quinta-feira, dezembro 11, 2008

Tarteletes




Tarteletes.
Tarteletes são umas bolachas de manteiga cobertas com um suave doce de morango.
É marca branca. Do Continente.
Gosto de marcas brancas, mas só nas bolachas.
Nas conversas, nos diálogos, nos afectos, dispenso.
Seja branca, seja outra marca qualquer.
Prefiro aquele doce sabor do…. Genuíno.
Em que podemos dar mil e uma trincadelas, mas sabe sempre a qualquer coisa de novo.
De particular.
Um ‘quê’ qualquer sem características previamente concebidas.
O pensar, assim como o sentir, não são de marca branca.
O sentir verdadeiramente não é indelicadeza.
Não é indelicadeza falar de nós próprios, expor o que sentimentos, o que pensamentos, o que tacteamos, o que cheiramos.
Indelicadeza sim, é falar negativamente, do que os outros pensam, sentem e fazem.
Contemporaneamente é difícil encontrar algum ‘espécie humano’ que saiba falar de si próprio, sem medos.
Sem complexos, sem reticências, sem emaranhados fúteis e completamente ‘desconexados’.
As pessoas encontram-se, falam-se… mas, pouco ou nada se exprimem.
São horas e horas de diálogos que pouco ou nada alimentam a nossa alma, o nosso coração.
É difícil conversar do íntimo, das tentações, das vontades, dos possíveis, dos impossíveis…
Falasse muito, mas dialoga-se muito pouco.
À medida que o tempo passa, o nosso corpo e cérebro, desenvolvem capacidades únicas de absorver o que realmente importa, e de reciclar o que faz mal, o que incomoda, o que fatiga o miocárdio.
Ás vezes vem aquela sensação de cansaço, de fatiga, e também de vazio.
Mas, outras tantas vem a sensação de paixão, de fogo, de agarrar o que nos faz sentir verdadeiramente bem.
Não é indelicadeza este tipo de reciclagem, indelicadeza é, não ter o conhecimento de nós mesmos para sequer saber, que existe este tipo de reciclagem.
Tarteletes são umas bolachas de manteiga cobertas com um suave doce de morango.
É marca branca. Do Continente.
Pessoas são seres humanos cobertos de pele com um suave doce de vontades.
É marca genuína. Da paixão.
Porque todos somos feitos de paixões.
Com um suave doce de desejos.

terça-feira, novembro 18, 2008

Talentos


Já passaram várias pessoas pela minha vida.
Pessoas magras, gordas, cegas, carecas, com tiques, sem tiques, analfabetas, doutoradas, ricas, pobres, mendigas, com tecto, sem tecto.
Pessoas que sabem ouvir, outras que sabem falar.
Pessoas que sabem estar, outras que nunca estavam.
Pessoas simpáticas, quentes, frias, ásperas.
Pessoas que deixaram marcas, e outras que ficaram por deixar.
Pessoas com olhar castanho, azul, negro, forte, fraco, intenso.
Pessoas com andar cabisbaixo, decisivo, categórico.
Pessoas tímidas, introvertidas, concentradas, exuberantes.
Pessoas.
Simplesmente, pessoas.
Não me interessa o pai, a mãe, a irmã, o tio, o primo.
São pessoas.
Não me interessa durante quanto tempo privaram comigo, se foi muito, se foi pouco.
Interessa-me sim, que foi o tempo suficiente para ficar um bocadinho delas dentro de mim.
Porque nós somos isso mesmo.
O que vivemos, aprendemos, sentimos, pensamos, cheiramos, vemos, andamos.
E fazemos tudo isso com partilhas.
Com pessoas.
Mas, pessoas Pessoas.
Pessoas com letra grande.
Pessoas que sabem que o corpo é uma mera carcaça, pessoas que sabem o quão é importante o invisível.
Pessoas que sentem, que ninguém escolhe esta ou a outra família, este ou o outro esqueleto, pessoas que definem em si a prioridade da amizade, da veracidade.
Pessoas que olham directamente nos olhos, que não estão para ironias, expectativas, hipocrisias.
Pessoas.
Ás vezes coabitamos com determinadas pessoas, que nunca chegamos verdadeiramente a conhecer.
E nós, que também somos a modos que totós, também nunca nos damos muito a conhecer.
Eu tenho para mim que existem por aí pessoas verdadeiramente fascinantes, capazes de ferver em nós o que de melhor temos.
Capazes de renascer em nós,
…os nossos melhores talentos.
Pessoas artistas, portanto!
Já passaram várias pessoas pela minha vida.
Muitas, até.
E guardo saudades de cada uma delas, com um enorme sorriso.

Um destes dia, tocaram-me nas costas e perguntaram:
- Quando é que sabemos que gostamos de uma pessoa?
Ao que eu respondi:
- Quando sentimos saudades.

É.
Às vezes é bom sentir saudades.
Porque é aí,
exactamente aí,
Que sabemos, quando gostamos realmente de certas pessoas.
Mas, pessoas Pessoas.
Daquelas verdadeiramente… Artistas!
Capazes de renascer em nós,
…os nossos melhores talentos.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Iogurte[s]


Não cos[tumo] pensar a longo prazo.
Sabem aquelas conversas de adolescentes, quando diziam umas ás outras, o meu vestido de noite vai ser de tal cor, eu quero ser médica, ter três filhos, o do meio vai chamar-se Felizberto.
Mas, já nessa altura não era hábito pensar a longo prazo.
Não sei, os planos sempre me fizeram confusão.
Não por serem planos, mas antes por serem plural.
Não que o singular seja melhor.
Não, não é nada disso.
A questão é que sempre achei que não ia chegar a determinada idade.
Aquela idade em que basicamente os planos começam a ter uma qualquer materialização.
Hoje quando olho para esses tempos.
E para os planos que nunca cheguei a linear.
Penso um sentir estranho.
Aquele sentir de quando percorremos uma estrada sem mapas.
GPS’s.
Sinais.
Quando pegamos no carro sem destino.
Quando telefonamos para alguém, e vai parar à caixa de voice mail.
É um sentir esquisito.
De emissor sem receptor.
Hoje quando penso nesse sentir.
Pego naquele cordel que um dia fiz no recreio da terceira classe.
Em que atei numa ponta da guita, um iogurte.
E a outra ponta ficou por atar.
É.
Não costumo pensar a longo prazo.
Mas, hoje quando me sinto longe de mim.
Penso em certos nós que ficaram por atar, por ter medo de pensar, não a longo prazo.
Mas, por contextualizar uma verdade.
Que afinal, era só minha.


É.
Há sentires lixados. Isto para não dizer, fodidos!

segunda-feira, novembro 10, 2008

Metaforicamente falando...


Um dia destes passo-me da marmita.

É que a bem da verdade,

nem toda a gente é obrigada a ter um micro-ondas.

segunda-feira, novembro 03, 2008

Qual dos panoramas preferem?

Imaginem o seguinte cenário.
Mas, imaginem com força, com convicção.
Não fiquem presos ás minhas palavras.
Pois, são apenas isso.
Palavras.
….
Imaginem com voz.
Mas, sem som.
Ou então, não!
Esperem.
E S P E R E M.

[Detesto este tom]

….
Sim. È isso.
Imaginem ao contrário.
Em vez de uma voz, sem som.
Imaginem antes, um som, mas sem voz.

Ainda não conseguiram?
Ok.
Eu espero.
..
Sim. Isso.
Isso mesmo.
Aí.
Entre o Am e o Fm.
Não mexam mais.
Ok.
Agora, que têm esse som, sem voz.
Imaginem o ruído.
Esperem.
Não é esse!
Engendrem uma maneira qualquer mas, imaginem o ruído que vos faz sorrir.

Já está?
Agora imaginem, o outro.
O que voz faz chorar.
..
E isso tudo com som.
Muito som.
Mas, não se esqueçam: sem voz.
Não imita nenhuma voz.
Nenhum sopro. Suspiro. Gemido.
Nada.
Como aqueles sonhos em que a almofada anda ás voltas.
De um lado para o outro, e ouve-se o nosso corpo a remoer entre o cá o lá.
E o som que faz sorrir, já nos fez chorar.
E o chorar, rir.
E toma forma.
Feição.
Leve feitio.
E tudo sem voz.
Alguém um dia bateu à porta.
E o som era tanto, que não tínhamos voz para responder.
E o toque foi abrandando.
Fugindo.
Ausentando-se.
Xiu.
..
E calaram-se.
..


Agora. Leiam de trás para a frente.
..

segunda-feira, outubro 27, 2008

A tua mãe que te ature


Cala.
Cala-te.
Não repitas inatamente o que não queres.
Não digas.

