Um dia gritaram-me isto: Eu para sentir é preciso muito! Eu respondi assim: Eu para sentir, não é necessário nem muito...nem pouco. É só preciso sentir! Ponto final. Sem parágrafos. Estranha Pesssoa Esta
quarta-feira, junho 03, 2009
Raivosa
Nem tão pouco harmonioso.
Melodioso.
Ás vezes consigo transbordar.
Em veemência.
Extrema violência.
Dizem que pensar não dói.
Que o que padece é o agir.
Ah não que não dói.
Dói a valer.
Vai do tornozelo à raiz do cabelo.
É como um bater de porta.
Mas, daquele bater de punho.
Pancadas secas.
Na madeira.
Estremece tudo.
Vibra o organismo.
Os pulmões.
O pescoço.
O maxilar.
Ás vezes o que eu queria mesmo era ser desdentada.
Perder o tal dente do juízo.
E morder todas as emoções.
Com ardência.
Intensidade.
Fogosidade.
Com raiva.
Como os cães cheios de saliva.
Impacientes pela prisão do quintal.
É.
Um dia destes atrevo-me a perder o dente do juízo.
E parto por aí a morder.
A agonia.
sexta-feira, maio 29, 2009
Pedaços de [Entre]Linhas
As sílabas. Os versos. As linhas.
Porque ás vezes é tal a sofreguidão de pensamentos que o teclado não acompanha as veias, os batimentos.. o tic tac tic.
Porque encontrei no 'clicar' um pedaço daquilo que fica por escrever... nas Entrelinhas.
Entrelinhas .....
http://olhares.aeiou.pt/desinquieta
http://paraladomiocardio.blogspot.com/
quarta-feira, maio 27, 2009
Parir
Rebentaram-me as águas da Loucura.
Corto o Cordão Umbilical.
Pela Demência.
Estou grávida.
O preservativo da alienação estava roto.
Esburacado.
Completamente esfarrapado.
Pela intrivialidade.
A palavra. Não existe.
Passa a existir.
Estou grávida.
Apetece-me expelir.
Imprevistos.
Acidentais.
Arrotar nervos.
Ataques de nervos.
Cheios de Sal.
Estou grávida.
Apetece-me parir.
Mas, hoje não.
Estou demasiadamente.
Trivial.
E a maternidade está fechada.
terça-feira, maio 26, 2009
Diagnóstico
Tenho a Alma dorida.
Os ossos do cérebro chiam.
Realidades paralelas que se ligam algures no organismo.
Qualquer diagnóstico que seja feito será fraudulento.
Infiel.
Esta dormência não vem em livros.
Em receitas. Cardápios.
Corredores. Campos.
Os olhos pesam.
Outro cigarro.
E aquelas moléculas entre a aorta e o miocárdio que não param de rodopiar.
Chiam. Chiam.
Estores. Às vezes era só preciso isso, estores.
Estores. Fechados. Abertos. Entreabertos.
De varandas.
Podia até me mentalizar com a janela.
Vento. Preciso de Vento.
De ir à varanda. E sentir.
O cheiro. O vento. A água.
Folhas.
Que caem. Que vêem.
Perdidas. Pelo Norte. Sul. Este. Oeste.
Rodopiam pela bússola toda.
E tem que ser toda.
Por todos os sentidos.
Porque de metades não se faz os dias.
A alma. As ideias.
Ahhhhh as ideias.
Essas são as que chiam mais.
Chiam Chiam Chiam
E tornam a chiar.
Tenho a Alma dorida.
Mais dorida que pé de atleta em caminhos de cascalho.
Doem-me.
Doem-me as moléculas.
Dos joelhos.
Quando cruzo sentimentos, com pensamentos.
Essas moléculas até estalam.
Nos intermitentes.
Os olhos pesam.
Um dia destes adormeço.
O pensamento.
Vento.
Preciso de Vento.
De ir à varanda.
Rodopiar a bússola toda.
segunda-feira, maio 25, 2009
Hoje eu não me recomendo....
Hoje é isto...
... eu não me recomendo.
sexta-feira, maio 22, 2009
#360
O trajecto que se segue
Assina: Os espasmos.
domingo, maio 17, 2009
'Movimentos Perpétuos'
Momentos singulares.
Ela entrou em palco.
Ele timidamente esperava-a, ao canto das escadas.
Pé ante pé.
Cada degrau um tom.
Ora agudo. Ora grave.
E ele sorria com as palmas da mão
E lá vinha ela.
De saia rodada.
Encarnada.
E ele no fundo.
Era o rosto do confronto.
Das emoções.
Dos tons esverdeados daquela incerteza.
E o canto do palco ficou sozinho.
Percorreu cada tábua.
Ouviu-se o ranger da madeira.
E ela nos degraus.
Ora agudo. Ora grave.
O palco só tinha uma parede.
De uma tonalidade meia com tudo.
Não era amarelo, nem laranja.
Era de um certo tom esverdeado.
Sabem aquele verde de início de Verão?
A cor de que falo era assim.
Não sei se chegaram a dançar juntos.
Fecharam a cortina antes do final.
O palco era aberto.
No meio do Largo Camões.
Com Pessoa na Brasileira.
E o Adamastor a cheirar a Paixão.
Não era Tango.
Mas, bem que podia ter sido.
Dançamos?
domingo, maio 10, 2009
Pulmões

