sábado, outubro 04, 2008

Toma lá que cá vai disto. Encosta para o lado e ressona.


Hoje em dia, é mais comum acabar uma relação, do que começar uma.

Atenda-se que falo de relações com cabeça, tronco e membros (e não necessariamente por esta ordem).

As pessoas cansam-se.

E cansam-se com força.

Dos gestos, das palavras… até se cansam dos orgasmos.

É mais usual um amigo nosso chegar junto de nós e dizer: “Acabei uma relação de há 5 anos” do que dizer: “Comecei uma relação com a qual me sinto bem”.

E pergunto eu, porque raio as pessoas quantificam as relações?

Porque raio ninguém diz “Mantinha uma relação com uma pessoa que me fez sentir verdadeiramente bem, e hoje acabou.” ?

A relação até pode só ter durado meia dúzia de meses. E depois?

É menos relação do que uma que durou 5 anos?

Definitivamente, não me parece.

Espremendo certas relações, o sumo que sai, é incolor.

As pessoas não estão para se chatear.

Hoje em dia querem namorar para manter relações sexuais com uma certa regularidade.

E nisto, vem a história de há pouco, preferem a quantidade à qualidade.

E mesmo essas ditas relações sexuais com uma certa regularidade, são efémeras, é como se costuma dizer: toma lá que cá vai disto, encosta para o lado e ressona.

E depois queixam-se com um ah e tal tantos anos e agora?

Inovação. Mudança. Metamorfose.

Esquecem a borboleta, e só pensam na lagarta.

É como ir a um arranha-céus.

O elevador nunca vai até ao último andar, é sempre preciso subir uns quantos degraus para atingir o auge, o pico, a altura máxima.

Hoje em dia as pessoas não estão, é para isso…. Para subir certos degraus.

E ficam-se pelo elevador.

Ficam-se pelo quase orgasmo.

Como se isso bastasse.

Como fosse preciso relações de uma década.

Como se um orgasmo não durasse um simples tic tac.

Como se um tocar de pele no minuto certo não fosse o necessário.

E ás vezes nem é preciso ser no sítio certo, porque o simples tocar, já é certo.

Como se um enlaçar de dedos não arrepiasse.

Cumplicidade de um silêncio invernoso.

Ventania de olhares.

É.

Hoje em dia as pessoas não estão para se chatear.

Preferem um toma lá que cá vai disto, encosta para o lado e ressona, a um… arreliar de entranhas.

Nervos.

Eu cá gosto é de nervos.

Daqueles que latejam.

Toma lá que cá vai disto, encosta para o lado e ressona?

Muitas gracias. Mas, dispenso.

As minhas entranhas merecem mais que isso.

Já ouvi mais que um amo-te.

Mas, nunca me arrepiei o suficiente para o dizer.

É.

Ás vezes o coração pode ser fodido.

E não necessariamente pela ordem habitual.

30 comentários:

Antonio saramago disse...

Quanta razão tens nisto Amiga!!!!
Quanta Verdade exprimes nestas palavras que infelizmente são a realidade de hoje.

.*.Magia.*. disse...

E quando se sobe ao arranha céus e o céu arranha a carne porque está demasiado baixo e nós não cabemos lá ?

Ok, ok, ok, vale sempre a pena transpirar na subida dos degraus, mas sempre com o paraquedas guardado no bolso, é de que as vistas lá de cima podem não ser as que idealizamos cá de baixo, e em caso de emergência não há "amo-te" arrepiado que nos ponha a mão por baixo!

Pois, eu sei que sempre se disse que "á menina ao borracho, Deus mete-lhe a mão por baixo", mas eu não acredito que Deus se dispusesse a amparar-me a queda, é que eu nem sou menina, nem sou borracho, logo, mais vale uma borboleta na crisálida do que uma lagarta na maça, naquela ali de baixo, que tem a dentada!

É fodido!

.*.Magia.*. disse...

Dass... escrevi pa c......

Estranhex, um abraçadex para ti

Anónimo disse...

p’la tua mão subi mil degraus
até ao fundo de mim

p’lo teu corpo mil atalhos inventei
na sede de perder-me

p’lo leito amendoado dos teus olhos
li mil páginas li mil sóis
li mil sons

e agora meu amor que partiste
todos os silêncios me cercam de ti



Jorge Casimiro

Moon_T disse...

Comecei uma relação com a qual me sinto bem






Quanto à palavra amo-te, acredito que será pior senti-lo e nao o ouvir...(ou dizer)

Luis Eme disse...

provavelmente falas da tua experiência pessoal...

e acho que misturas um bocado as coisas.

lembro-me que no período pós adolescência, fingia que a quantidade era melhor que a qualidade... mas com o tempo passou.

e isso não tem nada a ver com a palavra amor, mas sim com falta de comunicação e desejo sexual...

Esplanando disse...

Gosto de te ler assim!

Charlotte disse...

É isso, é isso... Com as naturais diferenças de estilo, poderia ter sido escrito por mim. Por isso,fico-me pelo sorriso cúmplice e não acrescento mais nada. :-)

Brain disse...

