domingo, março 30, 2008

Rodopios

Março.
Mês número três.
Dois mil e oito é ainda tão novo, e já levou em apenas três meses de vida, quatro pessoas que gosto muito.
Sim, gosto.
Não é por irem embora que passo de ‘gosto’, a ‘gostei’.
Gosto.
E continuo a gostar.
Já não me recordo se escrevi aqui. Acho que sim.
Mas, repito: Todas as pessoas que passam na nossa vida levam um pouco de nós, e nós ficamos com um bocadinho delas.
Todos os seres humanos que passam na nossa vida não passam por passar.
Há um propósito, e seja ele qual for… ele ‘É’. E mais cedo ou mais tarde, sentimos esse ‘É’, seja na cabeça, seja no coração. Mas, sentimos!
Quando temos uma tristeza procuramos no passado algo que nos reconforte, algo que nos anime, alguma ideia, uma ou outra solução, ás vezes até uma frase de alguém que um dia ouvimos… que serve de alerta, de farol.
Tive três pessoas muito importantes na minha vida, naquela fase em que estamos a moldar a nossa identidade, naquela fase em que já não somos crianças mas, ainda não somos adultos, naquela fase em que temos medo de tudo, mas somos verdadeiramente destemidos para enfrentar as coisas de frente...sem medir o perigo, naquela fase em que o dia de amanhã parecia muito longe, naquela fase em que as veias são criadas e o coração acelera a cada mudança radical.
Naquelas fase em que criamos a nossa estrutura, aquela que nos fixa para sempre à terra enquanto pessoas que somos.
Todos os dias recordo essas duas pessoas.
Sinto saudades, muitas.
Mas, não troco essas saudades, pelo desconhecido.
Não troco nunca essas saudades, pela ausência total desses seres humanos nos meus dias.
Todas as pessoas têm saudades.
É um facto histórico, emocional e dizem os entendidos que antes disso tudo é um facto social.
Não sei.
O que eu sei é que a saudade é a palavra mais portuguesa de Portugal.
E se há um sentimento ao acordar, esse sentimento é a saudade.
Já falei aqui do meu avô.
Já falei aqui do Carlos.
Hoje falo de uma outra pessoa…
Acolheu-me aos treze anos e aturou-me até aos dezasseis.
Aturou-me naquela chamada fase estúpida.
Aturou a minha estranheza, estranheza essa que alguns não suportavam.
Ainda sinto o cheiro das torradas.
O seu cabelo grisalho.
O cadeirão em frente da velha televisão.
O sorriso.
Era tão pequenina, que eu conseguia pegar-lhe ao colo e dar meia volta, com ela sempre a resmungar para lhe colocar no chão.
Um dia dei-lhe um abraço muito forte, e disse-lhe obrigado por ter sido minha mãe naqueles dias.. e foram tantos dias mas, ela já não se lembrava de mim.
Já no fim da doença ela fez aquele gesto que eu costumava fazer-lhe.. o rodopio.
Já não falava mas, aí eu senti que ela lembrou-se e choramos as duas num longo abraço.
Foi o ano passado, e as pereiras estavam em flor.
Hoje foi embora.
Tenho saudades.
Perguntaram-me:
“Porque estás nesse estado.. ??? Recompõem-te.”
Ao que respondi:
“Porque naquela idade parva não foi contigo que eu estive, foi com ela que a minha estranheza viveu.”
Hoje choro duas mortes.
Quem sabe, até três.
Amanhã é outro dia. E isto tudo faz parte da vida.
Mas, mais que me apetecer, precisava de desabafar.
Boa semana.
E que rodopiem muito. ‘Chamem’ por aquelas pessoas que gostam, ‘peguem’ nelas ao colo e digam simplesmente… “obrigado por fazeres parte do meu metro quadrado”.
E mesmo que elas não entendam hoje.
Certamente que amanhã irá surgir esse sentir.
Um beijo meu para vocês em cada uma das vossas bochechas.
Outro especial na testa, em jeito de rodopio.

sexta-feira, março 28, 2008

Conjugação do verbo plofar. Presente do indicativo.


Hoje perguntaram-me se acreditava em almas gémeas.
Almas gémeas. Requer serem iguais.
Não. Nisso não acredito.
Acredito sim, no encaixe.
Creio mais nos pólos contrários.
Nos complementos.
Contrários mas, que se encaixam.
Que faz aquele Plof.
Retiro o que disse.
Retiro os contrários. E coloco apenas o encaixe.
Sim. É isso.
Definitivamente, é o encaixe.
Podem vir com aquela conversa da própria conversa.
Que dois seres humanos para serem as ditas ‘almas gémeas’ têm que conversar e só aí dão por isso que ah e tal.
Discursos.
Tem que haver aquele encontrão inicial.
Sem a típica busca de encontrar justificações para o desejo.
Como se o desejo precisasse de justificações.
“É pah mas, ele nem faz o meu ‘tipo’, nem tão pouco tem o meu modo de pensar..”
Tretas.
..
Aquela procura de olhares.
Aquele jogo de sedução.
Do gato e do rato.
Puxa para aqui, vai para ali.
É delicioso.
Não me venham com tretas, porque é realmente delicioso.
Plof. O encaixe.
Não estou a falar de sexo, orgasmos me(n)tidos e desmentidos.
Falo mesmo daquele plof de corpos.
Daquele perfeito encaixe. Que não sobra uma única brecha para correntes de ar.
Duas peças.
Um só puzzle.
Ou faz Plof ou não faz.
E sobre este assunto é o que eu tenho a dizer.

Eu plofo
Tu plofas
Ele Plofa
Nós plofamos
Vós plofais
Eles plofam.

quarta-feira, março 26, 2008

Tudo a Cru

Os dias querem-se livres.
Não no sentido de isentos de responsabilidades, de trabalho.
Livres naquela direcção da espontaneidade.
Da naturalidade.
Da impulsividade.
Livres.
Tenho fome de conhecer pessoas naturais, espontâneas.
Fome de pessoas que têm aquele ‘quê’ de impulsos.
De pessoas impulsivas, que de tão impulsivas chega a fazer remoinho nas sensações.
Aquelas pessoas que não estão habituadas a coisas delicadamente pintadas de uma qualquer cor previamente ensaiada.
Pessoas com a cor de pele.
Tenho fome de pessoas assim.
Que são o que são, e são pele. São suores. São lágrimas. São gargalhadas.
E tudo a tempo.
Sem pautas, sem compassos.
De improvisos melodicamente sensuais.
De horas, minutos, segundos.
De relógios de ponteiros.
A corda e a cordel.
Sem concepções coladas a estilos de vida fabricados.
Pessoas. Pessoas. Pessoas.
PESSOAS.
O que há de belo nas pessoas é o cru.
O rude.
Aquele ínfimo paralelismo que fica entre a garganta e o pensamento.
Pessoas roucas de tanto gritarem.
Pessoas que esbanjem sentimentos.
Pessoas que olham de frente, e que conhecem cada fio de sangue da sua retina.
Pessoas que estremecem com aquela música.
E dançam, e não têm medo de se abanarem.
Pessoas.
Com pestanas!
E despenteadas.

terça-feira, março 18, 2008

Game Over

Existem aquelas alturas em que estamos simplesmente nulos.
Em que nos sentimos uma nulidade.
Uma perfeita e redonda nulidade.
E nessas alturas de nada servem a palmadinha no ombro, o típico 'É pah tu tens valor, bla bla bla'... pardais ao ninho.
Podem dizer maravilhas. Não serve.
Não basta. E não serve.
Quando estamos realmente assim.
Redondos e nulos.
Precisamos sentir.
Sentirmo-nos seres humanos com veias.
Com pulmões.
Com massa muscular e cerebral.
Com pés, mãos e claro está, coração.
Precisamos sentir. Não ouvir.
De palmadinhas nos ombros nunca se fez nenhuma pessoa.
Ás vezes um abraço, pode ser tudo.
Mas, as pessoas ainda têm muito medo disso.
De abraços.
Tenho para mim, que do que realmente as pessoas têm medo, é de sentirem que encontraram o tal desgrenho.
Aquele estremeção.
E de não saberem, o que fazer com ele.
Sabem quando jogamos à sueca e batemos com o punho na mesa, porque temos a bisca?
Sabem?
È assim.
As pessoas têm as biscas mas, têm medo de arriscar. De jogar.
Esquecem que nem todos estão para a batota.
...Para palmadinhas nos ombros.
Há uma altura na vida, que é preciso esse punho.
Esse bater de mesa.
Pahhhhhhh
Aquela batida seca.
Pahhhhhhhhhh
Que nos faz acordar.
Pahhhhhhhhhh

Game Over!

domingo, março 16, 2008

quarta-feira, março 12, 2008

Menos. MUITO menos! s.f.f.