Uma imensa falta de AR.
Vastíssima, até.
Não.
Não, é asma.
É mesmo falta de AR.
Não consigo respirar.
Esbracejar.
Gesticular.
Acenar.
É uma coisa que vem cá de dentro.
Intensa.
Que dói.
Mas, dói a valer.
Padece.
Penaliza-me mais que os Pulmões.
Parece que a minha Alma sai pelos Bofes.
Assim, meia endrominada dos sentidos.
Desalenta.
Eu não tenho inteligência para passar para o papel, o quanto isso me aflige.
O quanto isso me condiciona.
Não consigo respirar.
Meto as mãos ali.
Meto o olhar acolá.
Tento encaixar o cérebro em algum lado.
O coração em lado nenhum.
Mas, não.
Não consigo o antídoto.
Falta-me atmosfera.
Falta-me passos. Caminhos. Sentidos. Gestos. Abraços.
Sei lá o que me falta.
Falta-me Sal.
Falta-me Pimenta.
Guisados. Cozidos. E. Fritos.
Falta-me isso tudo, numa folha de Outono, embrulhada em espuma do Mar.
É isso que me falta.
Espuma do Mar.
Com um intenso salgado.
Vento agreste.
Daqueles em que dás um passo para trás de espanto.
Falta-me o imprevisto.
O ficar sem saber o que dizer.
Falta-me o arrepio.
A pele. O olhar. A retina.
A casca da insanidade.
Aquela que nem dá tempo para pensar.
È só sentir tudo.
De todas os feitios.
Não me venham com tretas.
È que nem se atrevam a isso.
Existem coisas que não tem explicação.
E que chegam só por isso.
E que valem só por isso.
Para simplesmente.
Nos faltar o AR.
A voz.
Os fragmentos de tudo o que fica.
O que ficou.
Por dizer.
Acato.
quinta-feira, maio 07, 2009
Mário, 7 anos, 1.ª Classe
- Madrinha, hoje não tenho trabalhos de casa.- Ai não??? Então porquê?
- Fui a um passeio da escola, à Lourinhã. A uma exposição de Legos.
- :) E gostaste?
- Gostei, tinha lá a Torre Eiffel só com peças pequenas e ás cores. De todas as cores. Olha, tu é que podias lá levar a tua turma.
- Mas, tótó os meus meninos já são muito grandes, eles já não iam gostar disso.
- Não faz mal, metes eles bébés só por esse bocadinho.
- Ai é?? E então como é que eu faço isso?
- Sei lá eu, tu é que és a professora...
Encolheu os ombros e saiu.
É por estas e por outras, que eu acho sinceramente que as crianças são do melhor que há :)
terça-feira, maio 05, 2009
sábado, maio 02, 2009
Os Teus Olhos
É um olhar diferente.Não sei muito bem o que é.
Ás vezes, parece triste.
De uma tristeza profunda.
Como que um Universo Sozinho.
Isolado.
Afastado.
Remoto.
Às vezes… parece ‘colo’.
Como que um pedir de Seio.
Um ‘eu estou aqui, chora.’.
É uma retina divergente.
Dilatada.
Afastada do usual.
Não é maré vazia.
Nem é, maré cheia.
Não é pólo Norte.
Nem Sul.
Não se pode fazer uma Tese.
De ciências.
Equações.
Diagramas, tais.
Tem uma consistência tal, que por mais que eu tente, não há palavras que descreva.
Nem sei se é Desassossego.
É mais uma aflição.
Um gritar mudo.
E os gestos assim.
Meio que desalinhados.
Mas, completamente enlaçados.
Naquilo que é.
Que foi.
Que tende a ser, o que deseja.
O que refila.
O que quer gritar.
Gemer.
Deplorar.
Arrulhar.
Se um dia aqueles olhos falassem.
Se uma noite aquela retina tivesse ânimo suficiente.
Ai se um dia ela tomasse forma.
De uma feição tal que até as pestanas saltavam.
Não sobraria nada.
Nem sequer uma bochecha para corar.
Eu importo-me com o que procuras.
Seja lá o que isso for.
Encontras?
domingo, abril 26, 2009
A modos que Analfabeta
Não sei muito bem.
Escrever.
Não sei muito bem contar.
Não sei muito bem.
Pintar.
Não sei muito bem.
Cantar.
Não sei muito bem.
A cor da Selva.
O sabor do Mar.
De como se faz manteiga.
De onde vem a chuva.
E o medo.
Não sei muito bem.
Dançar.
Respirar.
Falar.
É. Não sei mesmo nada bem falar.
Transmitir.
As ideias.
De andar. Por ruas.
Alcatroadas.
Calcetadas.
Emparelhadas.
Não sei muito bem.
As certezas.
Dos toques. Dos ouvidos. Dos sussurros.
Qualitativos e quantitativos.
Discretos e contínuos.
Daquela substância incontrolada do olhar.
Não sei muito bem abdicar.
Da assistência. Do bater. Do não saber. Nada bem. De coisa nenhuma.
De alguma coisa. Ainda por não saber.
Resumindo.
E a modos que baralhando.
Sou meia, a puxar para o inteiro, de algo analfabeta, disto a que chamam de Dias.
sábado, abril 18, 2009
Pele e Osso

Porque não se moveu.
A vida dá muitas voltas.
Dizem alguns.
Se dá voltas. Fica no mesmo sítio. Dizem outros.
Círculos.
Andamos todos em círculos.
Com diâmetros, raios, vizinhanças.
Topologias.
De retinas.
Olhares. Presos.
Hoje houve um que teve esse dom.
Quer dizer.
Não sei se foi dom.
Mas, que foi qualquer coisa. Lá isso foi.
Não medi o diâmetro e muito menos o raio da retina.
Durou cerca de um luz fusco.
Cinco, sete minutos.
Sem arredondamentos.
Nem por excesso, e muito menos por defeito.
Foram cerca de cinco sete minutos.
Minto.
Foram cinco e sete.
Mas, foram segundos.
Vocês sabem aqueles olhares que nos despem por inteiro?
Ficamos assim naqueles cinco sete minutos sem eira nem beira.
Pêlo.
Fica só e apenas o pêlo.
Com toda aquela epiderme arrepiada.
Endrominada. Pela razão.
Sei lá o que aquilo foi.
Não sei.
E é esse não saber que me fascinou.
É.
Foi isso.
E foi bom.
Psst psst
Da próxima vez atreve-te a tocar!
quarta-feira, abril 08, 2009
Palma da mão.
Falemos daquilo que nos faz realmente mover.
Não falo daquela paixão do momento.
Daquela tesão movida por uma qualquer lua cheia.
Falemos de amor.
Que não é, senão um fabuloso guisado de tudo isto.
Paixão. Movimento. Tesão. Sabor. Condimento.
Hoje falemos de amor. Com tudo a que tem direito.
Falemos do amor vinte e um.
Século XXI.
O chamado amor movido pela Web.
Escrevo de um café. Centro da vila. Vinte para as dez da noite.
Moscatel na mesa. Ventil na cadeira.
No balcão várias pessoas.
O tema: O amor.
Conversas paralelas. Algo em comum.
Ambas conheceram a chamada cara-metade pela chamada auto-estrada do novo milénio: A Web.
Uma percorreu cerca de 300 quilómetros. Outra atravessou o Oceano.
Arriscaram tudo por uma pessoa que não conheciam.
Que nunca tinham visto.
Cheirado.
Penetrado.
Arriscaram.
Viram. Penetraram. Em cada entranha. Retina. Célula. Suor.
Existe quem viva uma vida inteira e nunca conheça o seu parceiro.
Que nunca tenham partilhado uma palavra. Uma frase. Uma linha. Uma entrelinha.
Um bocejo que seja por algo que mesmo que não seja comum, é partilhado.
Falemos de amor.
Falemos de estranhas. De caminhos. De ruelas. De orifícios.
Falemos daquilo que nos faz saborear cada átomo como se fosse aquele.
Aquele único, que transporta uma qualquer página em livro.
Falemos de tesão.
Daquele orgasmo que não tem limites.
Com cheiros. Sabores. Tropicais. Rurais. Urbanos.
Que importa que seja pela Web. Pelo café. Pelo bar. Pelo local de trabalho. Pelo telefone. Pela paragem de autocarro.
Importa sim, que não hajam stops.
Nem intermitentes.
Preto no branco. Sem cinzentos.
Chega para lá, e vem cá.
Falemos de vida.
Mas, falemos disso amanhã.
Hoje prefiro mesmo, é saborear esta lua cheia.
No centro da vila. Com uma leve brisa rural com cheiro a marfim.
Daquele que é esculpido a paixão.
É uma espécie de palma da mão.
As linhas estão lá.
Cabe a nós as percorrer da melhor maneira possível.
E que essa maneira, seja aquilo que nós quisermos.
terça-feira, março 24, 2009
Bugio
Fotografia by Berta SimõesSexta. 20 de Março de 2009.
Prova de avaliação escrita - Problemas de contexto real, envolvendo a função cúbica e a função quadrática.
Uma gaivota paira.
Os primeiros carros começam a preencher a marginal.
Está abafado. Um calor esquisito para a época.
Hoje começou a Primavera.
O Mar começa aqui mesmo.
Ou será que é o Tejo?
Gosto de pensar que é aqui que o Mar começa.
Ali mesmo onde é o Farol do Bugio - Parece um umbigo.
Tal cordão umbilical com cheiro de nascimento.
Silêncio.
Não se ouve chorar.
Mas escutasse as lágrimas.
Sentidas. Endurecidas. Pelo Tempo.
No tempo.
Cheira a Oceano. Comedido.
Indirecto.
Movimentos re[c]tilineos.
Pensados.
Falta o feitiço daquilo que não é pensado.
Daquelas ondas com fundos de verdade.
Com aquele cheiro a paixões cruas.
Descobertas por um simples 'agora'.
Tocou.
E eles sairam.
sexta-feira, março 06, 2009
Nortadas de estupidez --- Activo (desta é mesmo): paraladomiocardio.blogspot.com
O autor descreve de uma forma sublime o prazer que há na leitura «o protagonista é o leitor, que dez vezes começa a ler um livro que, dez vezes começa a ler um livro que, devido a vicissitudes estranhas à sua vontade, não consegue acabar.» - conferência proferida por Calcino em Buenos Aires (1984).
Se numa vida inteira uma estranha pessoa esta, é o titulo de um estado de espírito, cujo autor desgasta todas as suas emoções em torno de uma vontade insana de continuar assim mesmo - insana.
De uma insanidade estonteante.
E invalida.
De uma invalidez sem produção.
Com semânticas.
Assobios. Iras. Precocidades.
Nortadas de estupidez.
Podia ter sido.
Mas, não foi.
Fiquemos assim.
Então.
Até logo.
sexta-feira, janeiro 23, 2009
Forasteiro