Não bocejes.

Nem te atrevas sequer a suspirar.
Cala. Cala-te de uma vez.
Cala essas raízes que insistes em regar.
Em escravizar a uma terra, que não é a tua.
A minha. A nossa.
Cala-te. Mas, cala-te bem.
Não te cales só por calar. Só porque digo. Só porque exijo.
Impuseste leis, decretos leis, legislações, obrigações tais.
Cala-te. Adormeceste o que demais teu tinhas, o teu sorriso, a tua vida, o teu brilho.
Cala-te e não me imponhas, coisas, gestos, endrominarias que nem tu mesmo sentes.
Cala-te.
Mas, cala-te de uma vez.
Que sejas noite, dia, madrugada. Que sejas nada nesse tudo que agora construíste.
Mas, cala-te.
É que os meus ouvidos já não reconhecem a tua voz.
E os meus sentidos não se regem por aparências.
Cala-te.

terça-feira, outubro 21, 2008

Quero que o parecer mal se foda!


Pessoas.
As pessoas são formidáveis.
E são-o tanto para o bem, como para o mal.
Já são poucas as pessoas que conseguem viver de acordo com a sua consciência.
E não falo daquela consciência simbólica.
Falo mesmo de percepção intuitiva.
Do agir com desprendimento total, sem aquele sentimento do parecer mal.
Aparências. No fundo tudo se resume a isso.
Ás aparências.
Não sentem determinada afecção, porque parece mal.
Não pensam determinado assunto, porque parece mal.
Não são directas com determinada pessoa, porque parece mal.
Não olham para determinada retina, porque parece mal.
Tudo parece mal.
Mas, afinal de contas parece mal o quê?
A quem?

Parece mal uma pessoa ter ideias próprias?
Ahh pois parece, mas cheira-me que parece apenas, aquelas pessoas que não têm ideias.
Parece mal uma pessoa falar sobre sentimentos?
Ahh pois parece, mas cheira-me que parece apenas, aquelas pessoas que não sabem dizer para si mesmo o que sentem, o que querem, o que desejam.
Parece mal uma pessoa seguir pela nacional, quanto podia ir pela auto-estrada?
Ahhh pois parece, mas cheira-me que parece apenas, aquelas pessoas que nunca sentiram o verdadeiro sabor dos chamados caminhos de cabras.
Parece mal uma pessoa ser fiel ao que acredita enquanto ser humano que é?
Ahhh pois parece, mas cheira-me que parece apenas, aquelas pessoas que só se sentem enquanto corpo.
Parece mal uma pessoa ser pessoa?
Ahhh pois parece, mas cheira-me que parece apenas, aquelas pessoas que apenas se limitam a ser gente.
Parece mal eu escrever sobre certos e determinados assuntos no De pernas para o AR?
Ahhh pois parece, mas cheira-me que parece apenas, aquelas pessoas simplesmente tótós, que não sabem distinguir a estranha pessoa esta apenas, estranha pessoa esta, da estranha pessoa esta ´stora.
Para o grupo de pessoas que encheu a minha caixa de e-mail com mensagem do arco da velha sobre o quanto é prejudicial para a minha pessoa escrever sobre certos e determinados assuntos, para essas pessoas, só tenho uma coisa a dizer:
Ide para a puta que vos pariu.
Quero que esse parecer mal se foda.

A mim o que me parece realmente mal, é que com menos de 1% do capital que os Estados Unidos e Europa disponibilizaram para salvar a crise financeira mundial, chegasse para acabar com a fome em Àfrica.
A mim o que me parece realmente mal, é existirem pessoas licenciadas que nunca leram um livro na puta da vida, e depois exigem que as tratemos por senhores doutores.
A mim o que me parece realmente mal, é Portugal ter dinheiro para não sei quantos estádios de futebol, mas para hospitais, escolas, lares… ‘tá quieto.
A mim o que me parece realmente mal, é o meu Concelho ter uma biblioteca que custou não sei quantos milhares de euros, e agora não ter dinheiro para 'a abrir'.
A mim não me parece nada mal as pessoas viverem na hipocrisia uma vida inteira.
Quero lá saber disso, a vida é delas.
Agora não me impinjam é a hipocrisia delas na minha vida.
Não é por nada, mas é que não tenho, nem idade, nem paciência, nem temperamento para aturar certas merdas.


P.S.: A revolução de 1974 teve alguns objectivos, um deles, esse mesmo: a liberdade de expressão.

P.S.2: O De pernas para o AR, não é um blog pedagógico e muito menos matemático.
O De pernas para o AR, é simplesmente a estranha pessoa esta, nua e crua, sem qualquer tipo de preconceitos…


E sobre este assunto, é o que eu tenho a dizer.
Obrigado. Voltem sempre. E tragam um sorriso.

sábado, outubro 04, 2008

Toma lá que cá vai disto. Encosta para o lado e ressona.


Hoje em dia, é mais comum acabar uma relação, do que começar uma.

Atenda-se que falo de relações com cabeça, tronco e membros (e não necessariamente por esta ordem).

As pessoas cansam-se.

E cansam-se com força.

Dos gestos, das palavras… até se cansam dos orgasmos.

É mais usual um amigo nosso chegar junto de nós e dizer: “Acabei uma relação de há 5 anos” do que dizer: “Comecei uma relação com a qual me sinto bem”.

E pergunto eu, porque raio as pessoas quantificam as relações?

Porque raio ninguém diz “Mantinha uma relação com uma pessoa que me fez sentir verdadeiramente bem, e hoje acabou.” ?

A relação até pode só ter durado meia dúzia de meses. E depois?

É menos relação do que uma que durou 5 anos?

Definitivamente, não me parece.

Espremendo certas relações, o sumo que sai, é incolor.

As pessoas não estão para se chatear.

Hoje em dia querem namorar para manter relações sexuais com uma certa regularidade.

E nisto, vem a história de há pouco, preferem a quantidade à qualidade.

E mesmo essas ditas relações sexuais com uma certa regularidade, são efémeras, é como se costuma dizer: toma lá que cá vai disto, encosta para o lado e ressona.

E depois queixam-se com um ah e tal tantos anos e agora?

Inovação. Mudança. Metamorfose.

Esquecem a borboleta, e só pensam na lagarta.

É como ir a um arranha-céus.

O elevador nunca vai até ao último andar, é sempre preciso subir uns quantos degraus para atingir o auge, o pico, a altura máxima.

Hoje em dia as pessoas não estão, é para isso…. Para subir certos degraus.

E ficam-se pelo elevador.

Ficam-se pelo quase orgasmo.

Como se isso bastasse.

Como fosse preciso relações de uma década.

Como se um orgasmo não durasse um simples tic tac.

Como se um tocar de pele no minuto certo não fosse o necessário.

E ás vezes nem é preciso ser no sítio certo, porque o simples tocar, já é certo.

Como se um enlaçar de dedos não arrepiasse.

Cumplicidade de um silêncio invernoso.

Ventania de olhares.

É.

Hoje em dia as pessoas não estão para se chatear.

Preferem um toma lá que cá vai disto, encosta para o lado e ressona, a um… arreliar de entranhas.

Nervos.

Eu cá gosto é de nervos.

Daqueles que latejam.

Toma lá que cá vai disto, encosta para o lado e ressona?

Muitas gracias. Mas, dispenso.

As minhas entranhas merecem mais que isso.

Já ouvi mais que um amo-te.

Mas, nunca me arrepiei o suficiente para o dizer.

É.

Ás vezes o coração pode ser fodido.

E não necessariamente pela ordem habitual.

domingo, setembro 21, 2008

Amanhã lavo isto


Sejamos claros, a vida não são dois dias.
Nem três. Nem quatro. E muito menos, cinco dias e meio.
Há ‘coisas’ que pura e simplesmente não podem ser contabilizadas.
A existência sim. Pode ser a modos que contabilizada.
Agora a vida… a vida não!
A vida pode ser sentida num segundo, num aroma, num gesto, num silêncio, num olhar, e essas ‘coisas’ não se contabilizam.
É como aquela mania do “Amanhã lavo isto.”
Mas, qual amanhã?
Alguém tem a certeza que vive amanhã?
Nem tem a certeza que existe amanhã, quanto mais que vive.
“Amanhã lavo isto.”
Ahhh pois lavas, lavas... lavas!
Como se o ser humano tivesse a capacidade de reunir todas as condições necessárias para que no tal amanhã, se consiga sentir as coisas da mesma maneira.
Ora, se pode ser hoje… porque raio é amanhã ??
A vida não são dois dias.
Nem três. Nem quatro. E muito menos, cinco dias e meio.
É por estas e por outras que eu me recuso a agendas.
E muito menos a lavagens adiadas.