Cada vez estou mais convicta que o meu lugar não é na terra que me viu nascer.
E cada vez tenho menos pena de sentir isso.
As pessoas conseguem ser muito cruéis.
Pensam que sabem tudo. Que conhecem as pessoas. Que podem fazer juízo de valores.
Cansa.
Chega a um ponto, que simplesmente... enfada!
Desacreditam os outros, observam com aquele ar completamente opaco, e no fim não vêm é nada.
É uma pena. É realmente uma pena.
Mas, já não sinto pena nenhuma.

Como diria um dos meus amores: “Temos pena…mas, o clima está ameno!”

Não entendo é porque a minha temperatura anda a incomodar tanta gente.
Logo eu, que me aconchego à temperatura ambiente.

domingo, março 09, 2008

#300

È me extremamente violento ter sempre o mesmo pensamento.
Tenho uma vontade armadilhada.
Está agarrada.
Enfeitiçada por um qualquer acto libidinoso.
Preciso de um antídoto.
Sejamos sinceros, o problema não é o pensamento.
Mas, a brutalidade como este se manifesta.
É insano este pensamento.
Absurdo.
E por isso mesmo, libertador.
Mesmo assim, preciso de um antídoto.
Sabem aqueles orgasmos que ficam para sempre agarrados à pele.
Que ainda se sente o cheiro?
A brutalidade de que falo, é a mesma!
Com todos os espasmos, a que tem direito.
É violento este pensamento.
E ainda mais violento o insistir.
É.
Já sinto o cheiro!
Definitivamente, preciso de um antídoto!

terça-feira, março 04, 2008

Prazer(es) Snifados

O sigilo para uma boa disposição é snifar a vida até à última linha.
De nada vale reclamar com o fornecedor.
Muitas vezes ele vende farinha por cocaína.
Que é como quem diz, existência por vida.
Não é por reclamarmos que ele vai dar uma certa qualidade à coisa.
Solução: Mudar de fornecedor.
Procurasse aquele prazer.
Que nos suga os sentidos.
Ás vezes não é na ‘coca’ que está o gozo.
Mas, na busca quase insana desse mesmo prazer.
Como que uma ovulação ‘orgástica’.
Cujo feto se desenvolve a cada tremor.
O sigilo para uma boa disposição é snifar a vida até à última linha.
Seja lá qual for o fornecedor, não importa!
O que importa mesmo, é a gana com que damos a snifadela.
O suor a escorrer.
Começa na ponta da testa e segue pelo pescoço abaixo.
Até eriçar a orelha.
Os suores que não foram dados. Não são de modo algum para serem esquecidos.
Se continuam nas veias. É porque têm que ser dados.
Escorridos.
Exprimidos.
Até à medula!

domingo, março 02, 2008

Baratas Tontas

" Cara Estranha,
A vida moderna
Tem mais de moderna que de vida!
Queres comentar?
Um abracinho.
ZIGUEZAGUE. "

Comment by Anónimo sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008 11:00:32


O que são modernices?
O que são velhices?
No fundo é tudo uma questão de hábitos.
De ajustes, de ir na corrente.
Hoje em dia ir na corrente, é não falar do essencial.
Da verdade.
E limitarmo-nos a conversas banais.
Ao futebol.
Ao governo.
A se y sempre casou com x.
Cinema.
Programa tal.
Comida qual.
Hábitos.
Modernices.
As pessoas têm medo de se dar a conhecer.
De falar delas próprias.
De sentimentos.
De pensamentos.
De vivências.
De instintos.
De experiências menos rotineiras.
Costumes.
Costumes que saem sem querer da nossa retina.
E nós conscientes.
Deixamos.
Deixamos que essas modernices, tomem posse de nós.
Do nosso olhar.
Um dia disseram que as máquinas iam dar cabo de nós.
Nós é que damos cabo de nós.
Com este medo obtuso.
De sermos nós.
Apenas, nós.
Existem modernices.
Mas, antes de tudo, existe a Vida.
E essa… essa é que vale.
É que dita o rumo.
O fôlego.
Está na hora de respirar.
De nos despirmos de preconceitos.
E sermos. Apenas, Sermos!
Não somos baratas tontas.
Nem tão pouco coelhos,
para ir atrás de uma qualquer cenoura mal amanhada!
Somos conscientes.
Sendo que, está na hora.
Inspira.
Expira.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Desejos


Os desejos são como as caixas de velocidades.
Depois de posta a primeira mudança, o carro pede sempre mais.
O ponto morto. Não é desejo.
O carro não anda ao ‘relantim’.
E a pele não se encrespa sozinha.
Podemos ter não sei quantos carros.
Percorrer milhares de estradas.
Mas, existe sempre aquele que se encaixa.
Como um qualquer sinal de luzes.
Médios. Máximos.
Encadeia.
Carros.
São como os desejos.
Podemos ter muitos.
Mas, há só um.
Apenas um.
Que com um simples toque.
Nos eriça a pele!
Esqueceste?
Andas a conduzir com velocidades automáticas.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Agricultura




Existem sempre coisas mal resolvidas no passado.
Coisas essas que enquanto não forem resolvidas, inevitavelmente mais dia menos dia nos aparecem à porta.
Adiámos.
Fazemo-nos de fortes.
Ahhh o quê? Mas, isso já está mais que resolvido.
Dizemos nós de cabeça.
Já o coração, esse dita outra coisa.
Qualquer que seja a natureza da coisa por resolver.
Fica sempre aquela semente que foi mal regada.
Ou aquela árvore que deveria ser podada, e não foi.
Um pomar é pomar, porque tem que ser cuidado todos os dias.
Manhã após manhã.
Caso contrário seria, mato.
Um mato cerrado.
De tal modo cerrado, que nos impede de ver, de sentir, de farejar o que realmente importa.
E andamos por aí de mato em mato.
E esquecemos de regar, de pulverizar, de podar as nossas árvores.
De sentir cada ramo.
Cada tronco.
Pensar donde vem aquela raiz.
Porque foi ali colocada.
Donde ela apareceu e porquê.
Talvez seja o passo.
O passo maior para o nosso próprio auto conhecimento.
E sentirmos que afinal.
Ela foi ali posta por alguma razão, e que talvez a árvore não cresça enquanto não resolvermos essa tal… raiz.
Se ela está lá, então à que olhá-la de frente.
Sentir toda a sua textura.
Penetrar em cada veia.
E rendermo-nos ao inevitável… seja ele qual for.
Mas, que sentimos como nosso.
O meu avô era agricultor.
Ensinou-me a andar de bicicleta, de balouço e a vindimar.
E não há nada melhor do que sentir esse todo.
As uvas, nos pés descalços.
Desde o trincar da velha tesoura, à tina de madeira.
Se a raiz está lá, por alguma razão é.
Basta sentir onde a plantamos.
Como a plantamos.
Sentir o cheiro.
Farejar.
Conjecturar o sumo da colheita entre os dedos.
Somos todos agricultores.
Mais que não seja… das nossas ideias.
E é o que eu penso sobre isto.
Até amanhã.
Agora ide. Ide farejar a vossa… raiz.

