Quem passava por ali não fazia ideia do que estava a acontecer.Do que acontecia ali, noite após noite.
Rolava a intensidade nessas madrugadas,
não sei porque ninguém deu por isso… o facto é que ninguém deu por isso…
Ninguém deu por essa intensidade.
Por esse desejo ofegante.
As escadas eram de madeira, com degraus pequenos e sem qualquer corrimão.
Ele subiu apressadamente, já ouvia os primeiros acordes da melodia… tinha medo que ela já não estivesse ali, ou que tivesse arranjado outro par.
Entrou no salão ansioso.
Era uma sala de dança, daquelas típicas da década de 80, média luz, um balcão de ferro, grandes janelas para o exterior, no fundo alguns sofás…
Talvez porque a noite era de Inverno, talvez porque estava quarto crescente, talvez porque os dias já cansam de serem iguais a tantos outros…
....talvez por isso o salão estivesse cheio.
Mulheres de decotes enlaçados, saltos esguios, cabelos pintados, olhares disfarçados…
E já não lembrou porque foi ali.
Esqueceu-se que a música podia acabar.
Distraiu-se portanto!
Distraiu-se com o decote da Maria, admirou os saltos da Anabela, passou com as mãos pelo cabelo da Joana, piscou o olho à Vânia…
Com o cair da madrugada todas elas foram embora…
Já a música ia nas últimas notas, quando finalmente lembrou que alguém o esperava.
Foi até ao bar, pediu um martini.. observou a sala vazia.
Suspirou.
A dança tinha sido efémera.
A música oca.
Queria outra dança!
A dança.
Mas, tal como a música precisa de ouvintes.
O toque precisa de desejo.
Desejou.
Não tocou.
A música parou.
No sofá um bilhete:
Existem sons que encontras todos os dias, melodias que espreitam a cada canto como se de um hino se tratassem, e depois existem aquelas canções que ninguém as ouve, que nem sabe que existem, pensam que quando as querem ouvir que basta ligar a rádio.
Mas, essas canções existem, e por mais estranho que possa parecer… cansam-se de esperar que o ouvido se aprume.
Mulheres de decotes enlaçados, saltos esguios, cabelos pintados, olhares disfarçados…
E já não lembrou porque foi ali.
Esqueceu-se que a música podia acabar.
Distraiu-se portanto!
Distraiu-se com o decote da Maria, admirou os saltos da Anabela, passou com as mãos pelo cabelo da Joana, piscou o olho à Vânia…
Com o cair da madrugada todas elas foram embora…
Já a música ia nas últimas notas, quando finalmente lembrou que alguém o esperava.
Foi até ao bar, pediu um martini.. observou a sala vazia.
Suspirou.
A dança tinha sido efémera.
A música oca.
Queria outra dança!
A dança.
Mas, tal como a música precisa de ouvintes.
O toque precisa de desejo.
Desejou.
Não tocou.
A música parou.
No sofá um bilhete:
Existem sons que encontras todos os dias, melodias que espreitam a cada canto como se de um hino se tratassem, e depois existem aquelas canções que ninguém as ouve, que nem sabe que existem, pensam que quando as querem ouvir que basta ligar a rádio.
Mas, essas canções existem, e por mais estranho que possa parecer… cansam-se de esperar que o ouvido se aprume.
Deixa-me contar-te como poderia ter sido a nossa dança.
O nosso tango.
O TANGO!
Sem decotes, sem pinturas, sem saltos, com sinceridade.
Pé aqui.
Pé ali.
Puxa. Arrasta a mão contra a cintura.
Esguelha os sentires.
Empatia de olhares.
Desenvolve a melodia.
Piano.
Toque no pescoço. Perfume silencioso.
Desenvolve a melodia.
Piano.
Toque no pescoço. Perfume silencioso.
Seduz o aroma.
Desliza o dedo.
Suor no pulso.
Mordida na orelha.
Avança com o toque que está no Refrão.
Enrola a perna, pé quente.
Lábios desvendados.
Silhueta permitida.
Aconchego perturbador.
Até podia contar-te o resto do Refrão.
Mas, estavas distraído com as Estrofes!
Suor no pulso.
Mordida na orelha.
Avança com o toque que está no Refrão.
Enrola a perna, pé quente.
Lábios desvendados.
Silhueta permitida.
Aconchego perturbador.
Até podia contar-te o resto do Refrão.
Mas, estavas distraído com as Estrofes!
Esqueceste de Vibrar.
A dança precisa de suor.
A dança precisa de suor.
De roçar no osso.
Até ao Tutano!
-
Até ao Tutano!
-
-
-
-
Escusas de lembrar qual a frequência desta rádio.
Da minha rádio.
É que eu… dei por ti.
-
Escusas de lembrar qual a frequência desta rádio.
Da minha rádio.
É que eu… dei por ti.



