É como comer uma maçã:
Nunca ouvi ninguém dizer: "Amanhã acabo de comer isto"

quinta-feira, setembro 18, 2008

Miopias

Ao menos que a tua cegueira
desse para a alfabetização de movimentos.
Sempre tomavas o meu suor
como se de Braille se tratasse.

domingo, setembro 14, 2008

Pausa. No. Meu. Silêncio.

Todo o ser humano procura a magnânima das sensações.
Aquela única.
Que se define com asma.
Com uma leve sensação de falta de ar.
Com aquele entendimento absoluto.
Máximo.
Enriquecedor.
Verdadeiramente amarfanhado.
Como se de Inverno se tratasse.
Em que estamos pura e simplesmente entre lençóis de joelhos na barriga.
E a chuva no vidro.
E o vento no tapete.
Puxa a uma certa concentração prolongada.
A um deixa ficar que não consigo respirar.
É abandono.
Com uma certa gentileza.
Manobra os sentidos, sem discursos.
Explora o que demais nós temos.
Estabelece uma conexão quase que absoluta entre o que queremos, e o que temos.
Identifica-nos.
Estabelece-nos.
Movimenta-nos.
Acumula a actividade.
A tensão.
A manobra quase exaustiva dos pulmões.
Separa o verdadeiro da ilusão.
Transporta uma espécie de qualquer coisa olfactiva.
Cheira a quente, a frio.
Nunca a morno.
Porque isto do que falo é definido.
È quente ou frio.
Não há meios termos.
Ocupa em mim códigos.
Que nunca foram desvendados.
Alfabetos com letras indefinidas.
Vibrações sem fórmulas correntes.
Isto não são ‘entretantos’.
Coisas parciais.
De passar o tempo.
De dúvidas.
Ramificações.
É muito para além disso, que nem sequer passou por isso.
Nem sequer falo de citações preconcebidas.
De coisas sentidas por outrem.
Sei que não me faço entender.
Bastava-me um: Sei que me faço sentir.

terça-feira, setembro 02, 2008

Gosto de vocês.
É. Gosto.
Um sorriso para todos os que passam por aqui diarimente :)



Enquanto não tenho veias, vou desassossegando por aqui http://paraladomiocardio.blogspot.com/

segunda-feira, agosto 04, 2008

#331




Ás vezes acho que é um vício, outras vezes acho que é um refúgio, e outras tantas sinto que é apenas o meu espelho.
A escrita envolve-nos, partilhamos aqui 'sentires', que de um modo falado a coisa saía diferente… diferente talvez não seja a palavra correcta.
O que se passa é que ando farta.
Não da escrita.
Não das letras, palavras, emoções…
Mas, ando farta.
Farta dos meus pensamentos.
Farta dos meus actos.
Farta dos meus sentimentos.
Ando cansada.
Consumida, verdadeiramente consumida.
As pessoas levam-me tudo.
Levam-me o coração, levam-me os pensamentos, levam-me os gestos.
Levam-me tudo.
E no fim.
No fim, não fica cá nada.
O mal não é das pessoas. O mal é meu, que com a idade que tenho já devia saber que não devemos esperar grande coisa… mas, eu esperei.. esperei.. e cansei-me.
Cansei-me de viver para os outros.
Cansei-me de achar que é normal não recordar a última vez em que os meus progenitores perguntaram se preciso de alguma coisa.
Cansei-me de achar que é normal não recordar quando levei um abraço paternal e maternal.
Casei-me da não aceitação.

....
Cansei-me de me esquecer de mim.
Cansei-me de achar que é normal a vergonha que algumas pessoas sentem por privarem comigo.
Ando cansada. Ando tão cansada.
Cansei-me de não me verem como sou.
Cansei-me de pedir ajuda a pessoas que dei tudo o que tinha, e simplesmente não terem tempo para ouvirem um simples desabafo.
Até ando cansada de confundirem o meu lado Pernas Para o AR , com o meu lado profissional.
Cansei-me das pessoas serem opacas, cansei-me de pessoas que têm trinta anos e não vêm um palmo à frente da vista, que só vêm o que lhes mostram.
As pessoas têm que ver muito além disso.
Ando desgastada.
Fatigada. Verdadeiramente consumida pela minha tristeza.

....
Ás vezes traçamos um caminho para determinada meta, quando finalmente conseguimos quase quase chegar a essa meta, vêm uma qualquer coisa, e tau muda isto tudo.
Mas, eu não reclamo, nem nunca perguntei porquê que tinha que ser a ela, e não a outra pessoa qualquer. As doenças surgem sem hora marcada, temos que as aceitar e lutar com optimismo. Aceitei e faço o que eu posso. Mas, ando cansada, muito cansada do meu tudo, ser sempre nada.
Ando esgotada de não conseguir respirar, preciso de um quadro e de um giz.
Ando cansada de me refugiar em álcool e cigarros.
Já nem as ondas me enchem a alma.
Nem os 666 metros da serra me alimentam.

....

Tenho um segredo, daqueles que vão para a cova connosco, e esse segredo anda a consumir-me, anda a trincar todas os meus possíveis sorrisos, e mesmo quando tal episódio se passou, eu nada fiz, porque tive medo de represália, daquela manisfestação típica da sociedade aponda o dedo, como se quem passasse por isso fosse desejo nosso, e não violentação dos nossos direitos e desejos enquanto seres humanos que somos.

...

Tenho saudades dos quase treze anos que passei no Bairro da Ajuda, da calçada, da loja de ferragens, das corridas sem capacete, de escrever com os salpicos do Tejo, de pegar em meia dúzia de quadros e vende-los a turistas no castelo de São Jorge.
Tenho saudades de ir para Santa Apolónia e pegar o primeiro comboio que aparecesse, só pelo simples prazer do desconhecido.
Tenho saudades daquela aceitação genuína. Verdadeiramente genuína.
O que sinto não é nostalgia, o que eu sinto é uma tristeza profunda.
Daquelas que agitam o corpo todo.
Daquelas em que vamos no carro e só apetece acelerar acelerar e sentir em todos os poros aquele “quero que se foda”.
Sinto aquela tristeza de agarrar no peito.
Sinto verdadeiramente hoje, que pouco ou nada ando a contribuir para a porra da sociedade.
Já senti muitas tristezas na puta da vida, mas como esta que ando a sentir……
Cansei-me de enterrar amigos, só este ano foram cinco e ainda só estamos em Agosto.
Ando cansada de tentar preencher o cérebro com demonstrações de Teoremas, com filosofias do século XVIII, literaturas contemporâneas.
Ando cansada de sentir que nada me enche.
Ando cansada de ouvir que sou uma vergonha.
Ando literalmente cansada de ser uma estranha pessoa.

Mas, o que ando mesmo cansada… é de eu sentir que sou realmente uma vergonha.

Ando com vergonha de me despir.
....

E enquanto eu andar assim o Pernas fecha. E com ele todos os projectos que tinha agendado, nomeadamente o próximo livro.

....

Para escrever é preciso raiva.
É preciso sentir o sangue, a medula, os dedos, os outros, é preciso aquele tal equilibrio desiquilibrado dos sentidos.
Aquele calar de cérebro, aquele falar de miocárdio.
É preciso sentir que desembrulho-me toda, que fico completamente nua em palavras.
Sim.
É preciso isso.
Sentir todas as rugas, as minhas e a dos outros, cada fio de cabelo, cada gesto, cada bocejar, cada olhar, cada nó dos meus ossos, meus e dos outros.
Sentir cada lambidela de pele, cada raciocínio, cada bochecha vermelha, cada ombro descaído, cada soslaio, cada tudo.
Para que esse tudo, se transforme em cada uma das minhas 'nudezes'.
Mas, já não me sinto capaz de despir.
Já não me sinto capaz de ser eu.
Ando com muito frio.
....
Um grande abraço para todos aqueles que sentiram nas entranhas as minhas linhas.
Foi de um enorme prazer privar convosco as minhas veias.
As minhas pulsações.
Para vocês o meu muito obrigado.

sábado, agosto 02, 2008

Desejo[s]

Há jogos perigosos.
Inquietantes.
Com sulcos.
Ando consumida.
Isto de muito rabiscar…

P.S.: Definitivamente temos que nos provar. Apeteces-me.

sexta-feira, agosto 01, 2008

Sim, eu sou estranha. E depois?


- A Filipa hoje não está muito normal.
- E quando é que ela está normal?
- Quando é Vanda.