E esquecemo-nos que fomos nós a construir esse mesmo conteúdo.
Que fomos nós e edificar cada tábua,
cada prego,
cada ruga.
Por vezes é preciso distanciarmo-nos,
para percebermos realmente o que Queremos.
O que Somos.
O que Merecemos.
E tu, meu querido.
Não me mereces.
A chave?
Dei-a, a um forasteiro.
Com o nome de Tempo. Da cor do Vento.
sexta-feira, janeiro 09, 2009
Falemos de sexo [Parte 3]
99% dos homens numa ou noutra ocasião já proferiram a seguinte frase:“ Se eu fosse mulher, seria a maior puta de Portugal.”
Caros amigos, pois que sejam putas!
Mas, que o sejam no sentido amplo da palavra.
Que sejam ambição, sofreguidão (mas daquela verdadeiramente orgástica), desejo, paixão.
Mas, sejam!
A maior parte dos homens que dizem esta frase (e corrigem-me se eu estiver errada) têm um qualquer trauma ‘cultural’.
É ridícula a forma como o dizem, e ainda mais ridícula é, a expressão com que o dizem.
Deixemo-nos de merdas, no campo dos desejos, somos todos, mas completamente todos, aniquilados.
Não há nada mais saboroso na vida, do que o desejo.
E não digam que os homens têm mais desejo que as mulheres, pois isso é burlesco.
Todos temos desejos.
Todos queremos domar, e ser domados.
Todos temos vontade de trincar o lábio até à medula.
Todos apreciamos o apetitoso dançar dos preliminares.
Todos sentimos o denso suco a circular nas veias.
Todos sabemos o quão único é, o ínfimo cruzamento do arrepiar com o clímax.
E todos, mas todos, quando vemos determinada pessoa sentimos o tal desejo avassalador de ‘lhe saltar para cima’, seja onde for, e em que circunstância for.
Existem é certas pessoas que têm pudor de assumir que tal como todas as outras, sentem desejo.
E depois também existem outras tantas pessoas, que só sabem aquilo que lhes foi ensinado, ou seja, só sabem o que lhes dizem, e não sentem que o que fica por dizer, pode ser sentido das mais variadas maneias, entre elas, pela sedução.
Sobra o altruísmo, e frases como: “ Se eu fosse mulher, seria a maior puta de Portugal.”
E dizem que as mulheres são complicadas, cheias de metáforas, e retóricas enfadonhas.
E caem no erro, de confundir determinação com falta de respeito pelo próprio corpo.
Barrelas.
Caros amigos, nós mulheres não somos complicadas, somos sim determinadas.
Nós mulheres não somos metáforas, o nosso sangue também é vermelho e salta a cada encaixe.
Nós mulheres não somos retóricas enfadonhas, vocês é que são parvos o suficiente, para confundirem a determinação do desejo, como desrespeito por nós mesmas.
É que se nós quisermos, por uma noite, saltar-vos para cima, somos putas.
E vocês, se nos quiserem, por uma noite, saltar para cima, já são uns grandes garanhões.
Ganhem juízo.
E estabeleçam prioridades.
È que aqui só para nós, vocês homens, falam muito, ouvem pouco e agem ainda menos.
Façam um favor a vós mesmos, e façam como Adão.
Saboreiem cada maça como sendo a única, é que ás vezes é no caroço, que está o mais saboroso.
Chupem a fruta até ao fim, e sintam que mesmo assim, ali ainda não é bem o fim.
… Há sempre vida para lá do caroço ;)
sábado, janeiro 03, 2009
Humida[de]

Outras o silêncio.
Aquele absoluto silêncio em que ouvimos tudo.
As batidas do coração, o fungar do nariz, o fio de cabelo no rosto, os glóbulos a perfurarem cada veia do organismo.
O ferver da pele. O borbulhar da seiva.
Não é solidão, mas também não é acompanhamento.
É um qualquer cinzento ali no meio.
Como que um silêncio acompanhado.
Ou por outra, um acompanhamento silencioso.
É como o vento.
Não se vê, precisa do bater dos ramos, dos pingos na janela, do ranger da terra.
Não é uma coisa morna.
É fria e quente. Sem progressões.
Tudo ao mesmo tempo.
Como um corpo nu em dia de tempestade.
Em que sentimos a terra molhada por entre os dedos.
Fechamos os olhos, e absorvemos cada pingo de chuva na face.
Parecem lâminas nas bochechas.
E as palmas das mãos viradas para o céu.
Ombros descontraídos.
Abrimos os olhos, e toda aquela chuva concentra-se no peito.
E as batidas que eram alvoroçadas, tomam agora outro condimento.
Serenidade.
Aquela que procuramos quando viramos as tais palmas da mão para o céu.
E os pés cheio de terra. E os cabelos molhados pela vida.
Pela tempestade.
Por todo aquele ‘frio-quente’ verdadeiramente saboroso.
E não há mais nada.
Só nós. A terra e o céu.
Sem artificialismos.
Sem exageros. Nem especulações.
Não falo de procuras.
Falo antes, de encontros.
Daqueles em que ouvimos as batidas do coração, o fungar do nariz, o fio de cabelo no rosto.
E os glóbulos a perfurarem cada veia do nosso organismo.
….
E a Terra continua molhada.
Húmida.
Ensopada.
Ouviram?
Foi o sangue a ranger.
É silêncio.
quinta-feira, dezembro 11, 2008
Tarteletes