sábado, fevereiro 23, 2008

Vestimentas



A vida só é vida com espantos.
Se eu quiser colocar um anel no pulso, coloco.
Se por outra, me apetecer pôr uma pulseira no dedo, ponho!
O colar pode ser nas pestanas.
As meias na cabeça.
As calças nos braços.
A camisola nas pernas.
A vida é vida.
Porque nos espantamos.
Porque evoluímos.
Porque somos responsáveis.
Mas, malucos.
Porque somos todos diferentes.
E sabemos viver com essas diferenças.
Porque aprendemos.
E todos os dias.
Todos os dias nos espantamos.
E abrimos os olhos.
E fazemos aquela cara de: ohhhhhh
Ahhhhhhh ohhhhhh
Espantos!
Como aquele relógio do tornozelo.
Que faz tic tac
Tic tac
A cada passo que damos.
A cada respiração.
Que não pára a cada espanto.
Mas, pode marcar-nos de um modo diferente.
Começando no Tac.
E acabando no tic.
Ohhhhhhh Ahhhhh ohhhhhhhh
Espanta-te.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Antagonismos


O que é viver?
Perguntou-lhe ele ironicamente.
Real gana.
Respondeu ela sem o ‘mente’.
Hã?
Viver é real. De nobres sentidos.
Gana.
De âmago.
De interstícios descabidos.
O que é viver?
Perguntou-lhe ela sem o ‘irónico’.
É o que é.
Mentiu ele sem qualquer tipo de fome.


Ela: Os nossos desejos
Ele: Os nossos medos

terça-feira, fevereiro 19, 2008

C(S)em kilómetros.

7h30 da manhã.
Chuva. Trovoada. Névoa.
Força bruta da natureza.
Água por todo o lado.
Quilómetros de fila.
Trânsito.
Loures envolto em água.
No carro ao lado uma criança chorava.
A mãe nervosa tentava a acalmar.
No carro da frente uma senhora de idade avançada.
Encostou. Tiveram que a ir buscar.
Lá mais à frente não travaram.
Choque imediato.
O rio Jamor corria a uma velocidade atroz.
Não havia semáforos.
Trovoada.
E a criança chorava compulsivamente.
No meio disto tudo.
Um ou dois carros de uma escola de condução.
O Pedro Ribeiro da Comercial insistia em dar notícias do trânsito.
Pedras.
Pedregulhos no meio da marginal.
Parecia que o comboio podia a qualquer momento saltar para o asfalto.
O Tejo com cor baça.
Ondas desconcertadas.
E aquela criança sempre no carro da frente.
Pensei na senhora que ficou lá atrás.
Na RFM diziam para as pessoas não saírem de casa.
Culpavam a Maria Elisa do programa da noite anterior.
Vento. Ramos de árvore.
Duas mortes. Um desaparecido.
A natureza é mãe.
Mas, quando quer é tão madrasta.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Entre poros e entranhas. A Alma.


Sabem aquela parte a seguir aos olhos,
Como quem vai para as bochechas.
As chamadas olheiras?
Eu chamo a ‘parte de alma’.
É como se a nossa alma se alojasse ali.
Podemos rir. Chorar. Ou sorrir.
Não interessa.
Ou por outra, interessa.
Mas, aquela parte.
Ah aquela parte diz tudo.
È como a identidade de uma árvore.
Cria raízes.
E ficam, ficam, ficam.
Sinto como se a minha alma estivesse solidificada ali.
Naquela parte.
Como se ganhasse uma forma palpável.
Dói me a alma.
Dói me tanto a alma.
É uma qualquer coisa que vem das entranhas.
As veias do pulso explodem. Detonam.
Os dedos dos pés encolhem.
Comprimem a lucidez.
Os ombros balbuciam.
Poros. È uma qualquer coisa dos poros.
Range. E range. E torna a ranger.
Chega a doer a ponta dos cabelos.
Aqueles ossinhos entre os dedos e a palma da mão ficam vermelhos.
Serro os dentes.
E range. Range.
É uma qualquer coisa que sai da ponta dos meus dedos.
Parece que salta as unhas.
E solidificasse ali.
Como plasticina.
Ganhando aquela forma. De olheiras.
Sabem aquela parte a seguir aos olhos,
Como quem vai para as bochechas?
A minha alma está lá.
Trancada.
Entre poros e entranhas.
Solidificada.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Parir


Costumo escrever assim.
Sem pensar quem lê.
Quem sente.
Escrever.
Escrever.
A sentir.
Mim.
Não é um acto egoísta.
É apenas o meu modo.
De.
Ser.
Mas, hoje.
Hoje é directamente para vocês.
Uma pergunta.
Tenho uma questão para vós.
Todos criamos defesas.
Ao longo da vida todos criamos as nossas defesas.
Seja no trabalho.
Seja na familia.
Seja nas amizades.
Em conhecidos.
Em relacionamentos.
Tudo.
Em tudo criamos defesas.
Sabemos exactamento o ponto em que as criamos.
Em que decidimos que devemos seguir esse espermatezoide.
Fecundando o óvulo da razão, e surge.
E parimos assim as defesas.
Parimos assim aqueles muros, mais ou menos íngremes.
Mas, criamos.
E devemos a nós próprios o crescimento dessas mesmas defesas.
Se elas crescem mais ou menos robustas.
O problema é nosso.
A responsabilidade é unicamente nossa.
Se elas nos defedem.
E até que ponto nos defendem.
A minha questão é:
Até que ponto essas mesmas defesas não são nossas inimigas?
...
Esta merda anda na minha cabeça vai para dias.
Demasiados dias.
Muitos dias, aliás.
...
Muros.
Como degraus.
Mas, ao contrário.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Descarnada

Alma inconsciente.
Actos insanos.
Dizem alguns de boca cheia.
Nem tudo gera implicação, digo eu.
Tudo o que realizamos com sentido, tem um quê qualquer de insano, de inconsciente.
Uma obra de arte, é arte... porque transpira a insano.
Porque esgota.
Esgota a consciência.
Alma cheia.
Sentidos descarnados.
Toda a obra de arte é selvagem.
Como aqueles olhares que se procuram.
E nunca se tocam.
A paixão é assim.
Como a realidade. Aquela.
Que se quer primitiva.
Bruta.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Um dia destes...


- Tenho saudades tuas.
- Não, não tens saudades minhas.
- Tenho. Estou a dizer-te que tenho!
- Não. Tu tens saudades é de ti. De como tu eras comigo.
- E isso não é ter saudades tuas?
- Não. Isso é ter saudades nossas. Eu tenho saudades nossas.
Estou todos os dias comigo. Estou de quando em quando contigo.
Mas, nunca estou connosco. Tenho saudades nossas.
- De rir contigo.
- Sim.
- Tenho saudades tuas.
...
De gargalhar.
- Um dia destes atreve-te. Espanta-te. Surpreende-me. A dizer. Anda cá.
- E eu vou. E mesmo assim, irei ter saudades tuas.

sábado, fevereiro 02, 2008

Assumo: Sou uma puta!


O ser humano é uma puta.
Uma puta do Tempo.
O tempo é o xulo.
E nós putas inteligentes que somos.
Temos que tirar partido do Tempo.

