se o 'lá isso' fosse apenas isso.
Não estou a pedir para compreender.
Já disse que não posso.
E não quero!
Sintetiza lá isso.
Um lamiré posso dar...
Agora.. Sintetizar?



domingo, dezembro 24, 2006

Trocos


Dizem muitas vezes que
no pensar é que está o ganho.
E eu tantas vezes que tenho trocos.
E nada digo que os tenho.
Por os sentir pensando.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Álgebra a puxar para a Topologia


Considere a seguinte definição:
Sociedade: reunião de pessoas que têm a mesma origem e pelas mesmas leis;
parceria, participação...

Considere agora o seguinte Teorema:
Se a sociedade é uma reunião de pessoas.
Então, eu tenho uma lei.
Logo, tenho a mesma origem.

Anti-Demonstração:
Pela definição de sociedade sabemos que:
Sociedade é parceria.
Ora, se eu não tenho parceria com a sociedade.
Logo, não faço parte dela.
Logo, não tenho qualquer tipo de relação com ela.

Erro:
Origem.

Cálculos:
Sem folha.

Lápis:
Sem borracha.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Sustenido

Concentra-te na melodia.
Dizem uns.
Afina o teu cérebro.
Dizem outros.
Alinha a pauta.
Murmuram uns quantos ali ao canto.
Apressa o compasso.
Dá a nota de afinação.
Dá o Sol.
Agora dá o Dó.
Não é esse.
É o sustenido.
Agarra o bemol.
Esse Si está meio tom acima.
Pára a orquestra.
Sai o maestro.
Escuta os tambores.
E os trompetes.
E já agora os saxofones também.
Continua o sustenido.
Sustém o bemol.
Dá o Dó.
E o Ré se te apetecer.
Está desafinado?
Deixa.
Não está cá o maestro para ver.
P.S.: Há Sal nos comments.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Paralisia

Dói-me este sentar no chão
Dói-me toda esta imobilidade
Não é impossibilidade
É paralisia
Entrevação de sentidos
Não de sentir
Mas, de orientação
Como se fosse uma bússola encravada
Não é absurdo
Nem razão
Não é lucidez
Nem ignorância
É paralisia
É decerto
E certo
É disparate
O encontrar
Não falem de normalidade
É movimento
É absorção
Vitral
Deliro
Sendo acaso
Delícia esta perda
Desafina
Coisa incerta
Impulsividade
Com todo o resto de naturalidade
Arriscar
O de repente
Mostrar
O alheado
Acordar
As fendas descompensadas
Querer
O impulso
Entranha
O inesperado
Descalça
O Soluço
Consome
A ânsia
Caio
E sinto
Não é impossibilidade
É paralisia

domingo, dezembro 17, 2006

Soalho


Dizem que o fazer-se notar
é tudo uma questão de saltos altos.
Eu diria que é tudo uma questão de solas gastas.
[Atenção ao ... "Eu diria..."... não no sentido do verbo]

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Vertiginoso


Isto é realmente a real mona.
Real mona?
Perdão!
Mona Real.
Isso sim.
Mona Real.

Sim, porque fazer o que nos dá na real mona... não é coisa para qualquer mona.
Há que ser uma mona sim... mas, Real.
Não, não, não.
Não é real de D. Afonso Henriques.
Apesar de achar que isso de fazer o que nos dá na real mona, é realmente uma Conquista.
Hmmmm
Agora que penso nisso, realmente isso da Real Mona é coisa de quem tem mona à Afonso Henriques.
Mas, como eu estava a dizer... Há que ser uma coisa assim bem real, eu diria mesmo a puxar para o Alucinante.
Alucinante é pouco.
Puxem a coisa mesmo para o Vertiginoso.
Fazer o que nos dá na Real Mona dá vertigens?
É pah.. dá sim senhor!
Por isso é que eu afirmo (sim, hoje apetece-me afirmar) que fazer o que nos dá na mona.. é Real, por ser tão ... Impulsivo!