Tarteletes são umas bolachas de manteiga cobertas com um suave doce de morango.
É marca branca. Do Continente.
Gosto de marcas brancas, mas só nas bolachas.
Nas conversas, nos diálogos, nos afectos, dispenso.
Seja branca, seja outra marca qualquer.
Prefiro aquele doce sabor do…. Genuíno.
Em que podemos dar mil e uma trincadelas, mas sabe sempre a qualquer coisa de novo.
De particular.
Um ‘quê’ qualquer sem características previamente concebidas.
O pensar, assim como o sentir, não são de marca branca.
O sentir verdadeiramente não é indelicadeza.
Não é indelicadeza falar de nós próprios, expor o que sentimentos, o que pensamentos, o que tacteamos, o que cheiramos.
Indelicadeza sim, é falar negativamente, do que os outros pensam, sentem e fazem.
Contemporaneamente é difícil encontrar algum ‘espécie humano’ que saiba falar de si próprio, sem medos.
Sem complexos, sem reticências, sem emaranhados fúteis e completamente ‘desconexados’.
As pessoas encontram-se, falam-se… mas, pouco ou nada se exprimem.
São horas e horas de diálogos que pouco ou nada alimentam a nossa alma, o nosso coração.
É difícil conversar do íntimo, das tentações, das vontades, dos possíveis, dos impossíveis…
Falasse muito, mas dialoga-se muito pouco.
À medida que o tempo passa, o nosso corpo e cérebro, desenvolvem capacidades únicas de absorver o que realmente importa, e de reciclar o que faz mal, o que incomoda, o que fatiga o miocárdio.
Ás vezes vem aquela sensação de cansaço, de fatiga, e também de vazio.
Mas, outras tantas vem a sensação de paixão, de fogo, de agarrar o que nos faz sentir verdadeiramente bem.
Não é indelicadeza este tipo de reciclagem, indelicadeza é, não ter o conhecimento de nós mesmos para sequer saber, que existe este tipo de reciclagem.
Tarteletes são umas bolachas de manteiga cobertas com um suave doce de morango.
É marca branca. Do Continente.
Pessoas são seres humanos cobertos de pele com um suave doce de vontades.
É marca genuína. Da paixão.
Porque todos somos feitos de paixões.
Com um suave doce de desejos.
terça-feira, novembro 18, 2008
Talentos

Pessoas magras, gordas, cegas, carecas, com tiques, sem tiques, analfabetas, doutoradas, ricas, pobres, mendigas, com tecto, sem tecto.
Pessoas que sabem ouvir, outras que sabem falar.
Pessoas que sabem estar, outras que nunca estavam.
Pessoas simpáticas, quentes, frias, ásperas.
Pessoas que deixaram marcas, e outras que ficaram por deixar.
Pessoas com olhar castanho, azul, negro, forte, fraco, intenso.
Pessoas com andar cabisbaixo, decisivo, categórico.
Pessoas tímidas, introvertidas, concentradas, exuberantes.
Pessoas.
Simplesmente, pessoas.
Não me interessa o pai, a mãe, a irmã, o tio, o primo.
São pessoas.
Não me interessa durante quanto tempo privaram comigo, se foi muito, se foi pouco.
Interessa-me sim, que foi o tempo suficiente para ficar um bocadinho delas dentro de mim.
Porque nós somos isso mesmo.
O que vivemos, aprendemos, sentimos, pensamos, cheiramos, vemos, andamos.
E fazemos tudo isso com partilhas.
Com pessoas.
Mas, pessoas Pessoas.
Pessoas com letra grande.
Pessoas que sabem que o corpo é uma mera carcaça, pessoas que sabem o quão é importante o invisível.
Pessoas que sentem, que ninguém escolhe esta ou a outra família, este ou o outro esqueleto, pessoas que definem em si a prioridade da amizade, da veracidade.
Pessoas que olham directamente nos olhos, que não estão para ironias, expectativas, hipocrisias.
Pessoas.
Ás vezes coabitamos com determinadas pessoas, que nunca chegamos verdadeiramente a conhecer.
E nós, que também somos a modos que totós, também nunca nos damos muito a conhecer.
Eu tenho para mim que existem por aí pessoas verdadeiramente fascinantes, capazes de ferver em nós o que de melhor temos.
Capazes de renascer em nós,
…os nossos melhores talentos.
Pessoas artistas, portanto!
Já passaram várias pessoas pela minha vida.
Muitas, até.
E guardo saudades de cada uma delas, com um enorme sorriso.
Um destes dia, tocaram-me nas costas e perguntaram:
- Quando é que sabemos que gostamos de uma pessoa?
Ao que eu respondi:
- Quando sentimos saudades.
É.
Às vezes é bom sentir saudades.
Porque é aí,
exactamente aí,
Que sabemos, quando gostamos realmente de certas pessoas.
Mas, pessoas Pessoas.
Daquelas verdadeiramente… Artistas!
Capazes de renascer em nós,
…os nossos melhores talentos.
quarta-feira, novembro 12, 2008
Iogurte[s]