E viver até cair de cu.
Seres humanos que se presem.
Ide.
Ide todos levar no cu.
Ide Viver s.f.f.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Grades? Só se for de minis.

Hoje.
Fim do dia.
Tasco do costume.
Bifana e moscatel.
Mesa de madeira.
Revista de papel.
Li:
“ Todo o homem que aparece na minha vida quer que seja dona de casa. Mas eu tenho um sonho. Sofro por estar sozinha, mas sofreria mais se abandonasse o sentir da minha vida. “ ( by Paulo Coelho in Crónia Semanal – Revista Lux)

Ontem.
Algures na madrugada.
Serra do costume.
Cigarro e navalha.
Degrau de granito.
Ouvi:
“Não suporto a tua independência. Assusta-me essa tua mania de viver estranhamente.”

Pena só hoje ter lido Paulo Coelho.
Seria uma boa resposta.
Na altura só me lembrei de pedir lume.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Raio X


Há uma certa elegância no andar.
Não falo a nível estético.
Falo no modo como o ser humano se movimenta.
Na força que pisa o chão.
Na maneira de colocar as mãos.
Se olha para o infinito.
Se vai cabisbaixo.
Ou a tender para os lados.
Se aproveita o seu andar.
Se por outra perde tempo em mostrar esse mesmo andar aos demais.
Se pisa a calçada com carácter.
Ou se é indiferente ao asfalto.
Há uma certa elegância no andar.
Como que um raio X.
Não um exame de verdadeiro ou falso.
Mesmo, um raio X.
Um sentir que realmente aquela pessoa tem um 'quê' qualquer.
Existem andares desconformes.
Outros atardoados.
Ainda os há cheio de propósitos.
Tenho para mim que o andar é como a gravura da alma.
... Passos que nos ficam...

sábado, janeiro 26, 2008

Não me fodam a cabeça!

Todas as coisas que não eram suposto acontecer.
Acontecem!
E inexplicavelmente.
Abalam.
Eu sei que sou cheia de erros.
Todos temos os nossos.
E quem nos os tem. É porque mente.
Agora, não me fodam é a cabeça a dizer que não tenho coração.
Porque isso, é talvez a única coisa, que ainda me resta.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Arestas

A única coisa que as pessoas têm em comum,
são as unhas.
A diferença reside no limar e no pintar.
Nunca comprei verniz.
E a minha lima é uma tesoura de costura.
Tirando isso.
Sou uma mulher normal.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Movimentos

A vida quer se safada.
Espantada.
De fraquezas.
Agrada-me as habilidades.
Aquelas,
que o ser humano faz comodamente in(s)talado na (in)lucidez.
É.
A vida quer se realmente safada.

domingo, janeiro 20, 2008

Anarquia

Ás vezes.
E digamos que na maior parte das vezes, é tudo uma questão de humilhação.
Quando agimos pelo pensamento, a chamada razão, humilhamos o sentimento, donde humildemente fragmentamos a nossa essência.
Quando agimos pelo coração, a chamada
percepção; humilhamos o pensamento.
Guerriamos.
Fatigamo-nos com tantas humilhações.
Vivemos pelo menos umas dez (vá onze) humilhações destas por dia.
E nunca ficamos contentes.
Esquerda. Não!
Vai pela direita.
Porra é em frente.
Cruzamentos.
Razão versus coração.
Humilhações. Balança em nós todos os dias, todo santo dia.
É como um abanar de anca.
Abanamos a anca pelo que sentimos.
Paramos a anca pela razão.
Como se a razão fosse a verdade.
E a verdade a estagnação.
Um dia destes reciclo estas ditas humilhações.
Seja no ecoponto azul, verde ou amarelo.
Mas, a vontade... ahhh a vontade essa fica.
Sem qualquer data de validade.
....
E que esta seja anarquia!
Uma total e louca anarquia sem absolutismos indeterminados.
Feita de um qualquer temperamento.
Aquele.
Em que um abanar de anca não é ‘parado’ por uma qualquer estagnação!
Frenesins, portanto!

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Re(nascer) Re(voar) Re(fazer)

Existe sempre uma primeira vez para tudo.
Existem sempre coisas que nunca chegamos a fazer.
Por pensarmos que nos ferem.
Ou que nos transcendem.
Coisas simples que não fazemos.
Porque são simples.
E preferimos o complicado.
Existe sempre uma primeira vez para tudo.
Para quebrarmos as asas.
E voltar a nascer.
Outras asas.
Mais fortes. Novos suportes.
Esperamos uma vida inteira que nos dêm um valor.
Aquele valor.
Aquelas pessoas.
E esquecemo-nos que somos nós.
Nós é que nos temos que dar, a esse mesmo valor.


Temos uma vida inteira para sermos pessoas.
E ocupamos tanto desse tempo apenas a sermos gente.


sexta-feira, janeiro 11, 2008

Trigonometrias. Sucessões. Geometrias. E afins!

Hoje disseram-me que dou demasiada importância à parte ‘não-científica’ dos alunos.
Não sei o que isso quer dizer.
Uma pessoa, é uma pessoa.
Com toda a sua parte científica, intelectual e emocional.
Um todo.
Como posso dividir as pessoas em parte ‘cientifica’ e ‘não científica’?
Pois, eu não sei fazer isso.
Passa largamente a centena de pessoas que lido diariamente.
Dos 16 aos 28 anos.
Nortenhos. Algarvios. Açorianos. Caldenses. Alfacinhas. Cabo-Verdianos. Angolanos.
Como posso passar grande percentagem do meu dia a lidar com estas pessoas, apenas cientificamente?
Não posso.
Não sei.
E não consigo.
Gosto deles.
Gosto que sorriem.
Incomoda-me quando estão tristes.
Eu gosto de pessoas.
E de pessoas com veias.
O sangue não vai directamente para o cérebro.
Passa antes pelo coração.
Como eu lhes costumo dizer: ‘O meu grande pecado é gostar de vocês’.
Hoje disseram-me que dou demasiada importância à parte ‘não-científica’ dos alunos.
Ao que respondi:
Um professor não é apenas um quadro negro. Para se fazer um puzzle é necessário sentir as peças. Não basta pensar nelas.
..
..
Digo eu, que não percebo nada disto!

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Recordações

Lembro-me bem desse dia.
Estive duas horas à tua espera. Estava sol.
Aquela luz tímida que nos ofusca a retina.
Mas, que nos aquece o olhar.
Nesse dia preferi não conduzir.
Andei a pé pela cidade. Aquela cidade que um dia disseste nossa.
Lembras-te?
Em 2000 foste lá. Dormiste lá.
E eu na mesma cidade recusei-me a ti.
Nem sequer te vi.
E vagueamos os dois. Deambulamos.
E nunca nos enlançamos.
Sentiste?
Recuando.. lembro-me bem desse dia,
estava lá um senhor a vender jornais, perguntou o que fazia ali tão cedo...
Não respondi.
Ele disse que tanto tempo à espera que já não vinhas.
Nesse dia preferi não conduzir.
Foi uma boa opção essa em que colocaste a tua mão sobre a minha cintura
e conduziste todos os meus sentidos.
Expressões estas que nos ficam timidamente nas veias.
Sim. Lembro-me bem desse dia.
Sente-me hoje. Para não me esquecer amanhã.
Ontem perguntaste do que eu tinha medo.
Tenho medo disto.
Das recordações.

