quinta-feira, setembro 21, 2006

Desalinhamento

[Serra de Montejunto, Agosto de 2006, FF]


Existem pessoas que têm a mania de quando andam assim desalinhadas, pegam na bíblia e lêem uma qualquer página.
Assim.
Ao calhas.

Eu tenho a minha 'bíblia'.
Empoeirada.
Um pequeno livro de linhas de Pessoa... o grande Fernando.

Hoje.
Hoje ando desalinhada.
Muito.
E porque o hoje é assim a puxar para o ontem e depois.
E para o amanhã e o anteontem.

Abri.

E calhou isto:

"Matar o sonho é matarmo-nos.
É mutilar a nossa alma.
O sonho é o que temos de realmente nosso,
de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso."
Fechei.
P.S.: A imagem? É este meu desalinhamento. Mesmo. Isso.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Postais de Novalis

Andava em deambular por aqui quando li isto.
Eu não sei definir o que pendem.
Não sei.
Não por não querer.
Não por não sentir.
Simplesmente, não sei.

Nunca escrevi sobre isso.
E raramento escrevo essa palavra.

Tudo o que escrevemos, sentimos, fazemos, vemos, observamos, com pregas sem pregas, sublinhado por sublinhar tem isso.
É vento.
Sempre.

Como não sei definir.
Deixo aqui linhas que escrevi em tempos..
Pois, para mim é isso.
Maças!

Liguei agora aquele aparelhómetro que dá pelo nome de televisão.
Oiço um anúncio de uma conhecida marca de refrigerantes:

"Um aplauso para todos aqueles que se atrevem!"

Aplausos.... para todos aqueles que se atrevem....
Silêncio!

Contemporaneamente são poucos aqueles que se atrevem.
Atrever, atrever mesmo!
Como dantes, naqueles dias ensolarados em que se subia à árvore junto do marco da escola para comer uma maçã, tendo como grito de fundo a voz rouca da professora nortenha da 3º classe!

Hoje ainda existem dias ensolarados.
Ainda existem dias assim.
Não existe é atrevimento.
Atrevimento!
Puro e simples atrevimento.

E porque com o atrevimento (ou com a ausência deste) existe o medo.
Paralelismos.

Nesses dias ensolarados não existia o medo.
Não havia tempo.
Agia-se e pronto.
E bastava.

Hoje pensasse muito.
E age-se pouco.
Cautela?
Não sei.
Cobardia?
Talvez.

Ainda existem dias ensolarados.
Eles continuam cá.
Aqui.

Dantes era só subir à tal árvore.
Sabíamos que um ramo podia quebrar.
Sabíamos que a queda seria grande.
Mas estava lá a maçã.

Ainda existe maçã.
Mas, existe o medo... de cair.
E dos dias ensolarados não terem horas suficientes.
Ou por outra... de terem horas a mais.

Nesse tal pomar, existiam maçãs no chão.
Mesmo ali, à mão de semear.
Mas, não!
Subíamos a arvóre.
Porque o que está à mão de semear não tem, nem nunca teve, muita graça.

E hoje?
Se sabemos que continua a não ter graça as maçãs que estão no chão.
Porquê não subir a árvore?
Assim nem as maçãs do chão... nem as maçãs dos ramos.

Um aplauso para todos aqueles que sobem a árvore.
Um aplauso para todos aqueles que se atrevem a quebrar um ramo.
Um aplauso para todos aqueles que não ficam pura e simplesmente a olhar a maçã.
E tu?
Qual é a tua maçã?

Seja um sorriso.
Uma criança.
Um gesto.
Um olhar.
Um tempo.
Todo o tempo.
Seja por homem, mulher, cão, gato.
Seja aqui.
África.
Pão.
Na esquina.
Com amigos.
Desconhecidos.
Seja um pousar.
Um salto.
Seja apenas e tudo.
Que seja isso.

Maçã!

domingo, setembro 17, 2006

C[S]em + 1

Sem mais um caminho.
Uma largada.
Uma corrida.


100 + 1 andar.
Passo.
Parar.


1oo + 1 olhar.
Emoção.


100 + 1 dia.
Noite.
Escura. Clara. Talvez.

100 + 1 choro.
Olho.
Vejo.
Perco-me.

100 + 1 parede.
Muro.
Isto.
Entender.