Foi nas tascas, na mesa do lado.
Se eu tivesse respondido… responderia qualquer coisa da medula.
Mas, estou sem espinhas.


Boa noite.
Chamo-me Vanda Filipa.
Sou docente.
E nas horas vagas, procuro a indecência dos pensamentos, actos e omissões.
.
.
.

Estranha pessoa esta.

quinta-feira, julho 31, 2008

Calma??? Mas, quais calmas???

“Tem calma!”
Se há frases que me incomodam, esta é definidamente uma delas.
“Tem calma !”
Se soubessem o que esta merda de frase me irrita.
Uma frase com duas palavras.
Mas, essas duas palavras juntas… valho-nos Deus.
Então quando a bela da frase, vem acompanhada com aquele olhar.
Vocês sabem,
aquele olhar cáustico de “que fraquinha, tão nervosa por tão pouco.”
Mas, eles sabem lá qual é o meu pouco.
Nem pouco, nem muito.
É nada.
Não sabem nada.
E falam como se soubessem.
Como se soubessem o meu respirar.
Como se soubessem os átomos que me movem.
As células que me constituem.
Os parâmetros que me relincham.
Como se soubessem o que a palavra saudade tem para mim.
Como o amor, a amizade, o mar, a matemática, as letras, a pintura.
Como se soubessem a minha memória.
Como se soubessem o que me faz suar. Chorar. Gargalhar.
Como se soubessem alguma coisa.
Conhecem o que eu quero!
E o que eu quero para eles, é qualquer coisa como um simples moscatel acompanhado de um ventil.
Simplesmente. Nada.
Nada.
..
No máximo com duas pedras de gelo, s.f.f. .
É que ando cá com uma azia a tábuas rasas.

quarta-feira, julho 30, 2008

Take 2: Falemos de Sexo


As veias das orelhas saltam.
Mesmo aquelas que nem sequer existiam, tomam agora existência.
O sangue fica mais grosso, e passa a uma velocidade atroz por todos os membros.
As mãos acompanham o arrepio.
Um abalançar.
Ancas.
Sobe pelas ancas acima.
E balançam. Balançam.
Samba. Parece um samba.
Suor.
E as ancas continuam.
O pulso com todo o latejo.
E mais algum.
Os joelhos pedem mais.
Já vai na espinha.
E passa por cada amásio, cada membrana, cada beco do organismo.
As veias da orelha dão o ar da sua graça.
Pescoço.
Ombros. Novamente o pescoço.
Não vai ao cérebro.
Isto não passa pelo cérebro.
Tem via verde em cada ruela, travessa, ladeira do organismo.
Mas, no cérebro… no cérebro é que não!
Dá meia volta.
E vai para o umbigo.
Os pés dão aquele toque.
Os ouvidos dão aquele estalinho.
O sangue pára por um segundo.
E as ancas continuam o samba.

Isto é realmente uma coisa muito importante na vida dum ser humano.
Qualquer coisa mais que a espinha.
A puxar para o desmesurado.

terça-feira, julho 29, 2008

Falemos de Sexo.


Hoje vou sair da linha com que usualmente escrevo.
Falemos de sexo.
Mas, sem metáforas.
Falemos então de sexo.
Mas, daquele duro.
Puro e duro.
Do verdadeiro plofar.
Falemos então de encontros e desencontros.
Sem qualquer tipo de timidez.
Falemos de opiniões.

E a minha em relação ao sexo vai de encontro à opinião de 95% da população portuguesa: Sexo é bom e recomenda-se!
Os outros 5% são os pudicos.
Segundo os especialistas faz bem à pele, ao humor e em casos menos pontuais, à cárie dentária.
Pele. Humor. Dentes.
Por esta ordem.
Para haver sexo do bom, tem que existir aquele estremecer.
Não estou a falar do ‘durante’. Estou a falar daquele estremecer que antecede a tudo isso. Estou a referir-me aquele simples toque casual, aquele arrepiar de pêlo.
Aqueles toques em que uma pessoa tem que fugir, senão era mesmo ali.
Daqueles quando encolhemos os dedos dos pés, é desses arrepios que falo.
E esses arrepios são daqueles que não se explicam. Arrepiamo-nos com aquela pessoa, e ponto final. Não tem que haver cá justificações e merdas.
Tem que haver é Ousadias. Esfrega. Encaixes. Um 'aprochega-te'. Cafuné.
Na vida as coisas que nos marcam, são aquelas que nos arrepiam.
Que nos deixa inseguros, vulneráveis.
E o que nos arrepia nem sempre tem grande lógica, ou pelo menos, nem sempre tem a nossa lógica.
Mas, nessa coisa dos arrepios, lógica é coisa que nunca fez muita falta.
Seguindo a ordem, segue-se o humor.
Humor é sinal de inteligência, e inteligência é sinal de sedução.
Não me venham cá com tretas.
Um bom sexo tem que suceder a uma boa sedução.
O chega cá, e vai para lá.
O anda lá, e chegou para lá.
O olhar. Os movimentos. E claro está o arrepiar.
E no meio disto tudo o humor.
As pessoas tendem a esquecer do humor, é normal… hoje em dia pouco tempo há para humores… Mas, tenho para mim que o humor é verdadeiramente importante.
Dentes.
Seguem-se os dentes.
Gana. Tem que haver muita gana. Muito ranger de veias, de ossos, de todos os ossinhos do esqueleto.
Todos os ossos têm que estalar.
Caso falte sequer um por estalar, é porque não foi bom.
Têm que estalar todos até à última gota de suor.
Até ao derradeiro gemido.
Mas, quando sentimos que nunca estalamos os ossos todos, então é porque nunca tivemos o real sexo.
O genuíno.
Aquele verdadeiramente ‘viciante’.
De sugar todos os sentidos.
Daquele que apetece puxar o lábio até ao tutano.
Daquele que antes de o ser, já apetece puxar tudo e mais alguma coisa.
Explode as veias todas. As sanguíneas e as outras também.
O problema não é os homens. O problema não é as mulheres.
O problema é esse mesmo.
Colocarem problemas onde eles não existem.
Os homens gostam de sexo.
As mulheres gostam de sexo.
O que a malta esquece é da pele, do humor e dos dentes.
Do apetecível prazer de provar, o que nos coloca aquela aguinha na boca.
O problema é a veracidade. Ou a falta desta!
Ainda há aquele preconceito de admitirem que gostam que lhes abusem dos sentidos.
Sem qualquer tipo de justificações.
.
.
Como diria o outro:
"Cá merdas...."
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sábado, julho 26, 2008

Invisual


Era uma cidade fria.
Estavam quarenta graus à sombra.
Mas, fria.
Princípios do século vinte, México.
Pó. Muito pó. As casas de latão.
No fim da rua uma bicicleta. Daquelas pasteleiras… de cesto.
Duas crianças.
Uma dos seus oito anos, a outra não tinha mais que três.
Dois e meio, três anos.
Brincavam com seixos.
Amarelos.
Sim, agora que puxo pela memória.
Eram seixos. E eram amarelos.
Apontavam para o cesto.
Sem cor.
Como o céu.
Não era cinzento. Não era azul.
Era sem cor.
Como o cesto.
A de três anos ria.
De uma gargalhada contagiante.
A de oito apontava, fazia medições e mais medições, falava do vento e como este influenciava a trajectória do seixo, justificava-se.
E não acertava.
A de três, gargalhava. Fechava os olhos, sorria e pimbas… no cesto.
E a outra continuava com medições.
Cara amuada, dentes serrados.
Estavam quarenta graus.
A de oito, na sombra.
A de três, no sol.
E gargalhava, e acertava.
..
Por vezes é necessário descontrair, desligar o motor do barco, e ir na maré.
Puxar pelos sentidos, sentir o calor do sol e, simplesmente ir pelos outros quatro sentidos.
Como um invisual. Fechar os olhos, mas nunca o coração… e encestar.
Esperamos demasiado para fazer o que sentimos.
Esperamos pelas oito horas quando o sol já está no horizonte… e esquecemo-nos que ás três o sol está mesmo ali, nos nossos noventa graus.

O cesto sem cor?
Coloquem vocês a cor que quiserem…
..
Amanhece!