sábado, janeiro 05, 2008

Testemunho Jeová

Passa o ano e tudo aumenta.
O pão. A fruta. O peixe. A carne.
A incompetência dos nossos politicos. A ironia dos que regem a nossa dita sociedade.
Estou um bocadinho farta.
Aliás, falando à bom português estou farta para caralho desta merda toda.
Fico fodida da vida a cada dia que passa.
A toda a hora passam-nos um atestado de burrice.
E nós que só queremos trabalhar e ter o nosso ao fim do mês, o que fazemos: Nada!
Niente. Zero.
Por medo de represálias, uns.
Por medo que nada se altere, outros.
E vai-se andando assim num país que se diz em franca expansão.
Desapareceu a Maddie, os pais foram presos por negligência? Não.
Se fossem portugueses iam presos? Iam.
A Esmeralda anda daqui para acolá.
Um psicólogo diz isto. Outro diz aquilo.
O juíz não diz nada.
No fim o povo bate palmas à familia superstar.
Um amigo meu concorreu aquela coisa da tvi, o casamento de pesadelo.
Não foi aceite. É homossexual.
Não faz mal. Nós até vamos ter outra televisão generalista.
E viva Portugal.
No outro dia fui multada.
Achei muito bem. Fiz merda. Não tinha documentos, e o veículo estava em segunda fila. Não resmunguei. O que era desnecessário ouvir, era: “Então ó colega quanto achas que devemos multar a senhora? Ela tem que nos pagar a gasolina? Você se portar bem... diminuimos a multa” (leve pancadinha no ombro).
Respeito as autoridades. Respeito-me a mim. Mas, que me apetecia mandar o Senhor Cabo ir levar no cú.. ai tanto que me apetecia.
O processo Casa Pia anda há uma meia dúzia de anos em compasso de espera. Toda a gente é paga para não piar, e o estado que tanto fala no direito paternal são os primeiros a tratar mal as nossas crianças.
O que nós fazemos? Não piamos.
O pior é que nem somos pagos para isso. Xiuuuuuuu
Um senhor aqui da terra foi apanhado com não sei quantos quilos de droga.
Isso foi há dois anos. O julgamento foi em Agosto. O guarda presidional que estava com ele, também andava meio branco. Os outros ficaram ilibados. Até hoje não sei com que provas. Mas, tudo bem. A malta gosta mesmo é de comer gato por lebre. A gaja continua a comer lagosta. E viva o camarão.
O vice-presidente da minha câmara municipal demitiu-se.
Eu que nem gosto de politicos, gostava dele. Tenho para mim que ele também andava farto desta coisa dos atestados de burrices e de cunhices.
O presidente da câmara municipal ao lado da minha, levou nos cornos em plena praça pública porque andava a foder com uma vareadora lá do sítio ou lá o que era, o que aconteceu? O Bombarral ficou com um parque estacionamento no lugar da pancadaria, não vá o agressor não ter lugar para estacionar os cornos, e o presidente a vergonha.
Agora anda aí a moda de uns tais portáteis a 150 euros (há escolas que foram pelos ares com uns míseros ventinhos mas, na boa... a malta tem o msn, tudo se resolve).
Não sou ninguém. Não sou inteligente. Nem tão pouco intelectual.
Mas, apeteceu-me bufar.
Porque... eu quando peço coelho.
É porque quero coelho.
A cabeça do gato é para colocar à vista.

Bom dia de Reis!

P.S.: Um dia destes bateu aqui à porta uma senhora, acho que era Jeová, falei-lhe sobre estas coisas.. ao que ela me disse .. ohhh menina para isso só a fé.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Autenticidades envolventes!

Sabem o que eu gosto mesmo, mesmo, mesmo, mesmo nos seres humanos?
A cumplicidade. Aquela terna e eterna cumplicidade.
Autenticidade, portanto.

Por falar nisso.
Tu que estavas na Nazaré de casaco verde,
gestos precisos, passos envolventes e olhar autêntico.
Vê se me achas.
É que aqui a estranha adorou dançar contigo.
:P

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Para vocês, um piscar de olho! Meu! Aquele!

Hoje dia 28 de Dezembro de 2007.
Dia nostálgico. Ficamos sempre assim nas vésperas de aniversário não é?
Não sei se é nostalgia...
Mas, fazemos sempre como que uma retrospectiva.
Parece que todos os dias passam pela nossa cabeça.
E essencialmente... pelo nosso coração.
As pessoas que conhecemos.
As pessoas que perdemos.
Os sorrisos que demos.
Os que ficaram por dar.
As lágrimas sentidas.
E as sofridas também.
Dói sempre pensar nos ‘ses’.
E ainda dói mais, sentir os ‘mas’.
Não sei se estou velha.
Sinceramente?
Sinto-me cada vez mais nova.
Sei que tenho rugas.
E alguns cabelos brancos também.
Mas, sinto-me a cada dia renascer.
A guardar cada pôr do sol.
Cada orvalho.
Cada onda salgada.
A sentir tudo como se fosse a primeira vez.
Isto de estar quase a chegar aos trinta, pode ser tenebroso.
Mas, eu cá acho, que é estranhamente saboroso.
De um sal quanto baste.
E de pimenta ao exagero!
No outro dia perguntaram-me a idade.
Ao que eu respondi:
Estou na idade do orgasmo!
Naquela idade dos gestos (d) equilibrados.
Mas, com muito desassossego à mistura.
Naqueles tempos sem ponteiros.
Em que uma boa gargalhada vale um punhado de tudo.
Em que todos os segundos contam.
Naquela idade em que as escolhas valem um respirar.
Aquele respirar.
Sinceramente?
Acho que nunca respirei tão bem!
E agora vou bazar para o Baleal (sim. porque as cotas também podem dizer bazar) dar aquele mergulho de madrugada, no último dia dos vinte e sete.
Até para o ano minha gente.
Que sintam tudo. Que sorriem ainda mais o tudo.
Vivam sempre. E vivam bem.
Abraço enorme e apertado aqui da estranha para vocês.
P.S.: Um beijo em cada uma das vossas bochechas, dado de pernas para o AR, com um leve piscar de olhos.
Gosto de vocês, porra!
P.S.2: Naquela idade em que olhar nas retinas já custa um bocadinho menos! Naquela idade em que simplesmente já não há pachorra para o banal... porque o que a malta quer verdadeiramente, é Sal!

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Intermitente

Ontem não choveu.
Pelo menos de madrugada, não choveu.
A estrada tinha poças.
A condução meia tresloucada.
Mas, não chovia.
Os semáforos do costume estão avariados.
Não parei.
Quase a chegar a casa recebo um telefonema.
Do outro lado uma voz triste.
E a estrada cheia de poças.
Falou comigo calmamente.
Pausadamente.
Com aquele tom sempre lúgubre.
Falou.
E eu chovi.
Chovi. Chovi. Chovi.
E do outro lado aquela voz.
Aquele timbre sossegado mas, a soluçar por dentro.
Disse o que eu não queria ouvir.
Assim. A milhares de quilómetros de distância.
Existem madrugadas cujos semáforos deveriam funcionar.
Nem que fosse o intermitente!