Alucinante
Vertiginoso
Conquista
Impulsivo
Isto meus amigos é o quê?
É o que lhes der na Real Mona.. ou Mona Real como quiserem.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Ronda



Não querendo ser inconveniente

para mim mesma

(e já sendo, ou talvez não)então...

então

esta ronda de sentidos é o quê?

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Remoinho


Eu tinha feito bem as contas.
Tinha, tinha!
Quer dizer.. pensava que eu que tinha.
Mas, não estavam bem feitas.
Quer dizer... por acaso até estavam.
Estavam, estavam!
Mas, fiz as contas com um contar de antigamente.
O contar mudou!
Ai se mudou!
Mudou, Mudou.
Ninguém disse que o tal contar era o certo.
Também ninguém disse que era o errado.
Mas, contra todas as probabilidades,
esse contar (o tal de antigamente) já não faz saudades.
E contra todas as estatísticas
o tal contar (este de agora) faz remoinho.
E que remoinho.
Remoinho. Inho. Inho.
Inho!

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Estou com a TELHA


Lá estás tu com a Telha!

Telha?
Mas, que telha?

O que é isso de estar com a Telha?
Estar com a telha é resguardar a casa da chuva, do vento, do frio, do calor e afins.
Ora..
Se eu estou com a telha.
Então..
É resguardar-me das lágrimas, do estonteante, do imprevisível, dos desejos e afins?

Ando a pensar nisso.
E tenho para mim…
Que sim.
Que realmente, e bem vistas as coisas.
Ando com a Telha!



Estou intimidada.


quinta-feira, dezembro 07, 2006

Tormenta


Existem comportamentos.
Comportamentos!
E quando falo em comportamentos.
Falo mesmo em comportamentos.
Daqueles mesmo mesmo mesmo inquietantes.

Existem comportamentos explícitos.
Aqueles que até de esguelha se dá por eles.
E depois existem aqueles de tormenta.
De reflexos fuscos.
Ou serão fuscos reflexos?
Adiante...




Adiante?
Que cabeça a minha...
Lá posso eu ir adiante...

Está fusco!


terça-feira, dezembro 05, 2006

Palácio de Marfim



"Campos de malmequeres por todas as direcções... norte, sul, este, oeste... pareciam ovos estrelados sobre alfaces, estrelas envoltas em algodão... era naturalmente lindo ficar ali a olhar para aquela tela viva... um sol ameno sobre mim, crianças que fazem uma enorme roda sobre um carvalho com enormes ramos que pareciam tocar o céu, tinha a sensação que se o subisse que poderia abraçar as nuvens e até mesmo saltar para cima destas e brincar como as crianças... do lado oposto ao carvalho, uma linha férrea, umas das primeiras a serem construídas na Escócia após a Revolução Industrial Inglesa... por detrás de mim um enorme armazém abandonado cor de marfim, com arcadas de madeira esculpidas pelo tempo, portas não existiam... pareciam como que um convite de entrada, não hesitei...

Era como um daqueles palácios abandonados dos filmes nostálgicos... telhas meio partidas deixavam a luz do sol entrar... raios muito finos bateram-me na face como que um despertar, não tinha divisões algumas... apenas grandes traves de madeira que teimavam em permanecer ali a segurar o ‘palácio cor de marfim’ ....
Não, não tinha luxo nenhum .... não se esqueçam, era um armazém abandonado... porquê que o achei um palácio?... ora.... se eu escrevesse tudo, qual era a graça?, tentem entrar pelas linhas, nas entre - linhas deste meu palácio...um convite meu.
Do lado esquerdo da arcada principal, velhas mobílias amontoadas ao acaso, como que atiradas para ali sem misericórdia, talvez porque tinham chegado á idade de reforma ou então porque no lugar delas tinham chegado ás casas das famílias da ‘cidade alta’, as novidades mobiliárias da Europa Ocidental...