Convite

Convite em http://paraladomiocardio.blogspot.com/

segunda-feira, julho 14, 2008

Rabiscado à três pancadas na biblioteca (continuo sem a porra da internet)


Ando com uma força qualquer.
Não sei bem o que isto é.
Não é necessário saber uma definição de cor, para salteá-la.
Mas, ando com uma gana…
Daquelas ganas de ranger os dentes.
De abrir a boca e trincar até à exaustão…
Cada centímetro da realidade.
Dessa consistência que se diz verdade.
Cada milímetro. Mas, por inteiro.
Em cada abrir de boca sinto todos os dentes.
As gengivas ganham um sabor diferente.
Alterado.
Alterei-me ao sabor das minhas gengivas.
Sinto a língua em cada espuma.
Poro. E passa a boca toda.
Da garganta ao céu da nuca.
E sempre aquela saliva.
Vai ali tudo.
No meio da trincadela o medo passa a força.
O desprendimento. A robustez.
Um volume que hoje meço em metros cúbicos.
O que dantes, não passava de áreas em centímetros quadrados.
Ando cá com um guinche.
Qualquer coisa como um crocodilo.
Pele dura. Dentes afiados.
Não sei bem o que isto é.
Mas, ando com uma gana.
Daquelas ganas de ranger os dentes.
De abrir a boca e trincar até à exaustão.
Tudo.
Mas, tudo… numa só dentada.
Assim.
Sem mais nem porquê.
Simplesmente porque quero.
Porque me apetece.
Porque tenho dentes.

segunda-feira, junho 16, 2008

Texto rabiscado à pressa na casa do vizinho. Estou sem net.


Os toques são fabulosos.
E as expressões… essas, ai essas, não lhes ficam nada atrás.
Surpresa.
Reticências.
Espanto.
Um anda cá.
Mas, a expressão que eu adoro, é aquela… vocês sabem.
Quando dizemos que ‘não’.
E queremos é o ‘sim’.
È fabulosa.
O ser humano é realmente fabuloso.
Numa só face, mil expressões.
Um cento de manifestações.
Tudo.
Mas, tudo condensando num só toque.
Aquele toque.
E fingimos que não.
Como que se vivêssemos o amanhã do mesmo modo.
Como se o entardecer de hoje fosse igual ao de ontem.
É aquela impressão do momento.
Sensação de ramela.
Não lavamos hoje, lavamos amanhã.
Não pode ser.
O mar não é o mesmo.
E no céu, as nuvens já mudaram.
O vento sopra de outra maneira.
E que maneira esta de sentir as coisas estranhamente.
Como se aquele arrepio na espinha durasse para sempre.
É como ver um jogo de futebol.
Foi penálti.
E culpamos sempre o árbitro.
Nós.
Nós somos os jogadores.
O resfolegar é nosso.
Não basta o meio campo.
E a baliza não é o limite.
Porque para as expressões não existem limites.
Existem sim toques.
Toques de bola.
No ar.
No chão.
De pernas para o AR.
Viradinhos do Avesso. Toques.
Mas, toques.
Daqueles como os bifes, com uma leve pitada de rosmaninho.
A puxar para o picante.
Tocas?

terça-feira, junho 03, 2008

Lenço. Vermelho.

Rondava os anos 40.
Naquela altura ainda não havia semáforos, passadeiras, filas, buzinas.
Os poucos automóveis andavam ao sabor de uma qualquer brisa da capital.
Daquelas brisas raras, com sabor a Tejo.
As damas passeavam de sombrinha, os cavalheiros de bengala.
Os fatos eram pretos, e os colares de cristal.
Lá no fundo avistasse fumo.
É Outono. Cheira a castanhas.
Ele vinha de mansinho meio amarelo, como a folha da gazeta.
Ela corada, como a castanha embrulhada.
Subiram a Antero de Quental ainda meio ensonados.
Diziam eles, para se desculparem.
Na janela, a vizinha. De lenço vermelho.
Fumava uma cigarrilha. Cheirava a verniz.
Ela corada, pensava no que não foi.
Ele tímido, nunca chegou a mudar de passeio.
E a vizinha que largou o lenço, ainda hoje pensa nesse desdito.
De pensar o que se sente.
E de sentir o que não se diz.
.
Apeteceu-me!

segunda-feira, junho 02, 2008

Meia volta


Para cativarem-me tem que ser pelo sorriso.
As pessoas falam do olhar.
Mas, de que vale um olhar sem um sorriso.
Daqueles abertos, francos.
Que percorrem todas as veias.
Sem deixar nenhum órgão com sede.
Daqueles em que os joelhos tremem e pedem mais.
Mais.
E o sangue corre.
Dá meia volta. E torna a correr.
Daqueles que cabem lá o mundo todo.
E mais um bocadinho assim.
Um sorriso com um leve piscar de olho.
Um levantar de sobrancelha.
O queixo descaído.
Sorrisos.
Fico completamente atarantada com um bom sorriso.
Posso ter muralhas sem escadas.
Ás vezes sem nenhuma porta.
Mas, um bom sorriso.
Ai um sorriso, aniquila tudo.
Já são raros esses sorrisos.
Mas, é bom.
É bom quando ainda existem.
Fazem bem, e recomendam-se.

quinta-feira, maio 29, 2008

Abstraio-me ordinariamente de mim.
Para me esquecer de ti.


Dizia ela no telhado, enquanto acendia mais um ventil.

segunda-feira, maio 26, 2008

Bolso

Entrou no comboio.
Tinha um casaco verde-escuro, camisa branco sujo, gravata de cor discreta.
As calças estavam vincadas, como a testa.
Sentou-se, olhou pela janela. Lá fora um quase ninguém sem aceno.
Última chamada.
Olhou de novo. E partiu.
Verde. A paisagem era verde. Como aquela do Douro.
Mas, sem rio.
Á sua frente, um senhor calvo, mãos escuras.
Olhos de revolta.
Disse-lhe que precisava de saber quem era.
Ele que estava de olhos numa qualquer página de um conhecido clássico, não ligou.
O ‘mãos escuras’ insistiu.
“Precisa de saber quem sou.”
Tirou os olhos do livro.
Reticente.
O outro continuou:
“É como uma necessidade de atear fogo em mim mesmo.”
Ouviu-se um estrondo.
Uma qualquer pedra na linha.
“Existem pedras na nossa linha, ás vezes o problema não são as pedras mas, sim as linhas mal definidas.
As estruturas mal construídas.
As arestas mal limadas.
As mudanças não acompanham.”
E o clássico já não importava.
Ali estava ele, naquele comboio sem bilhete.
Naquela linha sem destino.
A ouvir um qualquer desconhecido a dizer que precisava de atear fogo em sim mesmo.
E não se calava.
“O que tem na mala, perguntou.”
Recordações, respondeu.
“No próximo apeadeiro deite a mala fora. Não espere pela estação, ela pode não chegar.”
Ele que até então estava de gravata… tirou-a!
Estava a sufocá-lo.
A estrangulá-lo.
A abate-lo.
E todas aquelas recordações, naquela mala cheia de autocolantes, sítios, pessoas, passagens, ora metade cheio, ora metade vazio.
O outro continuava.
“Um dia tive uma mala dessas, tinha um cinto castanho, eu apertava o cinto conforme as sensações, um dia apertei tanto tanto mas, tanto… que me esqueci de sentir, guardava tudo e no fim não vivia nada, hoje não tenho mala, tenho só este bolso… gosto deste bolso, é pequeno como eu… guardo o necessário para respirar..”
E o resto, perguntou.
“O resto dou ao vento.. “.
E saiu na próxima estação.
Ele era assim, de estações… as malas grandes só servem para apeadeiros.
Ainda hoje quando sinto o vento.
Lembro disso.
Não guardo, mas tenho um bolso que anda meio vazio.
Como as horas.

segunda-feira, abril 21, 2008

O Pernas está de férias.
Não por querer, pois ando esfomeada de 'escritas'.
Mas, estou sem internet.

Cuidem-se.
Vivam e Sorriam Sempre.

Até já.

terça-feira, abril 15, 2008

Tutanos

A vida é curta demais para tantos prazos,
os sentires são grandes demais para tantas ausências,
e os desejos são para serem tocados!
Lamento... mas, eu preciso de ser desejada,
preciso que puxem-me o lábio até ao tutano.

E foi assim à beira mar, que hoje pelas dezanove horas lhe disse um basta.
Um basta definitivo de quase dez anos de encontros e desencontros.
Há vícios que têm que ser curados.
Agora?
Agora que venha a ressaca!

segunda-feira, abril 14, 2008

Sardas


Um dia destes encontrei uma criança.
Era sardenta.
Estava sentada num degrau de musgo.
Tinha os calções amachucados pela brincadeira.
Os olhos vivos de tanta transpiração.
Roía as unhas e entrelaçava os cabelos.
Os joelhos estavam esfolados.
Disse-me que era da traquinice.
Dos sonhos vivos.
Que rasgam a pele, ficando nas bochechas em forma de sardas.
Assim quando sorri, as pintas fazem cócegas.
E assim vai coçando os sentidos.
Como forma de lembrança.
Dos tempos de jogar ás escondidas.
Ao i vai ai.
E ao pião.
Da roda viva de entrelaçar as mãos.
Um dia destes encontrei uma criança.
Era sardenta.
Tinha bochechas.
E sardas de papel.

quinta-feira, abril 10, 2008

Entre a cozinha e a Sala. O corredor!