100 + 1 impulso.
Soluço.

Amanhã.
Quero
Com mais um impulso.
Noite. Escura. Clara. Talvez.


Isto a propósito de mim.
Isto a propósito deste ser o post nº 101.
Isto a propósito do respirar.
E pronto.
É isto.
Talvez.



Notazeca de rodapé: O ÓOO FAZZZ FAVORRR continua em negociações. Arigatô ;)

sexta-feira, setembro 15, 2006

Soluço o impulso? Ou... Impulso o meu soluçar?

[Quarteira, Agosto de 2006, FF]

- O que é isso?

- Isso o quê?

- Esse nome... que tens aí?

- O quê: Soluço ?

- Sim. Tens esse nome aí porquê?

- Soluças quando?

- Quando me engasgo... sei lá.

- Exacto.
Ando engasgada.

- De quê?

- De impulsos.
A bicicleta?

É como os soluços.

Ou será.. como os impulsos ?

Ás vezes tem travões... outras não.

Outras o pneu furado... quiça apenas despejado.

Noutras o banco está lá em cimaaaaa... e não chego com os pés no chão.

Nessa altura tem travões?

Não sei.

Não estava com soluços.

Foi um impulso.

Então quando estava depejado não andaste de bicicleta porquê?

Não sei.

Soluço.

.

E o volante?

Soluça? Ou ... Impulsa?



quinta-feira, setembro 14, 2006

P.S.2


Tenho um enorme galo.
Mesmo no meio da cabeça.
Daqueles galos que nem com gelo lá vai.

E galo porquê?
Porque não galinha? Pinto? Pato?

Ou quando metemos o chamado pé na poça.. e alguém diz: "É pah 'ganda' galo!"
Mas, é galo porquê??
Porque não coorderniz? Cisne? Pardal telhado?


Mas, isso agora não interessa nada.
(E o que vou escrever a seguir, ainda menos interessa.. mas, cá andamos)
A verdade é uma.
Este galo.
GALO.
Não me saiu do alto da pinha.

E é pinha porquê?
Porque não pinhão? Figos? Castanhas?


Ás vezes dizem-me que ele cá anda, porque eu não coloco gelo suficiente.


(Um aparte: E é 'cá anda' porquê? Se ele está estático...?? Continuando..)

Eu coloco gelo.
E muito, até!
Mas, creio que o mal não é do gelo.
Nem tão pouco do galo.
Creio somente que ele existe para me lembrar.
Para me lembrar.. de mim!

Talvez seja isso.
Não sei.
É muito capaz.
...





P.S.: Não se esqueçam da bela da sugestão no Ó faz favorrrr. S.f.f. Obrigado. :)
P.S.2: Espero que não me deixem de visitar após lerem este post altamente minado de devaneios.
P.S.3: Agradecia que o P.S.2 fosse levado a sério... e já agora que o post também. Obrigado.

quarta-feira, setembro 13, 2006

Ó faz favorrrrr

Isto é assim.
Hmmmmmmm
Como direi isto.

Isto é assim.
Eu sou uma 'tesa', e não há que andar com rodeios.
Sou uma 'tesa'.
Mas, como qualquer 'tesa' que se preze.
Quero ir de férias hehehe
Também sou filha ou enteada ou sei lá, de Deus.

E posto isto, o problema que surge é:
Onde vai uma 'tesa' de férias?

Daí, este maravilhoso post.
Ora bem, eu preciso de respirarrrrrrrrrrrrrr...
Ver caras novas.
Dançar ao som de uma qualquer dança de uma qualquer ruela perdida por aí.
Sentir uma qualquer calçada.
Ouvir um qualquer murmúrio.

O que eu quero mesmo é desanuviar o sistema nervoso.

E porquê o "Ó faz favorrrrrr" ???
Porque preciso dos vossos conhecimentos e olhares de viajantes :P (nota: A opinião de um milionário e afins não me interessa minimamente obrigado)
Portugal? Sim.
Algarve? Não.
Espanha? Sim.
Espanha cara e longe? Não.
Mais longe que Espanha? Sublinho: Sou 'tesa'.



Aguardo ansiosamente as vossas sugestões, amigos e colegas 'tesos'.

