quarta-feira, maio 03, 2006

Qual é a tua maçã ?


Liguei agora aquele aparelhómetro que dá pelo nome de televisão.
Oiço um anúncio de uma conhecida marca de refrigerantes:

"Um aplauso para todos aqueles que se atrevem!"


Aplausos.... para todos aqueles que se atrevem....
Silêncio!

Contemporaneamente são poucos aqueles que se atrevem.
Atrever, atrever mesmo!
Como dantes, naqueles dias ensolarados em que se subia à árvore junto do marco da escola para comer uma maçã, tendo como grito de fundo a voz rouca da professora nortenha da 3º classe!

Hoje ainda existem dias ensolarados.
Ainda existem dias assim.
Não existe é atrevimento.
Atrevimento!
Puro e simples atrevimento.

E porque com o atrevimento (ou com a ausência deste) existe o medo.
Paralelismos.

Nesses dias ensolarados não existia o medo.
Não havia tempo.
Agia-se e pronto.
E bastava.

Hoje pensasse muito.
E age-se pouco.
Cautela?
Não sei.
Cobardia?
Talvez.

Ainda existem dias ensolarados.
Eles continuam cá.
Aqui.

Dantes era só subir à tal árvore.
Sabíamos que um ramo podia quebrar.
Sabíamos que a queda seria grande.
Mas estava lá a maçã.

Ainda existe maçã.
Mas, existe o medo... de cair.
E dos dias ensolarados não terem horas suficientes.
Ou por outra... de terem horas a mais.

Nesse tal pomar, existiam maçãs no chão.
Mesmo ali, à mão de semear.
Mas, não!
Subíamos a arvóre.
Porque o que está à mão de semear não tem, nem nunca teve, muita graça.

E hoje?
Se sabemos que continua a não ter graça as maçãs que estão no chão.
Porquê não subir a árvore?
Assim nem as maçãs do chão... nem as maçãs dos ramos.

Um aplauso para todos aqueles que sobem a árvore.
Um aplauso para todos aqueles que se atrevem a quebrar um ramo.
Um aplauso para todos aqueles que não ficam pura e simplesmente a olhar a maçã.

E tu?
Qual é a tua maçã?

5 comentários:

Anónimo disse...

A minha “maçã”

Senti o seu sabor … mas só fiquei com o seu aroma.
Esse ficou… mas nunca mais o senti.
Penso nele às vezes…
Ou mesmo quando vagueio pela rua…
A contemplo os que a têm!

Penso que as “maçãs” estão demasiado elevadas
para lhes abeirar novamente ou.. terei eu perdido forças para as atracar?
um misto das duas … talvez
As maçãs …
Já abarquei as “maçãs” que consegui lutar por residirem mais a finque ou mesmo pelo desafio que me cobraram.

Mas há uma maçã que me foge…

kiko

Anónimo disse...

A minha maçã é diferente dessa! A minha maçã não estava á mão de semear, ou á distância de uma trepadela... No entanto e num sentido metaforico sinto que ela ainda existe, mas sem duvida que entre mim e a maçã existe o medo de cair e me magoar!

Mas por vezes, ao relembrar o seu aroma e nectar sei que afinal ainda sou capaz de trepar uma arvore, correr o risco de galho se partir mas mesmo assim querer colhê-la!

Deixamos muitas vezes a saudade de provar novamente essa maçã, ganhar ao desafio de ir em busca dela e prova-la de facto!

Acho que se devia, sem duvida arriscar a queda! Arriscar o quebrar do galho! Até porque mesmo que este se quebre ou se cairmos, poderemos ter a sorte de ainda ter tido tempo de apanhar a maçã. Certamente o sabor dela será bem mais apreciado!

Mais uma vez, um grande texto teu!

Cat

renata disse...

Não me vou alargar no comentário, até pq após passar os olhos pelos teus textos, sei que nunca iria conseguir estar á altura no que quer que fosse que aqui escrevesse!
Quanto á minha maçã, essa, ainda não tive coragem para a apanhar, é o medo de subir sim , mas sobretudo o medo de cair !

Parabéns pelo texto, é só mais um pedaço da tua arte

Estranha pessoa esta disse...

Cat e Renateca,
Obrigado pela vossas palavras de elogio ás minhas linhas e entrelinhas.

Não gostei foi de ler:
"sei que nunca iria conseguir estar á altura no que quer que fosse que aqui escrevesse!"

Sente.
Respira.
Escreve.
Flui.

Um abraço enorme para as tuas **


Kiko,
"Senti o seu sabor … mas só fiquei com o seu aroma."

Sorri! Há quem nunca tenha chegado a sentir sequer o sabor! :)
**

Anónimo disse...

eu prokuro por tdu u lado a minha nao sei onde anda!! sekalhar esta mesmu aki ao lado e eu nao a veju ou entao nao a kero ver!!! provavelmente tenhu medo de cair e esse medo torna se numa lente que nos desfoca a realidade e que quem sabe nao nos deixa a felicidade correr pelas nossas veias!! mas sim tenhu esperança que virá o dia da maça e aí poderei saborea la e quem sabe perder o mesdo...