O "esforço" tem de existir,
Mas pela VONTADE!

E se não há vontade:
Não merece sequer a minha atenção, quanto mais o meu esforço!

E então eu passo!

É que tem MESMO de...
"...arreliar de entranhas.
Nervos.
Eu cá gosto é de nervos.
Daqueles que latejam."


Um Beijaço Meu

Anónimo disse...

muito bom estou a gostar de ler, e a musica tambem esta muito boa, bj
Hitler :)

lampâda mervelha disse...

Agradeço-te por me teres feito lembrar de qualquer coisa que escrevi... só falta encontrar.


Para mim, valeu a pena passar por todas as relações que tive, principalmente as más.

Gosto dos vincos, das marcas que as coisas deixam nas pessoas. Gosto de vicios e arestas gastas, de psicologias invertidas e tardes convertidas ao sossego do nada. Silêncios sem que o sentido seja castrante ou sinal de nada haver para dizer. E realmente é tão boa aquela sensação de estarmos bem... e noves fora, o reconfortante que é existir a sintonia. Claro, uma guerra, uma discussão, um choque de personalidades.. que tusa me dá! Nada melhor que desligar-me na cara e pensar "ahhh puta...". É um sacudir de pulgas. Bom, é melhor calar o teclado...

Sonhos e Devaneios disse...

Minha querida, acho que voce esta a passar por alguma fase aonde os seus pensamentos fluem para estas palavras. Elas podem ser as ideais agora mas nao ser daqui a uma nova fase.
beijos joao

besbertocharrua disse...

ai nha perninhas co cansemire qué tude ós mile né? ca nha maria ca fica sempere imbasbacáda dele. á ganda cansemire! a nha maria é ca pergunta lá isse de fo.,.. o curassão? ái rapariga das coizas quinventas...
um xicurassão munte apertadinhe da ternura dagente.

alguém+ neste mar de gente disse...

finalmente algo bem escrito sobre o tema! cruamente. é assim mesmo... pseudo-relações; pseudo-amar. hoje em dia até o amor é uma coisa de moda: anda tudo à procura de namoros, de amar... e esquecem-se de amar a si próprios.
e pronto, inspiraste-me!

Thiago Forrest Gump disse...

Tens toda a razão!
Sem mais.

:D

Camolas disse...

Amor ingénuo, não há outro. Descomprometido, livre , só assim se cresce, só assim a semente poderá germinar, " De pernas para o ar", num mundo que observamos ao contrário.
Um grande Outono para Ti.

Jorge Pessoa e Silva disse...

Cruzes... Que texto tão simultaneamente profundo e cru... Até arrepia...

Nem sei que te diga, tal a dureza, não do que escreves, mas do que sentes... Mais do que o texto, o que me assusta é o que te levou a escrevê-lo.

Dizer-te que assino por baixo, é ficar pelo óbvio.

Digo-te apenas que ninguém se deve satisfazer com menos do que um parceiro que até abdique do elevador para fazer toda a escalada pelos degraus... Só pelo sublime prazer da verdadeira recompensa quando atinge o cume: olhar nos olhos de alguém como tu.

Beijinhos

Maestro disse...

sem dúvida!

Escrever por temas é tao dificil, e tu fazes-o com a visao dos artistas... :D

Anónimo disse...

De pernas para o ar, também é uma excelente posição para o levares entaladinho.

Antonio saramago disse...

Muito sugestivo este ultimo comentário.
Para se entalar´entala-se sempre qualquer que seja a posição, desde que haja vontade de o receber e de o expremer bem exprimidinho..

Maria P. disse...

Que texto!

Bjs*

Putty Cat disse...

Quem não se arrelia...nem sequer é merecedor de um orgasmo!!!!

:P

folhaselvagem disse...

Dar asas à imaginação! SEMPRE

folhaselvagem disse...

Dar asas à imaginação! SEMPRE

besbertocharrua disse...

ai nha filha queu na fazia a puta da indéia ca táva lá a telvisão canão tinha levádo a nha maria ca táva lá o ranche munte linde dos caxopos de pragança quela gosta munte ca fica munte longe cagente na tém pernas pó caminhe camodos capanhei buleia do vezinhe.
muntes abracinhes de ternura dagente. tás bémzinha? tem tino óviste?

Jizas Craixte disse...

È muito bom ser relembrado de alguns valores ainda que por entrelinhas. Quem é amado e se queixa não sabe o que quer, nem sabe o que tem, até não ter.

besbertocharrua disse...

atão ó nha pernas tás cas férias otra vês? temes sodades né?
um abracinhe cagente tamém na te viu das adiafas proquê?

Miss Pu disse...

Um ora nem mais bem sublinhado e francamente subscrito.

o das caldas disse...

Yes.-
2 beijinhos

Bandida disse...

belíssimo este teu texto!! gostei imenso. um rasgão na vida que tantas vezes se despe à procura de nada.

um abraço!