Atenciosamente,
A 'tesa' mor.



terça-feira, setembro 12, 2006

EsPaNtOs


" É proibida a entrada
a quem não andar espantado
de existir. "
José Gomes Teixeira

segunda-feira, setembro 11, 2006

Trapézios

[Dagorda, 10 de Setembro de 2006, FF]
Por vezes vemos trapézios.
Trapézios soltos.
Trapézios amarrados.
Trapézios.
Por vezes caminhamos nos soltos.
Paramos nos amarrados.
E olhamos de 'revés'.
Trapézios.
Seja no que for.
São trapézios.
Encontramos aqui.
Avistamos ali.
Trapézios.
Por vezes dão gana de correr neles.
Noutras, de estar apenas a olhar.
Pensamos o quê?


Porquê tanto tempo na resposta?
E então?

domingo, setembro 10, 2006

CaLçAdA


Vai e vem.
Assim sem saber.
É um vai e vem.
Dizem que é inamovível.
É vai e vem.
Como calçada.
Calçada desconexada.
Meio 'desingonçada'.
Parece que....
Vai e vem.
Pedras limadas.
Outras por limar.
Falhas?

sábado, setembro 09, 2006

Ou até se não puder ser...

[Montejunto, Agosto de 2006, FF]


O que há em mim é sobretudo cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos






Estou.
Ando.
Deveras cansada.

É este cansaço.
Mesmo este.

[Parque dos lápis - Cadaval, Setembro de 2006, FF]

sexta-feira, setembro 08, 2006

Numerologia

Para variar insónias.
E depois de ler o que tinha para ler (já agora partilho a leitura: Da falsificação de Euros aos Pequenos Mundos de Jorge Buescu).
E de visitar alguns dos 'cantinhos' usuais.
Eis, que vou ao 'cantinho' da Lúcia, e vejo isto.
Por curiosidade aqui fica o que a numerologia diz do meu desassossego ;)
Um bom fim-de-semana para todos...
Vivam o vosso sorriso. **

Signo: Capricórnio
Planeta regente :Saturno
Elemento :Fogo
Número de Ambição : 7
Número de Personalidade : 6
Número de Expressão: 4
Número de Destino: 5

Segundo seu dia de nascimento.....

Na numerologia, este é considerado um grande aniversário. E um dia que tende a te levar perante o público, pois você e uma pessoa intuitiva e idealista, com fortes qualidades de liderança.
Desgraçadamente, você e inclinado a melancolia e volubilidade, por causa de seus fortes sentimentos; com você, o bem e sempre o muito bom, e o mal e sempre muito mau.
Você vive numa gangorra emocional, não sendo assim de convívio fácil, nem fácil de entender.
Os interesses fora de seu trabalho podem ser um conforto e te ajudar a se manter num estado calmo e sereno.
Precisa de uma válvula para seu senso artístico e dramático, talvez escrevendo, ou pela música. Pode ser tremendamente bem sucedido se outros fatores de seu numeroscópio concordarem.

A sua ambição é ....
Gosta de paz, silêncio, ter tranquilidade e profunda comunhão com seu interior.

Você é...
Extrovertida, simpática, exerce grande atração, afeto e diplomacia.
Mas é conservadora em suas ideias e pontos de vista. E idealista e romântica.

Segundo seu número de Expressão....
Enfrentando sempre limitações e restrições bem definidas, mas sua poderosa força de vontade e determinação, juntamente com sua imaginação criadora, te permitem ultrapassar os obstáculos e alcançar o sucesso. A luta é sempre um estímulo.

Segundo seu número de Destino ...
Ser alguém experiente e inovador.
Você jamais será alguém preso a trilhos, pois o seu caminho é o da liberdade, da mudança, da variedade, das viagens e da adaptação as dificuldades da vida.
Você deverá aprender a caminhar corretamente dentro da liberdade.
Sempre que você pensar que alguma coisa é permanente, logo em seguida descobrirá que isto não é verdade.
Contudo, você não deverá mudar pelo simples prazer da mudança, julgando que a grama do outro lado do muro é sempre mais verde.
Aprenda línguas estrangeiras, mantenha-se alerta a tudo o que esta acontecendo, acompanhe a evolução do mundo, procure novas aventuras e caminhos nunca trilhados e encare as coisas com pureza. Aplique sua capacidade e faça com que as coisas sempre caminhem no sentido de progresso.
No mapa numerológico, você e alguém progressista, mas não negligencie suas raízes.
Se você for uma pessoa preparada para mudanças e para viver plenamente e se souber enriquecer sua existência com as experiências da vida, então terá seguido plenamente seus padrões. Evite fantasias e auto-indulgencia. Seja alguém responsável e não se descuide do dinheiro, pois você terá de lutar para conseguí-lo.

quarta-feira, setembro 06, 2006

À parte disto tudo.