A cozinha de mosaicos escuros estava demasiadamente limpa.
Limpa de gestos.
A sala cheia de pó.
Daquele pó enfadonho, que por mais vezes que passe o pano, ele não sai.
Fica. E vai ficando.
Entre os móveis. Debaixo do sofá.
Está em todo o lado.
Enfadonho. E sujo. Terrivelmente sujo daqueles gestos banais.
Melancolicamente limpo daqueles gestos, que se querem desiguais.
E ele veio pelo corredor.
Tinha as mãos nos bolsos e aquele olhar que nunca sabemos muito bem se é a verdade, se é a mentir.
Por vezes parece que tem tudo naquele olhar.
E noutro segundo caí a retina, e com ela qualquer esperança de veracidade.
Há pessoas assim!
Que passam pela nossa vida pelo corredor fora.
De mãos nos bolsos e nem sabemos de onde vêm.
E param, e falam connosco e ficam para sempre aqui bem aqui entre o miocárdio e a aorta.
Ficam na cozinha e dão-nos um qualquer alimento de renovação.
Depois vão para a sala, acomodam-se no sofá, e deixam cair aquele olhar com que nos apaixonamos.
Um dia levantam-se.
Passam pelo mesmo corredor já com as mãos levantadas.
E nós que temos as mãos cheias daqueles olhares.
Ficamos no átrio à espera que a campainha toque.
É.
Há realmente pessoas assim!
Mas, eu não gosto de átrios.
E muito menos de campainhas.
Sou mais do tipo artista.
De casas sem divisões e de gestos malabaristas.

segunda-feira, abril 07, 2008

Já agora, e assim como quem não quer a coisa

Hoje convidei um desconhecido para jantar.
Ele recusou.
Disse que tem medo do desconhecido.
Respondi, que agi por impulso.
Porque a vida é feita disso mesmo, de impulsos.
Já agora ó desconhecido.
Eu sou a estranha.
Uma estranha pessoa.
Esta.
Simplesmente isso.
E já agora, eu fui jantar.
E deixei a conta em teu nome.

sexta-feira, abril 04, 2008

Dois pontos travessão


Algures nos entretantos da existência.
Disse a loucura à eloquência:
- Estou espécie que agoniada da tua expressividade pacifica.
Prendes-me?

domingo, março 30, 2008

Rodopios

Março.
Mês número três.
Dois mil e oito é ainda tão novo, e já levou em apenas três meses de vida, quatro pessoas que gosto muito.
Sim, gosto.
Não é por irem embora que passo de ‘gosto’, a ‘gostei’.
Gosto.
E continuo a gostar.
Já não me recordo se escrevi aqui. Acho que sim.
Mas, repito: Todas as pessoas que passam na nossa vida levam um pouco de nós, e nós ficamos com um bocadinho delas.
Todos os seres humanos que passam na nossa vida não passam por passar.
Há um propósito, e seja ele qual for… ele ‘É’. E mais cedo ou mais tarde, sentimos esse ‘É’, seja na cabeça, seja no coração. Mas, sentimos!
Quando temos uma tristeza procuramos no passado algo que nos reconforte, algo que nos anime, alguma ideia, uma ou outra solução, ás vezes até uma frase de alguém que um dia ouvimos… que serve de alerta, de farol.
Tive três pessoas muito importantes na minha vida, naquela fase em que estamos a moldar a nossa identidade, naquela fase em que já não somos crianças mas, ainda não somos adultos, naquela fase em que temos medo de tudo, mas somos verdadeiramente destemidos para enfrentar as coisas de frente...sem medir o perigo, naquela fase em que o dia de amanhã parecia muito longe, naquela fase em que as veias são criadas e o coração acelera a cada mudança radical.
Naquelas fase em que criamos a nossa estrutura, aquela que nos fixa para sempre à terra enquanto pessoas que somos.
Todos os dias recordo essas duas pessoas.
Sinto saudades, muitas.
Mas, não troco essas saudades, pelo desconhecido.
Não troco nunca essas saudades, pela ausência total desses seres humanos nos meus dias.
Todas as pessoas têm saudades.
É um facto histórico, emocional e dizem os entendidos que antes disso tudo é um facto social.
Não sei.
O que eu sei é que a saudade é a palavra mais portuguesa de Portugal.
E se há um sentimento ao acordar, esse sentimento é a saudade.
Já falei aqui do meu avô.
Já falei aqui do Carlos.
Hoje falo de uma outra pessoa…
Acolheu-me aos treze anos e aturou-me até aos dezasseis.
Aturou-me naquela chamada fase estúpida.
Aturou a minha estranheza, estranheza essa que alguns não suportavam.
Ainda sinto o cheiro das torradas.
O seu cabelo grisalho.
O cadeirão em frente da velha televisão.
O sorriso.
Era tão pequenina, que eu conseguia pegar-lhe ao colo e dar meia volta, com ela sempre a resmungar para lhe colocar no chão.
Um dia dei-lhe um abraço muito forte, e disse-lhe obrigado por ter sido minha mãe naqueles dias.. e foram tantos dias mas, ela já não se lembrava de mim.
Já no fim da doença ela fez aquele gesto que eu costumava fazer-lhe.. o rodopio.
Já não falava mas, aí eu senti que ela lembrou-se e choramos as duas num longo abraço.
Foi o ano passado, e as pereiras estavam em flor.
Hoje foi embora.
Tenho saudades.
Perguntaram-me:
“Porque estás nesse estado.. ??? Recompõem-te.”
Ao que respondi:
“Porque naquela idade parva não foi contigo que eu estive, foi com ela que a minha estranheza viveu.”
Hoje choro duas mortes.
Quem sabe, até três.
Amanhã é outro dia. E isto tudo faz parte da vida.
Mas, mais que me apetecer, precisava de desabafar.
Boa semana.
E que rodopiem muito. ‘Chamem’ por aquelas pessoas que gostam, ‘peguem’ nelas ao colo e digam simplesmente… “obrigado por fazeres parte do meu metro quadrado”.
E mesmo que elas não entendam hoje.
Certamente que amanhã irá surgir esse sentir.
Um beijo meu para vocês em cada uma das vossas bochechas.
Outro especial na testa, em jeito de rodopio.

sexta-feira, março 28, 2008

Conjugação do verbo plofar. Presente do indicativo.


Hoje perguntaram-me se acreditava em almas gémeas.
Almas gémeas. Requer serem iguais.
Não. Nisso não acredito.
Acredito sim, no encaixe.
Creio mais nos pólos contrários.
Nos complementos.
Contrários mas, que se encaixam.
Que faz aquele Plof.
Retiro o que disse.
Retiro os contrários. E coloco apenas o encaixe.
Sim. É isso.
Definitivamente, é o encaixe.
Podem vir com aquela conversa da própria conversa.
Que dois seres humanos para serem as ditas ‘almas gémeas’ têm que conversar e só aí dão por isso que ah e tal.
Discursos.
Tem que haver aquele encontrão inicial.
Sem a típica busca de encontrar justificações para o desejo.
Como se o desejo precisasse de justificações.
“É pah mas, ele nem faz o meu ‘tipo’, nem tão pouco tem o meu modo de pensar..”
Tretas.
..
Aquela procura de olhares.
Aquele jogo de sedução.
Do gato e do rato.
Puxa para aqui, vai para ali.
É delicioso.
Não me venham com tretas, porque é realmente delicioso.
Plof. O encaixe.
Não estou a falar de sexo, orgasmos me(n)tidos e desmentidos.
Falo mesmo daquele plof de corpos.
Daquele perfeito encaixe. Que não sobra uma única brecha para correntes de ar.
Duas peças.
Um só puzzle.
Ou faz Plof ou não faz.
E sobre este assunto é o que eu tenho a dizer.