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Transparente


É uma frase feita mas, inevitavelmente é disso que se trata.
Todas as pessoas que passam na nossa vida, não passam sem sentido.
E quando falo todas. É todas.
Todas as pessoas que cruzam connosco, dia após dia levam um pouco de nós.
E nós, ficamos com um bocadinho delas.
Seja um gesto.
Um olhar.
Uma palavra.
Um silêncio.
Mas, fica sempre qualquer coisa.
Um qualquer coisa que mais cedo ou mais tarde, fará um sentido.
Aquele sentido.
Por vezes [e na maior parte das vezes] privamos com pessoas diaramente que não nos conhecem, horas após horas... e não nos conhecem.
E julgam conhecer, e tiram conclusões.
Que depois de espremidas, não são mais que puras aberrações.
Desconexas. Sem fundamento.
Pessoas a quem devemos respeito. Carinho. Amor. Mas, não nos conhecem.
E as células do nosso coração desgastam-se. Acabam.
Mas, depois existem as outras pessoas.
Aquelas.
Que passam na nossa vida e já nem nos lembramos porquê.
E nem vale a pena questionar.
Porque o que vale a pena, não pode ser questionado.
Não sou nada. Mas, uma das coisas que aprendi no meu nada, foi isso mesmo:
Não questionar certos sentidos.
Porque certos sentidos valem por si só.
E basta.
E valem o que valem.
Estou agora a escrever este texto, e eis que recebo a seguinte mensagem via sms:
“Nada na vida tem tempo definifo... ou é, ou não é! E o comboio só passa uma vez... Pode até passar uma segunda vez mas, as carruagens já são outras. Medo? De quê? Viver.. Usufruir... Sentir?? Vida?? Só tenho esta, e é para viver, para partilhar tudo mas, tudo de forma intensa e verdadeira!”

É.
Certos sentidos valem o que valem.
E valem por si só!

Gosto de muitas pessoas.
Mas, sei que apenas algumas conseguem sentir esse meu gostar.
Este meu estranho modo de sentir.
De viver.
Para essas pessoas o meu muito obrigado.
Meus senhores, é um previlégio fazer parte do vosso metro quadrado.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Foz [a da Figueira]


Já era tarde.
Não era por ser noite.
A correr para a madrugada.
Mas, foi tarde.
Fui tudo tarde. Muito devagavar.
Muito pensado. Muito equilibrado.
Essas coisas querem-se cedo.
De tangentes.
De curvas. Contracurvas.
Saltos. Infernos.
Para chegar lá acima.
De becos. Ruas. De esquina.
Essas coisas querem-se inesperadas.
O que aconteceu, é que foi tarde.
Não penses que era por ser noite a correr para a madrugada.
Mas, é que foi mesmo tarde.
Por outro lado, no outro dia não era cedo nem tarde.
Foi na hora de almoço.
A puxar para a sobremesa.
Em Setúbal.
E até o barco deu meia volta.
Mas, sem dúvida alguma que foi na Figueira que se deu a volta inteira.
Está na hora!
Vens?

terça-feira, dezembro 18, 2007

E MAI NADA!


Estimados clientes.
Estamos fechados.
É o mote.
Estou de férias para pessoas hipócritas.
Estou de férias para seres humanos cínicos.
Estou de férias para mamíferos mal passados.
Porque as pessoas querem-se passadas.
E transparentes.
De que vale premeditar os gestos?
De que vale premeditar os sentimentos?
Meus amores, a vida é curta demais para essas merdas.
Efectivamente, as pessoas querem-se passadas.
Porque para um bife mal passado, vou ao restaurante da esquina.
Porque para gestos mecanizados, vou à oficina da vila.
Porque para sentimentos mal trapilhas, vou ao alfaiate do dito cujo.
Que nem dito cujo é, porque nem sequer houve abandono.
Abandono da banalidade.
Sinceramente?
Gostava mesmo que houvesse um certo abandono da banalidade.
Rectifíco.
Gostava mesmo que houvesse um total abandono da banalidade.
Cada vez mais procuram pessoas banais...
E eu sorrio.
E vejo.
E observo.
E penso tudo. E sinto ainda o mais tudo.
E vomito todos esses credos completamente insignificantes.
Porque são apenas isso, insignificantes.
Banais.
Na semana passada ouvi falar muito numa lei, abolir os partidos políticos com menos de 5000 militantes.
Creio que o meu partido esteja pela hora da morte.
E sinceramente?
Estou-me a cagar!
O banal que se foda!

Tirando essa gente toda:
Estimados cliente.
Estamos abertos!
Arigatô. Gracias. Volte sempre.
Qualquer tipo de reclamação ó fáxavor de se dirigir a uma qualquer pessoa atinada mais próxima.

domingo, dezembro 09, 2007

Meia Alma. Cavalita e Meia!


Ando com meia alma ás cavalitas.
A outra metade sei bem onde a deixei.
Mas, receio que já lá não esteja.
Guardaste-a?
Não, a Alma!
Mas, as cavalitas!

segunda-feira, dezembro 03, 2007

24 horas


Portimão.
Meio dia.
Sms.
Vem ter comigo.
Faro.
22h30.
Sms.
Já cá estou.
Sevilha.
01h00.
Ao ouvido.
Um gosto de ti.
Foi num banco de jardim.
..
08h30.
Na parede da igreja.
Chamaste-me de maluca.
E eu não me importei.
Punta Umbria.
17h00.
Dunas.
Areia molhada.
Aquele aperto.
E que aperto!
Lisboa.
Meia noite.
Adeus.

Foi em Setembro.
Há realmente verões fabulosos. Não há?

terça-feira, novembro 27, 2007

Quando é que 'me' espreitas?
Ó vida !
....
- É que ando com a neura.
Tenho a modos que a... aorta amuada. -

sábado, novembro 24, 2007

Calçada da Ajuda 1998

Foi em fins de Outubro.
Vai quase para uma década.
Sim, vai para dez anos. Agora que penso nisso a sério. São dez anos.
Dez Outonos. Dez Primaveras. Uns quantos Verões. E sem dúvida alguma, dez Invernos.
Dez Invernos.
Lembro bem dos Invernos.
Eu gostava dos invernos nessa rua.
A calçada molhada.
A praça de rua.
O grito dos ciganos: Ó freguesa são só quinhentos marréis.
O resto de legumes no chão.
O frenesim matinal.
Os fins de tarde na tasca do senhor Chico.
Lembro bem dos tremoços.
Eram salgados.
Como a vida.
E a casa de ferragens do outro lado.
Deste lado era o terceiro andar.
A varanda era de ferro.
Ferro caído. Como o chão que tantas vezes pisamos.
Lembro bem do teu olhar.
Era claro. Grande.
As pestanas grossas.
É. Sem dúvida alguma que lembro bem desses Invernos.
No outro dia passei lá.
Nessa Rua.
A casa de ferragens já não existe.
Deve ter fechado com a tua morte.
Já passei lá tantas vezes e nunca olhava para esse lado da rua.
No outro dia parei.
Olhei.
E a casa de ferragens já não existe.
Lembro bem dela.
Do teu olhar atrás do balcão.
De me dizeres, solta o cabelo.
Tenho saudades tuas.
Vai para oito invernos que partiste.
Oito invernos.
Mas, os dois que sobraram ficam aqui.
Bem aqui.
Lembro bem dos Invernos.
Eu gostava dos invernos nessa rua.
A calçada molhada.
A praça de rua.
O nosso trampolim na paragem do eléctrico.
Os tremoços?
Os tremoços continuam salgados.
Como a vida!
O cabelo?
Nunca mais o prendi!


domingo, novembro 18, 2007

Carta Aberta

São muitas as pessoas que pensam e sentem que a tarefa do professor é fácil, e até mesmo superficial. Existe quem pense que basta ter uns bons apontamentos, abrir a sala de aula e falar sobre os ditos apontamentos.

Ser professor é muito mais que isso, antes de tudo é ser-se pessoa, e tudo o que isso implica. É ser-se educador e educando, é ser-se veículo de conhecimentos, é ser-se por vezes pai e mãe, psicólogo e sociólogo....
Implica gerir o seu tempo, o tempo dos discentes, estar em coerência com as transformações da sociedade, com as motivações do aluno, implica ser-se disciplina e transmitir essa mesma disciplina de uma forma coerente e saudável.
Ser professor é muito mais que uma profissão.
A disciplina de matemática exige flexibilidade e criatividade, implica olhar directamente para a motivação dos alunos, e saber contorná-la quando esta está ausente.
Por vezes equipara-se o pensamento matemático ao vazio, e a conceitos teóricos que ‘não servem para nada’.... enfim... á abstracção do próprio nada. Esta visão tem necessariamente que mudar.
A ‘arte’ de ensinar matemática está directamente ligada a este pensamento, e execução desta arte é cada vez mais difícil por isso mesmo... pela ausência total de motivação dos discentes, e por vezes... dos próprios docentes, pois quem corre por gosto não cansa... mas, fica cada vez mais frágil á negação inerente dos alunos.

