segunda-feira, julho 10, 2006

Insana [mente]



[Nascer do Sol - Serra de Montejunto, 9 de Julho de 2006]

Hoje li isto:
"O importante não é o que tens na vida mas, sim quem tens na tua vida!"

E quem temos nós, na nossa vida?
Existem aquelas pessoas que nós não escolhemos... mas inevitavelmente fazem parte de nós.
De nós não.
Do que está para lá de nós.
Mas, vistas bem as coisas... fazem parte de nós.
Porque nós somos tudo.
Tudo o que vemos.
Tudo o que olhamos.
Tudo o que caminhamos... pensamos.. vivemos.
E se 'elas' estão no nosso caminho.... então, é porque fazem parte de nós.
Essa 'parte' é que pode ter mais ou menos peso dentro de nós mesmos.

E depois existem aquelas pessoas que encontramos por mero acaso.
Seja no trabalho.
Seja na mercearia da esquina.
Seja no centro da praça.
Seja no café.
Seja numa qualquer portagem.
Algumas dessas pessoas 'entranham-se' em nós.
'Entranham-se' mesmo.
E não sabemos porquê.
Nem porque não.
Porque afinal de contas, apareceram por mero acaso.
Assim.
Sem pedir licença.

E sem pedir licença por cá ficam.
E nós que não sabemos muito bem lidar com o acaso.
Distanciamo-nos.
Não por cobardia.
Não por medo.
É por outra coisa qualquer.
Talvez seja.
Isso.
O seja.

E depois é assim.
A vida passa por nós.
Em vez de nós passarmos pela vida.
Insana mente pensamos que amanhã o seja.
E amanhã não o seja.
Porque insana mente custa a crer que o acaso é isso mesmo.
Simplesmente o acaso.

Tudo isto não faz qualquer tipo de sentido para vós.
Mas, cruelmente hoje faz todo o sentido para mim.
Porque insana mente hoje sinto lucidez.
Absurdo?
Talvez.
Mas, que seja mesmo absurdo.
Porque de outro modo não faria qualquer sentido.

E assim, faz?



6 comentários:

Bruno Tavares disse...

Olá,

Como não tenho jeito nenhum para escrever (talves para outras coisas :() deixo um poema:

Viver sempre também cansa!
O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul,
ora é cinza, negro, quase-verde...
Mas nunca tem a cor inesperada.

O mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.

As paisagens também não se transformam.
Não cai neve vermelha,
não há flores que voem,
a lua não tem olhos
e ninguém vai pintar olhos à lua.

Tudo é igual, mecânico e exacto.

Ainda por cima, os homens são os homens.
Soluçam, bebem, riem e digerem
sem imaginação.

E há bairros miseráveis, sempre os mesmos,
discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe, automóveis de corrida...

E obrigam-me a viver até à Morte!

Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois,
achando tudo mais novo?

Ah! se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima de um divã
com a cabeça sobre uma almofada,
confiante e sereno por saber
que tu velavas por mim, meu amor do Norte.

Quando viessem perguntar por mim,
havias de dizer com o teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
"Matou-se esta manhã.
Agora não o vou ressuscitar
por uma bagatela."

E virias depois, suavemente,
velar por mim, subtil e cuidadosa,
pé ante pé, não fosses acordar
a Morte ainda menina no meu colo...

José Gomes Ferreira


Porquê que eu acho que se sente assim, e eu estou tão longe???

Cordialmente,
Bruno Tavares

Estranha pessoa esta disse...

Bruno Tavares,

"Porquê que eu acho que se sente assim, e eu estou tão longe???"

O poema.
Um espelho.

Obrigado.
Não sei como.
Mesmo já o tendo lido...encontrei algumas respostas nele.

E estar longe. É isso mesmo.
E fazendo um paralelismo: É como quando o ser humano tem necessidade do distanciamento de certa realidade, para a sentir melhor.. ou pior!

Guilherme disse...

Obrigado pelo apoio ;) És sempre bem vindo ao meu blog.
Abraço

Guilherme disse...

obrigado pelo apoio ;) Serás sempre bem-vindo ao meu blog =)

Guilherme disse...

obrigado pelo apoio ;) Serás sempre bem-vindo ao meu blog =)

Estranha pessoa esta disse...

Guilherme,

Obrigado pelo comment...
Mas, é bem-vinda!
heheh

:P