Eu plofo
Tu plofas
Ele Plofa
Nós plofamos
Vós plofais
Eles plofam.

quarta-feira, março 26, 2008

Tudo a Cru

Os dias querem-se livres.
Não no sentido de isentos de responsabilidades, de trabalho.
Livres naquela direcção da espontaneidade.
Da naturalidade.
Da impulsividade.
Livres.
Tenho fome de conhecer pessoas naturais, espontâneas.
Fome de pessoas que têm aquele ‘quê’ de impulsos.
De pessoas impulsivas, que de tão impulsivas chega a fazer remoinho nas sensações.
Aquelas pessoas que não estão habituadas a coisas delicadamente pintadas de uma qualquer cor previamente ensaiada.
Pessoas com a cor de pele.
Tenho fome de pessoas assim.
Que são o que são, e são pele. São suores. São lágrimas. São gargalhadas.
E tudo a tempo.
Sem pautas, sem compassos.
De improvisos melodicamente sensuais.
De horas, minutos, segundos.
De relógios de ponteiros.
A corda e a cordel.
Sem concepções coladas a estilos de vida fabricados.
Pessoas. Pessoas. Pessoas.
PESSOAS.
O que há de belo nas pessoas é o cru.
O rude.
Aquele ínfimo paralelismo que fica entre a garganta e o pensamento.
Pessoas roucas de tanto gritarem.
Pessoas que esbanjem sentimentos.
Pessoas que olham de frente, e que conhecem cada fio de sangue da sua retina.
Pessoas que estremecem com aquela música.
E dançam, e não têm medo de se abanarem.
Pessoas.
Com pestanas!
E despenteadas.

terça-feira, março 18, 2008

Game Over

Existem aquelas alturas em que estamos simplesmente nulos.
Em que nos sentimos uma nulidade.
Uma perfeita e redonda nulidade.
E nessas alturas de nada servem a palmadinha no ombro, o típico 'É pah tu tens valor, bla bla bla'... pardais ao ninho.
Podem dizer maravilhas. Não serve.
Não basta. E não serve.
Quando estamos realmente assim.
Redondos e nulos.
Precisamos sentir.
Sentirmo-nos seres humanos com veias.
Com pulmões.
Com massa muscular e cerebral.
Com pés, mãos e claro está, coração.
Precisamos sentir. Não ouvir.
De palmadinhas nos ombros nunca se fez nenhuma pessoa.
Ás vezes um abraço, pode ser tudo.
Mas, as pessoas ainda têm muito medo disso.
De abraços.
Tenho para mim, que do que realmente as pessoas têm medo, é de sentirem que encontraram o tal desgrenho.
Aquele estremeção.
E de não saberem, o que fazer com ele.
Sabem quando jogamos à sueca e batemos com o punho na mesa, porque temos a bisca?
Sabem?
È assim.
As pessoas têm as biscas mas, têm medo de arriscar. De jogar.
Esquecem que nem todos estão para a batota.
...Para palmadinhas nos ombros.
Há uma altura na vida, que é preciso esse punho.
Esse bater de mesa.
Pahhhhhhh
Aquela batida seca.
Pahhhhhhhhhh
Que nos faz acordar.
Pahhhhhhhhhh

Game Over!

domingo, março 16, 2008

quarta-feira, março 12, 2008

Menos. MUITO menos! s.f.f.


Cada vez estou mais convicta que o meu lugar não é na terra que me viu nascer.
E cada vez tenho menos pena de sentir isso.
As pessoas conseguem ser muito cruéis.
Pensam que sabem tudo. Que conhecem as pessoas. Que podem fazer juízo de valores.
Cansa.
Chega a um ponto, que simplesmente... enfada!
Desacreditam os outros, observam com aquele ar completamente opaco, e no fim não vêm é nada.
É uma pena. É realmente uma pena.
Mas, já não sinto pena nenhuma.

Como diria um dos meus amores: “Temos pena…mas, o clima está ameno!”

Não entendo é porque a minha temperatura anda a incomodar tanta gente.
Logo eu, que me aconchego à temperatura ambiente.

domingo, março 09, 2008

#300

È me extremamente violento ter sempre o mesmo pensamento.
Tenho uma vontade armadilhada.
Está agarrada.
Enfeitiçada por um qualquer acto libidinoso.
Preciso de um antídoto.
Sejamos sinceros, o problema não é o pensamento.
Mas, a brutalidade como este se manifesta.
É insano este pensamento.
Absurdo.
E por isso mesmo, libertador.
Mesmo assim, preciso de um antídoto.
Sabem aqueles orgasmos que ficam para sempre agarrados à pele.
Que ainda se sente o cheiro?
A brutalidade de que falo, é a mesma!
Com todos os espasmos, a que tem direito.
É violento este pensamento.
E ainda mais violento o insistir.
É.
Já sinto o cheiro!
Definitivamente, preciso de um antídoto!

terça-feira, março 04, 2008

Prazer(es) Snifados

O sigilo para uma boa disposição é snifar a vida até à última linha.
De nada vale reclamar com o fornecedor.
Muitas vezes ele vende farinha por cocaína.
Que é como quem diz, existência por vida.
Não é por reclamarmos que ele vai dar uma certa qualidade à coisa.
Solução: Mudar de fornecedor.
Procurasse aquele prazer.
Que nos suga os sentidos.
Ás vezes não é na ‘coca’ que está o gozo.
Mas, na busca quase insana desse mesmo prazer.
Como que uma ovulação ‘orgástica’.
Cujo feto se desenvolve a cada tremor.
O sigilo para uma boa disposição é snifar a vida até à última linha.
Seja lá qual for o fornecedor, não importa!
O que importa mesmo, é a gana com que damos a snifadela.
O suor a escorrer.
Começa na ponta da testa e segue pelo pescoço abaixo.
Até eriçar a orelha.
Os suores que não foram dados. Não são de modo algum para serem esquecidos.
Se continuam nas veias. É porque têm que ser dados.
Escorridos.
Exprimidos.
Até à medula!

domingo, março 02, 2008

Baratas Tontas

" Cara Estranha,
A vida moderna
Tem mais de moderna que de vida!
Queres comentar?
Um abracinho.
ZIGUEZAGUE. "

Comment by Anónimo sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008 11:00:32


O que são modernices?
O que são velhices?
No fundo é tudo uma questão de hábitos.
De ajustes, de ir na corrente.
Hoje em dia ir na corrente, é não falar do essencial.
Da verdade.
E limitarmo-nos a conversas banais.
Ao futebol.
Ao governo.
A se y sempre casou com x.
Cinema.
Programa tal.
Comida qual.
Hábitos.
Modernices.
As pessoas têm medo de se dar a conhecer.
De falar delas próprias.
De sentimentos.
De pensamentos.
De vivências.
De instintos.
De experiências menos rotineiras.
Costumes.
Costumes que saem sem querer da nossa retina.
E nós conscientes.
Deixamos.
Deixamos que essas modernices, tomem posse de nós.
Do nosso olhar.
Um dia disseram que as máquinas iam dar cabo de nós.
Nós é que damos cabo de nós.
Com este medo obtuso.
De sermos nós.
Apenas, nós.
Existem modernices.
Mas, antes de tudo, existe a Vida.
E essa… essa é que vale.
É que dita o rumo.
O fôlego.
Está na hora de respirar.
De nos despirmos de preconceitos.
E sermos. Apenas, Sermos!
Não somos baratas tontas.
Nem tão pouco coelhos,
para ir atrás de uma qualquer cenoura mal amanhada!
Somos conscientes.
Sendo que, está na hora.
Inspira.
Expira.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Desejos


Os desejos são como as caixas de velocidades.
Depois de posta a primeira mudança, o carro pede sempre mais.
O ponto morto. Não é desejo.
O carro não anda ao ‘relantim’.
E a pele não se encrespa sozinha.
Podemos ter não sei quantos carros.
Percorrer milhares de estradas.
Mas, existe sempre aquele que se encaixa.
Como um qualquer sinal de luzes.
Médios. Máximos.
Encadeia.
Carros.
São como os desejos.
Podemos ter muitos.
Mas, há só um.
Apenas um.
Que com um simples toque.
Nos eriça a pele!
Esqueceste?
Andas a conduzir com velocidades automáticas.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Agricultura