Um dia Emile Lemarne sussurrou que “Uma verdade matemática não é simples nem complicada por sim mesma. È uma verdade.”..... Verdade esta que mais que pensada e compreendida, tem que ser sentida, para melhor transmitir-mos essa mesma verdade. Como diria Einstein no seu livro– Como vejo o mundo “ O ensino deve ser de modo a fazer sentir aos alunos que a quilo que se lhes ensina é uma dádiva e não uma amarga obrigação.”
O meu sentimento e pensamento é esse mesmo, conseguir transmitir que a matemática é uma dádiva, e não uma amarga obrigação.
E antes de toda essa 'matemática'... sentir o que realmente interessa: que todos somos humanos, que todos devemos um terno e eterno respeito, ao que nos rodeia.

E neste espírito, que se baseia o amor que tenho pelo ensino, tentar fazer o meu melhor. Pois sei e sinto verdadeiramente, que nós podemos mudar o rumo à realidade contemporânea enquanto seres humanos que somos.
Basta acreditar na inovação, nos professores, nos alunos e no ensino enquanto veículo de crescimento pessoal, intelectual e humano.


Hoje colocaram em causa o amor e o respeito que tenho por todos os meus alunos.
Porque é isso mesmo, amor!
Hoje chorei.
E hoje decidi assumir aqui , o que eu sou.
E o que eu sou, é isto: Sou uma pessoa.

domingo, novembro 11, 2007

Cholé



Corredor.
Nove e pouco da manhã.
Pergunto: Faz hoje um mês que te conheci, e nunca vi o teu sorriso.
Resposta: A vida não me dá tempo para isso.
Respondo: E dá-te tempo para quê?
Resposta: Para nada.
Respondo: Mata-te, não estás cá a fazer nada!
..
Nunca mais o vi.
...........

.........
No fundo a vida são como as meias.
Um todo por metade.
E calçam-nos o caminho!
Não há tempo para nada, dizem alguns!
O que se tem, há que ser por inteiro, digo eu!
Caso contrário, não vale a pena.
E há que sê-lo de todas as cores.
Maneiras.
E feitios.
Sorrisos?
Há sempre tempo para isso..
Rancor???
Nunca mais o vi.
O corredor tinha duas portas.
Aliás, tem uma janela.
E essa, aiiii essa vejo-a todos os dias.
Faz hoje um mês que te conheci, e ontem vi o teu último sorriso!

São agora cinco da manhã.
E sinceramente?
Não tenho saudades tuas.
É que, aqui só para nós....
Já calcei as minhas meias!
... e calcei-as por inteiro!

Ide em paz, e que o cholé te acompanhe!
Amén!

domingo, novembro 04, 2007

Tens Lume?

Estava escuro.
Ela pediu para acender a luz.
Ele não quis.
Ela insistiu.
E voltou a insistir.
Ele voltou a não querer.
Estava escuro.
Tocaram-se.
Cada toque, cada respiração.
Inspira. Expira.
Respiração.
Ofegante.
Daquelas que se ouvem uma vez.
E sentem tudo...nessa mesma vez.
Respiração.
Inspira. Expira.
A unha passou pelas costas dele.
Percorreu toda a espinha dorsal.
Toque.
Passou pelos ombros.
Toque.
Parou na coxa.
Toque.
Arrepiou a silhueta.
Toque.
Esticou o pescoço.
Toque.
Gemido.
Toque.
De novo o gemido.
Toque.
Inspirou tudo.
Toque.
Arrepio.
Estava escuro.
Na testa o suor.
No toque o desejo.
Inspira.
Expira.
E a unha continuava.
Aqui.
Ali.
Acolá.
De novo o arrepio.
Daqueles arrepios que se querem sempre.
Sim. Daqueles.
Sim. Exacto.
Desses mesmo!
Inspira.
Expira.
Foi num estacionamento.
Estava lua cheia.
Como hoje.
Era praia.
Era desejo.
E tu não acendeste a luz!
Sim !!
Foi num estacionamento.
Eu sei que não estava deserto.
Mas, tu podias muito bem ter acendido a porra da luz!


sexta-feira, novembro 02, 2007

Tradições - Cardápio de Dissabores


Todos os dias, a todas as horas deparamo-nos com situações estúpidas.
Incrivelmente estúpidas.
E mais que estúpidas. Más.
Pessoas más, portanto!
O mundo está cheio delas.
A nossa terra está cheia delas.
Pessoas que por uma razão ou por outra, sentem-se donas do mundo.
No sentido lato da palavra.
Donas da verdade. Donas do sentir. Donas do pensar.
Para essas pessoas só tenho uma coisa a dizer:
Ide para a puta que vos pariu.

Chegasse a uma certa idade que simplesmente já não há paciência.
E mais que paciência, já não há alma para essa gente.
A vida é curta demais.
As nossas energias têm que ser gastas, sim senhor!
Mas, gastas com quem merece.
A humildade é uma coisa muito bonita.
É pena que haja tanta falta dela.
Dela, e de sorrisos abertos!
Pessoas que por terem um canudo, meia dúzia de trocos, e uma cara laroca, pensam que podem simplesmente humilhar os outros.
Pessoas que por terem certas influências sociais e uma certa percentagem de retórica, que podem simplesmente não ouvir os restantes humanos.
Não há paciência, não há coração, não há tempo.
Não há tempo para isso.
A vida é curta demais.
Meus senhores, não tenho paciência.
Gosto de sorrisos abertos.
Sou uma tesa do pior.
A nivel cultural sou uma analfabeta.
Mas, sinceramente?
É que não tenho mesmo paciência nenhuma para determinado tipo de gente.
Puta que os pariu.
...
No meio disto tudo, o que tenho mesmo pena, é de sentir pena desta gente.
E logo eu... que não gosto nada de penas!

sábado, outubro 27, 2007

Classificados: Procura-se peixe, com barbatanas !


Foi antes de almoço.
A Sala estava a meia luz.
O sofá era de napa velho.
Castanho claro.
Era meio dia e picos.
Perguntaram o meu signo.
Respondi: Capricórnio.
Responderam: Como pode ser isso, se tens olhar de Mar?
Ao que respondi: Sai amanhã. Anúncio. Procura-se: Peixe !
Era meio dia.
E agora, já foi um dia inteiro.
Sabes nadar?

segunda-feira, outubro 22, 2007

Não te esqueças de lhe dar o meu recado!


Existem pessoas que passam pela nossa vida que nos dão conta do recado.
Daquele recado que cada um de nós temos como nossos.
Como verdadeiramente Nosso.
Todos temos o nosso recado.
Por vezes sabemos exactamente qual é.
Outras vezes é necessário certas pessoas nos relembrarem.
Não é lembrar.. porque o lembrar está lá.
Aqui.
É mais... relembrar.
Definitivamente existem pessoas que nos dão conta do recado.
Que nos baralham o sistema.
Mas, são essas mesmas pessoas que fazem falta.
Eu gosto quando me baralham o sistema.
Sabem quando nos dizem assim: “ Já estás a entrar no sistema.”
Eu não gosto quando me dizem isso.
Porque quem o diz... é quem não ‘me’ baralha... esse mesmo sistema.