Aquela ‘pilha’ de mobílias pareciam aos meus olhos um tesouro de Piratas, foi uma aventura abrir todas aquelas gavetas e caminhar para as memórias esquecidas de pessoas que eu não conhecia de lado nenhum. Como era possível?... abandonaram as mobílias.. mas imagine-se, com elas também as suas memórias de gerações e gerações.... - com este pensamento inconscientemente as paredes cor de laranja de Macau permaneceram em mim até hoje ....
Encontrei tantas e tantas coisas naquelas gavetas, que não vos passa pela cabeça, nem pela minha passava, encontrei lá coisas que eu na altura nem sabia que existiam...
Numa secretária antiga feita do chamado ‘pau de brasil’, permaneciam muitos tecidos... cedas... tecidos finos, não me perguntem os seus nomes nem para os descreverem... deduzi por aqueles tecidos que aquela secretária teria pertencido a uma senhora de idade avançada, devido aos tons escuros destes... agora corroídos pelas traças...
Num gavetão de cima... um álbum de fotografias... fiquei deslumbrado, na minha alma tinha o meu próprio álbum e nas minhas mãos um álbum palpável rogado de imagens a preto e branco... no início do álbum tinha umas inicias C.X. por debaixo destas uma data, não me recordo qual... desculpem... várias páginas e páginas de imagens de famílias em jantares rodeadas de criados, de castiçais de velas de diferentes tamanhos e feitios, grandes colunas de pedra em redor de mesas rectangulares e de cadeiras almofadadas... Parecia que estava a viajar no tempo e no espaço, estava a conhecer outra cultura... a cultura da chamada ‘cidade alta’ naquele armazém antigo abandonado.... ironia?... talvez...

Claro está que estas imagens apenas reflectiam a parte bela daquelas estranhas famílias... é usual, as pessoas tendem apenas a tirar fotografias para registarem os momentos bons, ou então para mostrarem aos vizinhos a festa onde foram e o vestido que usaram.. ou mesmo para se obrigarem eles mesmos a acreditar que, se estavam a rir na fotografia era porque tinham motivos para o fazerem... apesar de saberem porém, que no seu subconsciente nenhum motivo teriam para estarem a rir.... Esquecemo-nos por vezes que deveriam existir fotografias de recordação; (não me refiro a fotojornalismo); com os nossos rostos de lágrimas... porque são com elas mesmas, que aprendemos a ter força para continuar a tirar mais e mais fotografias... até chegarmos à fotografia quase – perfeita .... aquela única... sim única.. em que estamos pura e tão simplesmente.. a ... ....sorrir....



























Porquê este silêncio? ............. digam-me vocês."
in Antecâmara (cap. VI)

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Canta já cá... ou sei lá.

Não sei o que se passa.
Nunca soube.
Mas, uma coisa é quase (e sublinho o quase) dada como certa.
A malta canta.
A malta neste país canta.
Têm razões para isso?
Pois não sei ( e sublinho o pois).
Mas, canta.
E canta por tudo e por nada.

E é o belo do bitoque.
E dizem… É pah já cá canta.

E é a bela da mini.
E murmuram entre um soluço e outro… É lecas já cá canta.

E é o último prémio do Euromilhões.
E desatam num corrupio … Cum catano.. Já cá canta.

E é uma qualquer moeda perdida na calçada.
E assobiam… Esta já cá canta.

Canta.
Canta. Canta.
Já cá canta.
Canta já cá… ou sei lá.


E se o bitoque canta…
E se a mini canta…
E se um qualquer boletim canta…
E que uma qualquer moeda canta..
Então que venha a reforma antecipada daqueles que nunca cantam nada, e só desencantam.

Mas, depois é a carga de trabalhos…
É um pé de vento.
E se o vento nunca foi visto.
Quanto mais o pé.

E que venha o canto.
Seja do bitoque, da mini…
Seja o canto da sala.
Mas, que venha.

Pois, sem o tal de canto.. é como diz o povo:
Isto de não ter encanto é O da Joana.
( E sublinho o Da)






P.S.2: Isto de cantar não sei se ajuda. Mas, que facilita.. lá isso…