Sabem aquelas conversas de adolescentes, quando diziam umas ás outras, o meu vestido de noite vai ser de tal cor, eu quero ser médica, ter três filhos, o do meio vai chamar-se Felizberto.
Mas, já nessa altura não era hábito pensar a longo prazo.
Não sei, os planos sempre me fizeram confusão.
Não por serem planos, mas antes por serem plural.
Não que o singular seja melhor.
Não, não é nada disso.
A questão é que sempre achei que não ia chegar a determinada idade.
Aquela idade em que basicamente os planos começam a ter uma qualquer materialização.
Hoje quando olho para esses tempos.
E para os planos que nunca cheguei a linear.
Penso um sentir estranho.
Aquele sentir de quando percorremos uma estrada sem mapas.
GPS’s.
Sinais.
Quando pegamos no carro sem destino.
Quando telefonamos para alguém, e vai parar à caixa de voice mail.
É um sentir esquisito.
De emissor sem receptor.
Hoje quando penso nesse sentir.
Pego naquele cordel que um dia fiz no recreio da terceira classe.
Em que atei numa ponta da guita, um iogurte.
E a outra ponta ficou por atar.
É.
Não costumo pensar a longo prazo.
Mas, hoje quando me sinto longe de mim.
Penso em certos nós que ficaram por atar, por ter medo de pensar, não a longo prazo.
Mas, por contextualizar uma verdade.
Que afinal, era só minha.
É.
Há sentires lixados. Isto para não dizer, fodidos!
segunda-feira, novembro 10, 2008
segunda-feira, novembro 03, 2008
Qual dos panoramas preferem?
Mas, imaginem com força, com convicção.
Não fiquem presos ás minhas palavras.
Pois, são apenas isso.
Palavras.
….
Imaginem com voz.
Mas, sem som.
Ou então, não!
Esperem.
E S P E R E M.
[Detesto este tom]
….
Sim. È isso.
Imaginem ao contrário.
Em vez de uma voz, sem som.
Imaginem antes, um som, mas sem voz.
…
Ainda não conseguiram?
Ok.
Eu espero.
..
Sim. Isso.
Isso mesmo.
Aí.
Entre o Am e o Fm.
Não mexam mais.
Ok.
Agora, que têm esse som, sem voz.
Imaginem o ruído.
Esperem.
Não é esse!
Engendrem uma maneira qualquer mas, imaginem o ruído que vos faz sorrir.
…
Já está?
Agora imaginem, o outro.
O que voz faz chorar.
..
E isso tudo com som.
Muito som.
Mas, não se esqueçam: sem voz.
Não imita nenhuma voz.
Nenhum sopro. Suspiro. Gemido.
Nada.
Como aqueles sonhos em que a almofada anda ás voltas.
De um lado para o outro, e ouve-se o nosso corpo a remoer entre o cá o lá.
E o som que faz sorrir, já nos fez chorar.
E o chorar, rir.
E toma forma.
Feição.
Leve feitio.
E tudo sem voz.
Alguém um dia bateu à porta.
E o som era tanto, que não tínhamos voz para responder.
E o toque foi abrandando.
Fugindo.
Ausentando-se.
Xiu.
..
E calaram-se.
..
…
Agora. Leiam de trás para a frente.
..
segunda-feira, outubro 27, 2008
A tua mãe que te ature

Cala-te.
Não repitas inatamente o que não queres.
Não digas.
Cala. Cala-te de uma vez.
Cala essas raízes que insistes em regar.
Em escravizar a uma terra, que não é a tua.
A minha. A nossa.
Cala-te. Mas, cala-te bem.
Não te cales só por calar. Só porque digo. Só porque exijo.
Impuseste leis, decretos leis, legislações, obrigações tais.
Cala-te. Adormeceste o que demais teu tinhas, o teu sorriso, a tua vida, o teu brilho.
Cala-te e não me imponhas, coisas, gestos, endrominarias que nem tu mesmo sentes.
Cala-te.
Mas, cala-te de uma vez.
Que sejas noite, dia, madrugada. Que sejas nada nesse tudo que agora construíste.
Mas, cala-te.
É que os meus ouvidos já não reconhecem a tua voz.
E os meus sentidos não se regem por aparências.
Cala-te.
terça-feira, outubro 21, 2008
Quero que o parecer mal se foda!

As pessoas são formidáveis.
E são-o tanto para o bem, como para o mal.
Já são poucas as pessoas que conseguem viver de acordo com a sua consciência.
E não falo daquela consciência simbólica.
Falo mesmo de percepção intuitiva.
Do agir com desprendimento total, sem aquele sentimento do parecer mal.
Aparências. No fundo tudo se resume a isso.
Ás aparências.
Não sentem determinada afecção, porque parece mal.
Não pensam determinado assunto, porque parece mal.
Não são directas com determinada pessoa, porque parece mal.
Não olham para determinada retina, porque parece mal.
Tudo parece mal.
Mas, afinal de contas parece mal o quê?
A quem?
Parece mal uma pessoa ter ideias próprias?
Parece mal uma pessoa falar sobre sentimentos?
Parece mal uma pessoa seguir pela nacional, quanto podia ir pela auto-estrada?
Parece mal uma pessoa ser fiel ao que acredita enquanto ser humano que é?
Parece mal uma pessoa ser pessoa?
Ahhh pois parece, mas cheira-me que parece apenas, aquelas pessoas que apenas se limitam a ser gente.
Parece mal eu escrever sobre certos e determinados assuntos no De pernas para o AR?
Ahhh pois parece, mas cheira-me que parece apenas, aquelas pessoas simplesmente tótós, que não sabem distinguir a estranha pessoa esta apenas, estranha pessoa esta, da estranha pessoa esta ´stora.
Para o grupo de pessoas que encheu a minha caixa de e-mail com mensagem do arco da velha sobre o quanto é prejudicial para a minha pessoa escrever sobre certos e determinados assuntos, para essas pessoas, só tenho uma coisa a dizer:
Ide para a puta que vos pariu.
Quero que esse parecer mal se foda.
A mim o que me parece realmente mal, é que com menos de 1% do capital que os Estados Unidos e Europa disponibilizaram para salvar a crise financeira mundial, chegasse para acabar com a fome em Àfrica.
A mim o que me parece realmente mal, é existirem pessoas licenciadas que nunca leram um livro na puta da vida, e depois exigem que as tratemos por senhores doutores.
A mim o que me parece realmente mal, é Portugal ter dinheiro para não sei quantos estádios de futebol, mas para hospitais, escolas, lares… ‘tá quieto.
A mim o que me parece realmente mal, é o meu Concelho ter uma biblioteca que custou não sei quantos milhares de euros, e agora não ter dinheiro para 'a abrir'.
A mim não me parece nada mal as pessoas viverem na hipocrisia uma vida inteira.
Quero lá saber disso, a vida é delas.
Agora não me impinjam é a hipocrisia delas na minha vida.
Não é por nada, mas é que não tenho, nem idade, nem paciência, nem temperamento para aturar certas merdas.
P.S.: A revolução de 1974 teve alguns objectivos, um deles, esse mesmo: a liberdade de expressão.
P.S.2: O De pernas para o AR, não é um blog pedagógico e muito menos matemático.
O De pernas para o AR, é simplesmente a estranha pessoa esta, nua e crua, sem qualquer tipo de preconceitos…
E sobre este assunto, é o que eu tenho a dizer.
Obrigado. Voltem sempre. E tragam um sorriso.
sábado, outubro 04, 2008
Toma lá que cá vai disto. Encosta para o lado e ressona.
Hoje em dia, é mais comum acabar uma relação, do que começar uma.
Atenda-se que falo de relações com cabeça, tronco e membros (e não necessariamente por esta ordem).
As pessoas cansam-se.
E cansam-se com força.
Dos gestos, das palavras… até se cansam dos orgasmos.
É mais usual um amigo nosso chegar junto de nós e dizer: “Acabei uma relação de há 5 anos” do que dizer: “Comecei uma relação com a qual me sinto bem”.
E pergunto eu, porque raio as pessoas quantificam as relações?
Porque raio ninguém diz “Mantinha uma relação com uma pessoa que me fez sentir verdadeiramente bem, e hoje acabou.” ?
A relação até pode só ter durado meia dúzia de meses. E depois?
É menos relação do que uma que durou 5 anos?
Definitivamente, não me parece.
Espremendo certas relações, o sumo que sai, é incolor.
As pessoas não estão para se chatear.
Hoje em dia querem namorar para manter relações sexuais com uma certa regularidade.
E nisto, vem a história de há pouco, preferem a quantidade à qualidade.
E mesmo essas ditas relações sexuais com uma certa regularidade, são efémeras, é como se costuma dizer: toma lá que cá vai disto, encosta para o lado e ressona.
E depois queixam-se com um ah e tal tantos anos e agora?
Inovação. Mudança. Metamorfose.
Esquecem a borboleta, e só pensam na lagarta.
É como ir a um arranha-céus.
O elevador nunca vai até ao último andar, é sempre preciso subir uns quantos degraus para atingir o auge, o pico, a altura máxima.
Hoje em dia as pessoas não estão, é para isso…. Para subir certos degraus.
E ficam-se pelo elevador.
Ficam-se pelo quase orgasmo.
Como se isso bastasse.
Como fosse preciso relações de uma década.
Como se um orgasmo não durasse um simples tic tac.
Como se um tocar de pele no minuto certo não fosse o necessário.
E ás vezes nem é preciso ser no sítio certo, porque o simples tocar, já é certo.
Como se um enlaçar de dedos não arrepiasse.
Cumplicidade de um silêncio invernoso.
Ventania de olhares.
É.
Hoje em dia as pessoas não estão para se chatear.
Preferem um toma lá que cá vai disto, encosta para o lado e ressona, a um… arreliar de entranhas.
Nervos.
Eu cá gosto é de nervos.
Daqueles que latejam.
Toma lá que cá vai disto, encosta para o lado e ressona?
Muitas gracias. Mas, dispenso.
As minhas entranhas merecem mais que isso.
Já ouvi mais que um amo-te.
Mas, nunca me arrepiei o suficiente para o dizer.
É.
Ás vezes o coração pode ser fodido.
E não necessariamente pela ordem habitual.
domingo, setembro 21, 2008
Amanhã lavo isto