Existem sempre coisas mal resolvidas no passado.
Coisas essas que enquanto não forem resolvidas, inevitavelmente mais dia menos dia nos aparecem à porta.
Adiámos.
Fazemo-nos de fortes.
Ahhh o quê? Mas, isso já está mais que resolvido.
Dizemos nós de cabeça.
Já o coração, esse dita outra coisa.
Qualquer que seja a natureza da coisa por resolver.
Fica sempre aquela semente que foi mal regada.
Ou aquela árvore que deveria ser podada, e não foi.
Um pomar é pomar, porque tem que ser cuidado todos os dias.
Manhã após manhã.
Caso contrário seria, mato.
Um mato cerrado.
De tal modo cerrado, que nos impede de ver, de sentir, de farejar o que realmente importa.
E andamos por aí de mato em mato.
E esquecemos de regar, de pulverizar, de podar as nossas árvores.
De sentir cada ramo.
Cada tronco.
Pensar donde vem aquela raiz.
Porque foi ali colocada.
Donde ela apareceu e porquê.
Talvez seja o passo.
O passo maior para o nosso próprio auto conhecimento.
E sentirmos que afinal.
Ela foi ali posta por alguma razão, e que talvez a árvore não cresça enquanto não resolvermos essa tal… raiz.
Se ela está lá, então à que olhá-la de frente.
Sentir toda a sua textura.
Penetrar em cada veia.
E rendermo-nos ao inevitável… seja ele qual for.
Mas, que sentimos como nosso.
O meu avô era agricultor.
Ensinou-me a andar de bicicleta, de balouço e a vindimar.
E não há nada melhor do que sentir esse todo.
As uvas, nos pés descalços.
Desde o trincar da velha tesoura, à tina de madeira.
Se a raiz está lá, por alguma razão é.
Basta sentir onde a plantamos.
Como a plantamos.
Sentir o cheiro.
Farejar.
Conjecturar o sumo da colheita entre os dedos.
Somos todos agricultores.
Mais que não seja… das nossas ideias.
E é o que eu penso sobre isto.
Até amanhã.
Agora ide. Ide farejar a vossa… raiz.

sábado, fevereiro 23, 2008

Vestimentas



A vida só é vida com espantos.
Se eu quiser colocar um anel no pulso, coloco.
Se por outra, me apetecer pôr uma pulseira no dedo, ponho!
O colar pode ser nas pestanas.
As meias na cabeça.
As calças nos braços.
A camisola nas pernas.
A vida é vida.
Porque nos espantamos.
Porque evoluímos.
Porque somos responsáveis.
Mas, malucos.
Porque somos todos diferentes.
E sabemos viver com essas diferenças.
Porque aprendemos.
E todos os dias.
Todos os dias nos espantamos.
E abrimos os olhos.
E fazemos aquela cara de: ohhhhhh
Ahhhhhhh ohhhhhh
Espantos!
Como aquele relógio do tornozelo.
Que faz tic tac
Tic tac
A cada passo que damos.
A cada respiração.
Que não pára a cada espanto.
Mas, pode marcar-nos de um modo diferente.
Começando no Tac.
E acabando no tic.
Ohhhhhhh Ahhhhh ohhhhhhhh
Espanta-te.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Antagonismos


O que é viver?
Perguntou-lhe ele ironicamente.
Real gana.
Respondeu ela sem o ‘mente’.
Hã?
Viver é real. De nobres sentidos.
Gana.
De âmago.
De interstícios descabidos.
O que é viver?
Perguntou-lhe ela sem o ‘irónico’.
É o que é.
Mentiu ele sem qualquer tipo de fome.


Ela: Os nossos desejos
Ele: Os nossos medos

terça-feira, fevereiro 19, 2008

C(S)em kilómetros.

7h30 da manhã.
Chuva. Trovoada. Névoa.
Força bruta da natureza.
Água por todo o lado.
Quilómetros de fila.
Trânsito.
Loures envolto em água.
No carro ao lado uma criança chorava.
A mãe nervosa tentava a acalmar.
No carro da frente uma senhora de idade avançada.
Encostou. Tiveram que a ir buscar.
Lá mais à frente não travaram.
Choque imediato.
O rio Jamor corria a uma velocidade atroz.
Não havia semáforos.
Trovoada.
E a criança chorava compulsivamente.
No meio disto tudo.
Um ou dois carros de uma escola de condução.
O Pedro Ribeiro da Comercial insistia em dar notícias do trânsito.
Pedras.
Pedregulhos no meio da marginal.
Parecia que o comboio podia a qualquer momento saltar para o asfalto.
O Tejo com cor baça.
Ondas desconcertadas.
E aquela criança sempre no carro da frente.
Pensei na senhora que ficou lá atrás.
Na RFM diziam para as pessoas não saírem de casa.
Culpavam a Maria Elisa do programa da noite anterior.
Vento. Ramos de árvore.
Duas mortes. Um desaparecido.
A natureza é mãe.
Mas, quando quer é tão madrasta.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Entre poros e entranhas. A Alma.


Sabem aquela parte a seguir aos olhos,
Como quem vai para as bochechas.
As chamadas olheiras?
Eu chamo a ‘parte de alma’.
É como se a nossa alma se alojasse ali.
Podemos rir. Chorar. Ou sorrir.
Não interessa.
Ou por outra, interessa.
Mas, aquela parte.
Ah aquela parte diz tudo.
È como a identidade de uma árvore.
Cria raízes.
E ficam, ficam, ficam.
Sinto como se a minha alma estivesse solidificada ali.
Naquela parte.
Como se ganhasse uma forma palpável.
Dói me a alma.
Dói me tanto a alma.
É uma qualquer coisa que vem das entranhas.
As veias do pulso explodem. Detonam.
Os dedos dos pés encolhem.
Comprimem a lucidez.
Os ombros balbuciam.
Poros. È uma qualquer coisa dos poros.
Range. E range. E torna a ranger.
Chega a doer a ponta dos cabelos.
Aqueles ossinhos entre os dedos e a palma da mão ficam vermelhos.
Serro os dentes.
E range. Range.
É uma qualquer coisa que sai da ponta dos meus dedos.
Parece que salta as unhas.
E solidificasse ali.
Como plasticina.
Ganhando aquela forma. De olheiras.
Sabem aquela parte a seguir aos olhos,
Como quem vai para as bochechas?
A minha alma está lá.
Trancada.
Entre poros e entranhas.
Solidificada.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Parir


Costumo escrever assim.
Sem pensar quem lê.
Quem sente.
Escrever.
Escrever.
A sentir.
Mim.
Não é um acto egoísta.
É apenas o meu modo.
De.
Ser.
Mas, hoje.
Hoje é directamente para vocês.
Uma pergunta.
Tenho uma questão para vós.
Todos criamos defesas.
Ao longo da vida todos criamos as nossas defesas.
Seja no trabalho.
Seja na familia.
Seja nas amizades.
Em conhecidos.
Em relacionamentos.
Tudo.
Em tudo criamos defesas.
Sabemos exactamento o ponto em que as criamos.
Em que decidimos que devemos seguir esse espermatezoide.
Fecundando o óvulo da razão, e surge.
E parimos assim as defesas.
Parimos assim aqueles muros, mais ou menos íngremes.
Mas, criamos.
E devemos a nós próprios o crescimento dessas mesmas defesas.
Se elas crescem mais ou menos robustas.
O problema é nosso.
A responsabilidade é unicamente nossa.
Se elas nos defedem.
E até que ponto nos defendem.
A minha questão é:
Até que ponto essas mesmas defesas não são nossas inimigas?
...
Esta merda anda na minha cabeça vai para dias.
Demasiados dias.
Muitos dias, aliás.
...
Muros.
Como degraus.
Mas, ao contrário.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Descarnada

Alma inconsciente.
Actos insanos.
Dizem alguns de boca cheia.
Nem tudo gera implicação, digo eu.
Tudo o que realizamos com sentido, tem um quê qualquer de insano, de inconsciente.
Uma obra de arte, é arte... porque transpira a insano.
Porque esgota.
Esgota a consciência.
Alma cheia.
Sentidos descarnados.
Toda a obra de arte é selvagem.
Como aqueles olhares que se procuram.
E nunca se tocam.
A paixão é assim.
Como a realidade. Aquela.
Que se quer primitiva.
Bruta.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Um dia destes...


- Tenho saudades tuas.
- Não, não tens saudades minhas.
- Tenho. Estou a dizer-te que tenho!
- Não. Tu tens saudades é de ti. De como tu eras comigo.
- E isso não é ter saudades tuas?
- Não. Isso é ter saudades nossas. Eu tenho saudades nossas.
Estou todos os dias comigo. Estou de quando em quando contigo.
Mas, nunca estou connosco. Tenho saudades nossas.
- De rir contigo.
- Sim.
- Tenho saudades tuas.
...
De gargalhar.
- Um dia destes atreve-te. Espanta-te. Surpreende-me. A dizer. Anda cá.
- E eu vou. E mesmo assim, irei ter saudades tuas.

sábado, fevereiro 02, 2008

Assumo: Sou uma puta!


O ser humano é uma puta.
Uma puta do Tempo.
O tempo é o xulo.
E nós putas inteligentes que somos.
Temos que tirar partido do Tempo.

E viver até cair de cu.
Seres humanos que se presem.
Ide.
Ide todos levar no cu.
Ide Viver s.f.f.