Sim, existem pessoas que nos dão conta do recado.
E outras tantas que são o nosso recado!

sábado, outubro 20, 2007

Ainda não está na hora do meu funeral.


Hoje disseram-me a seguinte frase:
“ Incomodas as pessoas, elas vão por ali, e tu vais em contra-mão, não achas que já é altura de ir de acordo com o trânsito? “
...
Ora, isto dito ás oito e pouco da manhã, e com aquele tom de voz, enervou-me!
Não pelo que foi dito.
Mas, é que gosto de começar o dia de pernas para o AR.
E o que esta pessoa estava a sugerir, é que começasse todos os meus dias,
com os pés no chão.
..
Tudo bem, no trabalho temos que ser racionais, profissionais, coerentes...
minimamente equilibrados com a sociedade vigente.
E tudo isso pode muito bem ser regado com uma boa dose de loucura,
basta saber utilizá-la na medida certa.
Se é que o certo existe.
[partindo do princípio, que a tal sociedade vigente também existe]
Mas, fora disso?
Fora disso é o absurdo. E tudo o que isso implica.
Pufff
De acordo com o trânsito, disse ele.
...
Eu não tenho um automóvel de mudanças automáticas.
A minha caixa de velocidades corre.
Parar é entre quatro madeiras.
E o estacionamento é proibido.
...
Pouco me interessa que pensam que nada valho.
Quero lá saber.
Eu sei que pouco ou nada ganho com este modo estranho de ser.
Mas, também sei que ser de outro modo é ser uma qualquer coisa que não me interessa.
Não me interessa ir na corrente.
Eu gosto de ondas.
Mas, daquelas salteadas.
Únicas.
Daquelas verdadeiramente salgadas.
Absurdas. Loucas. Irreversivelmente sem pé.
Porque ter pé, não tem nem nunca teve muita graça.
Eu sei que não tenho graça.
Mas, ainda me vou rindo comigo... se isso é loucura? Que seja.
Mas, é que eu cá gosto mesmo, é de começar o dia de pernas para o AR.
...
E acabá-lo sem pé.

sexta-feira, outubro 19, 2007

3 horas e 41 minutos da manhã.
Atende o telefone.
Ouve-se do outro lado da linha um gosto de ti.
Ela não disse nada.
Perguntou pelo tempo.
Fazia frio.

Digam o que disserem a meteorologia é fodida!

domingo, outubro 14, 2007

Ide-vos foder


Esta semana várias coisas irritaram o meu único neurónio.
Entre elas, a nova igreja.
Meus amigos, ando irada.
Chateada.
Irritada.
Verdadeiramente encolerizada com todo o circo que se montou em torno dessa dita nova igreja.
E diz o bispo: “A igreja está lá, e não fiquei a dever nada a ninguém! Paguei tudo a pronto.”

Eu dava-te o ‘pronto’, ai dava dava.
Dava-te era uma valente bofetada.
Ai não sei o quê, não fodam com preservativo que vão parar ao Inferno.
Ai não sei o quê, dêem uma esmolinha, senão vão ter com o Berzebu.
Ai não sei o quê, recuso-me a dar a comunhão ao Zé, porque o Zé é homossexual.
Puta que os pariu.
Quer dizer, foder com preservativo, é crime.
Gastar uns trocos a beber uma imperial, é crime.
Não ser heterossexual, é crime.
Mas, fazer o c…… de uma igreja que custou milhares de euros já não é crime!
Não gastar esse dinheiro a fazer orfanatos, já não é crime.
Dar de comer a quem não tem fome, já não é crime.
Administrar a hóstia e estar a pensar nas mamas da vizinha, já não é crime.
É tudo muito bonito. Muito singelo.
Assumo: Sou uma pecadora.
Fodo com preservativo.
Gasto uns trocos a beber uns valentes copos.
Sou heterossexual.
Respeito integramente quem não o é.
Acredito no ser humano. Agora, não me lixem é a cabeça com cinismos. E com atestados de burrice.
Vocês desculpem toda esta linguagem.
Mas, ando mesmo fodida da vida com toda esta hipocrisia.
Montou-se o circo.
E nós que até damos uma esmola ao mendigo, é que somos palhaços.
Puta que os pariu!

sexta-feira, outubro 12, 2007

Bolso Esquerdo


Do outro lado da rua vivia uma personagem.
Tinha um chapéu castanho, com uma fita preta.
Os óculos graduados davam-lhe à face um ar desordenado.
Estupidamente encantado.
De vez enquanto moldava as astes nas orelhas.
Ficavam a modos que eriçadas.
Encrespadas.
Gostava quando ele tirava os óculos e mostrava as pestanas.
Eram negras. Incrivelmente pretas.
E num gesto tirava o lenço.
Daqueles bordados a ressentimentos.
Pareciam cicatrizes.
E tirava o lenço sempre do bolso esquerdo.
No direito estavam os sonhos.
Embrulhados em papel de jornal.
Do outro lado da rua vivia uma personagem.
Tinha um chapéu castanho, com uma fita preta.
E era canhoto !
....

quarta-feira, outubro 10, 2007

segunda-feira, outubro 08, 2007

Núcleos

Com todos os sistemas de crescimento hormonal que existem por aí.
Aquele que me faz maior confusão ao cérebro, é sem dúvida alguma, a hipocrisia.
É que não há cu que aguente tantos ‘umbigos’.
Depois queixam-se que as dietas não dão resultado.
… Inovações que me desgastam as células.

quinta-feira, outubro 04, 2007

Desassossegados Nortenhos: Procuram-se :P

[Fotografia de Miguel Pereira - Capa do dito cujo]

Maltinha, venho por este meio informar o seguinte:

Antes demais, um desabafo: tenho uma dor de dentes que vai lá vai.
Desabafos à parte, vamos então ao que não interessa.
Amanhã, pelas vinte e duas horas e picos, lá para as bandas de Matosinhos, num tal de Blá Blá, aqui a je vai apresentar uma espécie de qualquer coisa que ainda não sei bem o que é.
Indefinições, portanto!
Resumindo, uma editora nortenha irá apresentar meia dúzia de livros.
O que eu pretendo de vocês?
Simples, pretendo que se desloquem até lá para bebermos uns canecos.
Sim, porque aquilo vai estar cheio de malta nortenha. Ainda por cima, os outros livros são todos nortenhos, e aqui a Estranha vai estar na rua da amargura :P
E eu sei, que a maior parte dos desassossegados que sentem os meus rabiscos são nortenhos, por isso escutem bem isto:
Uma estranha pessoa esta do Oeste precisa de companhia em terras nortenhas.
É o mote.

Obrigado

Obrigadinha

Obrigadíssimo
Arigatô
Arigatôdinha
Arigatôdissimo

Atenciosamente,

Estranha pessoa esta do Oeste

terça-feira, outubro 02, 2007

Bochechas


Simpatizo com as pessoas que têm gestos.
Um revirar de olhos. Uma madeixa mal caída.
Um dedo desalinhado na bochecha. Um sobrolho distraído.
Qualquer gesto.
Mas, que tenham gestos.
Não sei o que é. Mas, não simpatizo com mamíferos apáticos.
Que não falem também com os gestos.
Que não se expressam pelo olhar.
Gestos.
Ultimamente tenho encontrado muita gente assim.
Apática.
Que nem sequer reviram os olhos com o vento!
Não sei mas, parece que falo com espantalhos.
Eu dantes tinha um espantalho no quintal.
Tinha uma blusa azul.
E até os botões se cansaram de lá estar.

.......
Dedos.
Dedos desalinhados nas bochechas.
Simpatizo com gente assim!
De bochechas desalinhadas.
É.
Simpatizo!