Nem três. Nem quatro. E muito menos, cinco dias e meio.
Há ‘coisas’ que pura e simplesmente não podem ser contabilizadas.
A existência sim. Pode ser a modos que contabilizada.
Agora a vida… a vida não!
A vida pode ser sentida num segundo, num aroma, num gesto, num silêncio, num olhar, e essas ‘coisas’ não se contabilizam.
É como aquela mania do “Amanhã lavo isto.”
Mas, qual amanhã?
Alguém tem a certeza que vive amanhã?
Nem tem a certeza que existe amanhã, quanto mais que vive.
“Amanhã lavo isto.”
Ahhh pois lavas, lavas... lavas!
Como se o ser humano tivesse a capacidade de reunir todas as condições necessárias para que no tal amanhã, se consiga sentir as coisas da mesma maneira.
Ora, se pode ser hoje… porque raio é amanhã ??
A vida não são dois dias.
Nem três. Nem quatro. E muito menos, cinco dias e meio.
É por estas e por outras que eu me recuso a agendas.
E muito menos a lavagens adiadas.
quinta-feira, setembro 18, 2008
Miopias
Sempre tomavas o meu suor
domingo, setembro 14, 2008
Pausa. No. Meu. Silêncio.
Todo o ser humano procura a magnânima das sensações.Aquela única.
Que se define com asma.
Com uma leve sensação de falta de ar.
Com aquele entendimento absoluto.
Máximo.
Enriquecedor.
Verdadeiramente amarfanhado.
Como se de Inverno se tratasse.
Em que estamos pura e simplesmente entre lençóis de joelhos na barriga.
E a chuva no vidro.
E o vento no tapete.
Puxa a uma certa concentração prolongada.
A um deixa ficar que não consigo respirar.
É abandono.
Com uma certa gentileza.
Manobra os sentidos, sem discursos.
Explora o que demais nós temos.
Estabelece uma conexão quase que absoluta entre o que queremos, e o que temos.
Identifica-nos.
Estabelece-nos.
Movimenta-nos.
Acumula a actividade.
A tensão.
A manobra quase exaustiva dos pulmões.
Separa o verdadeiro da ilusão.
Transporta uma espécie de qualquer coisa olfactiva.
Cheira a quente, a frio.
Nunca a morno.
Porque isto do que falo é definido.
È quente ou frio.
Ocupa em mim códigos.
Que nunca foram desvendados.
Alfabetos com letras indefinidas.
Vibrações sem fórmulas correntes.
Isto não são ‘entretantos’.
Coisas parciais.
É muito para além disso, que nem sequer passou por isso.
Nem sequer falo de citações preconcebidas.
De coisas sentidas por outrem.
Sei que não me faço entender.
Bastava-me um: Sei que me faço sentir.
segunda-feira, agosto 04, 2008
#331

A escrita envolve-nos, partilhamos aqui 'sentires', que de um modo falado a coisa saía diferente… diferente talvez não seja a palavra correcta.
O que se passa é que ando farta.
Não da escrita.
Não das letras, palavras, emoções…
Mas, ando farta.
Farta dos meus pensamentos.
Farta dos meus actos.
Farta dos meus sentimentos.
Ando cansada.
Consumida, verdadeiramente consumida.
As pessoas levam-me tudo.
Levam-me o coração, levam-me os pensamentos, levam-me os gestos.
Levam-me tudo.
E no fim.
No fim, não fica cá nada.
O mal não é das pessoas. O mal é meu, que com a idade que tenho já devia saber que não devemos esperar grande coisa… mas, eu esperei.. esperei.. e cansei-me.
Cansei-me de viver para os outros.
Cansei-me de achar que é normal não recordar a última vez em que os meus progenitores perguntaram se preciso de alguma coisa.
Cansei-me de achar que é normal não recordar quando levei um abraço paternal e maternal.
Casei-me da não aceitação.
Cansei-me de me esquecer de mim.
Cansei-me de achar que é normal a vergonha que algumas pessoas sentem por privarem comigo.
Ando cansada. Ando tão cansada.
Cansei-me de não me verem como sou.
Cansei-me de pedir ajuda a pessoas que dei tudo o que tinha, e simplesmente não terem tempo para ouvirem um simples desabafo.
Até ando cansada de confundirem o meu lado Pernas Para o AR , com o meu lado profissional.
Cansei-me das pessoas serem opacas, cansei-me de pessoas que têm trinta anos e não vêm um palmo à frente da vista, que só vêm o que lhes mostram.
As pessoas têm que ver muito além disso.
Ando desgastada.
Fatigada. Verdadeiramente consumida pela minha tristeza.
Ás vezes traçamos um caminho para determinada meta, quando finalmente conseguimos quase quase chegar a essa meta, vêm uma qualquer coisa, e tau muda isto tudo.
Mas, eu não reclamo, nem nunca perguntei porquê que tinha que ser a ela, e não a outra pessoa qualquer. As doenças surgem sem hora marcada, temos que as aceitar e lutar com optimismo. Aceitei e faço o que eu posso. Mas, ando cansada, muito cansada do meu tudo, ser sempre nada.
Ando esgotada de não conseguir respirar, preciso de um quadro e de um giz.
Ando cansada de me refugiar em álcool e cigarros.
Já nem as ondas me enchem a alma.
Nem os 666 metros da serra me alimentam.
Tenho saudades de ir para Santa Apolónia e pegar o primeiro comboio que aparecesse, só pelo simples prazer do desconhecido.
Tenho saudades daquela aceitação genuína. Verdadeiramente genuína.
O que sinto não é nostalgia, o que eu sinto é uma tristeza profunda.
Daquelas que agitam o corpo todo.
Daquelas em que vamos no carro e só apetece acelerar acelerar e sentir em todos os poros aquele “quero que se foda”.
Sinto aquela tristeza de agarrar no peito.
Sinto verdadeiramente hoje, que pouco ou nada ando a contribuir para a porra da sociedade.
Já senti muitas tristezas na puta da vida, mas como esta que ando a sentir……
Cansei-me de enterrar amigos, só este ano foram cinco e ainda só estamos em Agosto.
Ando cansada de tentar preencher o cérebro com demonstrações de Teoremas, com filosofias do século XVIII, literaturas contemporâneas.
Ando cansada de sentir que nada me enche.
Ando cansada de ouvir que sou uma vergonha.
Ando literalmente cansada de ser uma estranha pessoa.
....
Mas, já não me sinto capaz de despir.
Já não me sinto capaz de ser eu.
....
Um grande abraço para todos aqueles que sentiram nas entranhas as minhas linhas.
Foi de um enorme prazer privar convosco as minhas veias.
As minhas pulsações.
Para vocês o meu muito obrigado.
sábado, agosto 02, 2008
sexta-feira, agosto 01, 2008
Sim, eu sou estranha. E depois?

