
Tinha um chapéu castanho, com uma fita preta.
Os óculos graduados davam-lhe à face um ar desordenado.
Estupidamente encantado.
De vez enquanto moldava as astes nas orelhas.
Ficavam a modos que eriçadas.
Encrespadas.
Gostava quando ele tirava os óculos e mostrava as pestanas.
Eram negras. Incrivelmente pretas.
E num gesto tirava o lenço.
Daqueles bordados a ressentimentos.
Pareciam cicatrizes.
E tirava o lenço sempre do bolso esquerdo.
No direito estavam os sonhos.
Embrulhados em papel de jornal.
Do outro lado da rua vivia uma personagem.
Tinha um chapéu castanho, com uma fita preta.
E era canhoto !
....
7 comentários:
Nossa...o vi assim nitidamente!!
Muito bom!! Beijos!
Tinha a barba desaprumada e umas sobrancelhas carregadas?
Um olhar de quem não conseguiu apanhar boleia da Vida, mas não deixou de viver?
Pois. Estou a ver. Estou mesmo.
Vim deixar um beijo e votos de um bom fim-de-semana!
Não é o esquerdo,
Que lhe confere o "torto",
Não é o ser canhoto,
Que lhe desvia o caminho,
Não é a mão,
Não é o bolso,
Não é o lenço,
É o movimento.
É o esquerda-para-a-direita,
Negação do "normal",
Negação dos sonhos,
Negação da vida,
Os ressentimentos,
As cicatrizes...
Não é o canhoto,
Não é o bolso.
Strange One,
Que mais te posso eu dizer,
Que ainda não tenha dito?!?
Excelent, as usual!
Beijo e bom fds.
...o direito nem sonha tocar...
adorei
Singelo!
era um estranho... à vida...
Bjx
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