- A Filipa hoje não está muito normal.
- E quando é que ela está normal?
- Quando é Vanda.
Foi nas tascas, na mesa do lado.
Se eu tivesse respondido… responderia qualquer coisa da medula.
Mas, estou sem espinhas.
…
Boa noite.
Chamo-me Vanda Filipa.
Sou docente.
E nas horas vagas, procuro a indecência dos pensamentos, actos e omissões.
.
.
.
Estranha pessoa esta.
quinta-feira, julho 31, 2008
Calma??? Mas, quais calmas???
“Tem calma!”Se há frases que me incomodam, esta é definidamente uma delas.
“Tem calma !”
Se soubessem o que esta merda de frase me irrita.
Uma frase com duas palavras.
Mas, essas duas palavras juntas… valho-nos Deus.
Então quando a bela da frase, vem acompanhada com aquele olhar.
Vocês sabem,
Mas, eles sabem lá qual é o meu pouco.
Nem pouco, nem muito.
É nada.
Não sabem nada.
E falam como se soubessem.
Como se soubessem o meu respirar.
Como se soubessem os átomos que me movem.
As células que me constituem.
Os parâmetros que me relincham.
Como se soubessem o que a palavra saudade tem para mim.
Como o amor, a amizade, o mar, a matemática, as letras, a pintura.
Como se soubessem a minha memória.
Como se soubessem o que me faz suar. Chorar. Gargalhar.
Como se soubessem alguma coisa.
Conhecem o que eu quero!
E o que eu quero para eles, é qualquer coisa como um simples moscatel acompanhado de um ventil.
Simplesmente. Nada.
Nada.
..
No máximo com duas pedras de gelo, s.f.f. .
É que ando cá com uma azia a tábuas rasas.
quarta-feira, julho 30, 2008
Take 2: Falemos de Sexo

Mesmo aquelas que nem sequer existiam, tomam agora existência.
O sangue fica mais grosso, e passa a uma velocidade atroz por todos os membros.
As mãos acompanham o arrepio.
Um abalançar.
Ancas.
Sobe pelas ancas acima.
E balançam. Balançam.
Samba. Parece um samba.
Suor.
E as ancas continuam.
O pulso com todo o latejo.
E mais algum.
Os joelhos pedem mais.
Já vai na espinha.
E passa por cada amásio, cada membrana, cada beco do organismo.
As veias da orelha dão o ar da sua graça.
Pescoço.
Ombros. Novamente o pescoço.
Não vai ao cérebro.
Isto não passa pelo cérebro.
Tem via verde em cada ruela, travessa, ladeira do organismo.
Mas, no cérebro… no cérebro é que não!
Dá meia volta.
E vai para o umbigo.
Os pés dão aquele toque.
Os ouvidos dão aquele estalinho.
O sangue pára por um segundo.
E as ancas continuam o samba.
…
Isto é realmente uma coisa muito importante na vida dum ser humano.
Qualquer coisa mais que a espinha.
A puxar para o desmesurado.
terça-feira, julho 29, 2008
Falemos de Sexo.

Falemos de sexo.
Mas, sem metáforas.
Falemos então de sexo.
Mas, daquele duro.
Puro e duro.
Falemos então de encontros e desencontros.
Sem qualquer tipo de timidez.
Falemos de opiniões.
E a minha em relação ao sexo vai de encontro à opinião de 95% da população portuguesa: Sexo é bom e recomenda-se!
Segundo os especialistas faz bem à pele, ao humor e em casos menos pontuais, à cárie dentária.
Pele. Humor. Dentes.
Por esta ordem.
Para haver sexo do bom, tem que existir aquele estremecer.
Não estou a falar do ‘durante’. Estou a falar daquele estremecer que antecede a tudo isso. Estou a referir-me aquele simples toque casual, aquele arrepiar de pêlo.
Daqueles quando encolhemos os dedos dos pés, é desses arrepios que falo.
E esses arrepios são daqueles que não se explicam. Arrepiamo-nos com aquela pessoa, e ponto final. Não tem que haver cá justificações e merdas.
Na vida as coisas que nos marcam, são aquelas que nos arrepiam.
E o que nos arrepia nem sempre tem grande lógica, ou pelo menos, nem sempre tem a nossa lógica.
Mas, nessa coisa dos arrepios, lógica é coisa que nunca fez muita falta.
Seguindo a ordem, segue-se o humor.
Humor é sinal de inteligência, e inteligência é sinal de sedução.
Não me venham cá com tretas.
Um bom sexo tem que suceder a uma boa sedução.
O chega cá, e vai para lá.
O anda lá, e chegou para lá.
O olhar. Os movimentos. E claro está o arrepiar.
E no meio disto tudo o humor.
As pessoas tendem a esquecer do humor, é normal… hoje em dia pouco tempo há para humores… Mas, tenho para mim que o humor é verdadeiramente importante.
Dentes.
Seguem-se os dentes.
Gana. Tem que haver muita gana. Muito ranger de veias, de ossos, de todos os ossinhos do esqueleto.
Todos os ossos têm que estalar.
Caso falte sequer um por estalar, é porque não foi bom.
Têm que estalar todos até à última gota de suor.
Mas, quando sentimos que nunca estalamos os ossos todos, então é porque nunca tivemos o real sexo.
O genuíno.
Aquele verdadeiramente ‘viciante’.
De sugar todos os sentidos.
Daquele que apetece puxar o lábio até ao tutano.
Daquele que antes de o ser, já apetece puxar tudo e mais alguma coisa.
O problema não é os homens. O problema não é as mulheres.
O problema é esse mesmo.
Colocarem problemas onde eles não existem.
Os homens gostam de sexo.
As mulheres gostam de sexo.
O que a malta esquece é da pele, do humor e dos dentes.
O problema é a veracidade. Ou a falta desta!
Ainda há aquele preconceito de admitirem que gostam que lhes abusem dos sentidos.
Sem qualquer tipo de justificações.
sábado, julho 26, 2008
Invisual

Estavam quarenta graus à sombra.
Mas, fria.
Princípios do século vinte, México.
Pó. Muito pó. As casas de latão.
No fim da rua uma bicicleta. Daquelas pasteleiras… de cesto.
Duas crianças.
Uma dos seus oito anos, a outra não tinha mais que três.
Dois e meio, três anos.
Brincavam com seixos.
Amarelos.
Sim, agora que puxo pela memória.
Eram seixos. E eram amarelos.
Apontavam para o cesto.
Sem cor.
Como o céu.
Não era cinzento. Não era azul.
Era sem cor.
Como o cesto.
A de três anos ria.
De uma gargalhada contagiante.
A de oito apontava, fazia medições e mais medições, falava do vento e como este influenciava a trajectória do seixo, justificava-se.
E não acertava.
A de três, gargalhava. Fechava os olhos, sorria e pimbas… no cesto.
E a outra continuava com medições.
Cara amuada, dentes serrados.
Estavam quarenta graus.
A de oito, na sombra.
A de três, no sol.
E gargalhava, e acertava.
..
Por vezes é necessário descontrair, desligar o motor do barco, e ir na maré.
Puxar pelos sentidos, sentir o calor do sol e, simplesmente ir pelos outros quatro sentidos.
Como um invisual. Fechar os olhos, mas nunca o coração… e encestar.
Esperamos demasiado para fazer o que sentimos.
Esperamos pelas oito horas quando o sol já está no horizonte… e esquecemo-nos que ás três o sol está mesmo ali, nos nossos noventa graus.
…
O cesto sem cor?
Coloquem vocês a cor que quiserem…
..
Amanhece!
quinta-feira, julho 24, 2008
segunda-feira, julho 14, 2008
Rabiscado à três pancadas na biblioteca (continuo sem a porra da internet)

Não sei bem o que isto é.
Não é necessário saber uma definição de cor, para salteá-la.
Mas, ando com uma gana…
Daquelas ganas de ranger os dentes.
De abrir a boca e trincar até à exaustão…
Cada centímetro da realidade.
Dessa consistência que se diz verdade.
Cada milímetro. Mas, por inteiro.
Em cada abrir de boca sinto todos os dentes.
As gengivas ganham um sabor diferente.
Alterado.
Alterei-me ao sabor das minhas gengivas.
Sinto a língua em cada espuma.
Poro. E passa a boca toda.
Da garganta ao céu da nuca.
E sempre aquela saliva.
Vai ali tudo.
No meio da trincadela o medo passa a força.
O desprendimento. A robustez.
Um volume que hoje meço em metros cúbicos.
O que dantes, não passava de áreas em centímetros quadrados.
Ando cá com um guinche.
Qualquer coisa como um crocodilo.
Pele dura. Dentes afiados.
Não sei bem o que isto é.
Mas, ando com uma gana.
Daquelas ganas de ranger os dentes.
De abrir a boca e trincar até à exaustão.
Tudo.
Mas, tudo… numa só dentada.
Assim.
Sem mais nem porquê.
Simplesmente porque quero.
Porque me apetece.
Porque tenho dentes.
segunda-feira, junho 16, 2008
Texto rabiscado à pressa na casa do vizinho. Estou sem net.

E as expressões… essas, ai essas, não lhes ficam nada atrás.
Surpresa.
Reticências.
Espanto.
Um anda cá.
Mas, a expressão que eu adoro, é aquela… vocês sabem.
Quando dizemos que ‘não’.
E queremos é o ‘sim’.
È fabulosa.
O ser humano é realmente fabuloso.
Numa só face, mil expressões.
Um cento de manifestações.
Tudo.
Mas, tudo condensando num só toque.
Aquele toque.
E fingimos que não.
Como que se vivêssemos o amanhã do mesmo modo.
Como se o entardecer de hoje fosse igual ao de ontem.
É aquela impressão do momento.
Sensação de ramela.
Não lavamos hoje, lavamos amanhã.
Não pode ser.
O mar não é o mesmo.
E no céu, as nuvens já mudaram.
O vento sopra de outra maneira.
E que maneira esta de sentir as coisas estranhamente.
Como se aquele arrepio na espinha durasse para sempre.
É como ver um jogo de futebol.
Foi penálti.
E culpamos sempre o árbitro.
Nós.
Nós somos os jogadores.
O resfolegar é nosso.
Não basta o meio campo.
E a baliza não é o limite.
Porque para as expressões não existem limites.
Existem sim toques.
Toques de bola.
No ar.
No chão.
De pernas para o AR.
Viradinhos do Avesso. Toques.
Mas, toques.
Daqueles como os bifes, com uma leve pitada de rosmaninho.
A puxar para o picante.
Tocas?
quinta-feira, junho 05, 2008
terça-feira, junho 03, 2008
Lenço. Vermelho.
Rondava os anos 40.Naquela altura ainda não havia semáforos, passadeiras, filas, buzinas.
Os poucos automóveis andavam ao sabor de uma qualquer brisa da capital.
Daquelas brisas raras, com sabor a Tejo.
As damas passeavam de sombrinha, os cavalheiros de bengala.
Os fatos eram pretos, e os colares de cristal.
Lá no fundo avistasse fumo.
É Outono. Cheira a castanhas.
Ele vinha de mansinho meio amarelo, como a folha da gazeta.
Ela corada, como a castanha embrulhada.
Subiram a Antero de Quental ainda meio ensonados.
Diziam eles, para se desculparem.
Na janela, a vizinha. De lenço vermelho.
Fumava uma cigarrilha. Cheirava a verniz.
Ela corada, pensava no que não foi.
Ele tímido, nunca chegou a mudar de passeio.
E a vizinha que largou o lenço, ainda hoje pensa nesse desdito.
De pensar o que se sente.
E de sentir o que não se diz.
.
Apeteceu-me!
segunda-feira, junho 02, 2008
Meia volta

Para cativarem-me tem que ser pelo sorriso.
As pessoas falam do olhar.
Mas, de que vale um olhar sem um sorriso.
Daqueles abertos, francos.
Que percorrem todas as veias.
Sem deixar nenhum órgão com sede.
Daqueles em que os joelhos tremem e pedem mais.
Mais.
E o sangue corre.
Dá meia volta. E torna a correr.
Daqueles que cabem lá o mundo todo.
E mais um bocadinho assim.
Um sorriso com um leve piscar de olho.
Um levantar de sobrancelha.
O queixo descaído.
Sorrisos.
Fico completamente atarantada com um bom sorriso.
Posso ter muralhas sem escadas.
Ás vezes sem nenhuma porta.
Mas, um bom sorriso.
Ai um sorriso, aniquila tudo.
Já são raros esses sorrisos.
Mas, é bom.
É bom quando ainda existem.
Fazem bem, e recomendam-se.