[Fotografia retirada de www.olhares.com]


Nem consigo respirar.

Sei lá.

Não sei.

Um aperto qualquer.

É isto tudo.

Mas, à parte disto tudo.

É um aperto em mim.

Um sufoco qualquer.

terça-feira, setembro 05, 2006

Contar o meu contar?

Ás vezes.
Ás vezes eu não consigo contar.
Consigo.
Mas, não sei.
Eu conto.
Mas, acho que conto mal.

Ás vezes eu conto um contar esquisito.
Assim.
Assim sem muito nexo.
Tem nexo.
Mas, é esquesito.

Ás vezes eu conto um contar meio 'atambadalhoado'.
Meio, não.
Todo.
E continuo a contar.
Não sei porquê.
Mas, continuo.

Ás vezes eu conto pelos dedos.
Muitas vezes os dedos não chegam.
Muitas, não.
Sempre.
E conto mesmo assim.


Ás vezes.
Ás vezes eu conto o meu contar.
Sussurro esse contar.
E as contas saem tortas.
Sem jeito.

Eu conto?


[Contar escrito e sentido ao som de ....]




segunda-feira, setembro 04, 2006

Nabiça

Ora bem...
Isto é assim.
Eu sou uma nabiça nestas 'coisas' da informática (e não só mas, ficamos por aqui, por agora eheheeh)... a questão é que já são várias as pessoas que me enviam por e-mail a informação que não conseguem comentar no meu blog.

E como já referi, eu sou uma verdadeira nabiça.
Não sei o que se passa.
Eu tenho para mim, que são os bacanos do 'blogger.com' com indirectas do tipo... 'Baza, vai à tua vidinha que a malta não está interessada nos teus devaneios desassossegados e altamente estranhos que podem contaminar a lucidez pública".
Mas, isto é uma ideia cá minha. :P

domingo, setembro 03, 2006

Gelado de baunilha


- Porque andas sempre com isso atrás?

- Isso o quê?

- A maquina fotográfica.

- Eu não ando sempre com isso atrás. Ela é que anda sempre comigo à frente.

- Hã?

- Sim....

- Mas, porquê? Que diferença faz? E porquê essa parceria?

- Ajuda-me.
Ajuda-me a olhar as coisas como se nunca as tivesse visto.
Imagino por momentos que nunca vi uma pedra.

E sinto a beleza dela... a sua raridade e cheiro... e tenho que imortalizar essas sensações.

- Lamento mas, uma pedra não tem cheiro.

- Basta quereres.... que tem todos os cheiros que quiseres.
É como um gelado de baunilha.
Cheira-me a salsa uns dias.
Outros a rosmaninho.
E quase nunca ... a... baunilha.




[Fotoreportagem sobre Montejunto, Bomportal.net, FF]

P.S.: Ide aqui e saboreiem o meu gelado de baunilha... espero que gostem :)

sábado, setembro 02, 2006

Apetece-me. Quero. Sinto.

Hoje apetece-me não estar na sala de espera.
Apetece-me um momento para saborear uma maça, enquanto vejo o jogo.
E nos intervalos do momento deliciar-me com música.

Hoje.
Quero.
Quero sentir saudades.

É isso.
Hoje tenho que sentir saudades do vento do carrossel.



Já sinto.



[FIESA-Cidade de Areia, Agosto de 2006, FF]

quinta-feira, agosto 31, 2006

Até pode ser baixinho.

[FIESA - Cidade de Areia (Pêra) - 27 de Agosto de 2006, FF]

- Porque sorris?
- É segredo.
- E não o queres revelar?
- Já o revelei.
- Disseste que era segredo.
- E é isso mesmo. É um segredo.

Um segredo que tens que dizer a ti próprio.
Assim.
Alto.
Até pode ser baixinho. Desde que o ouças.

É como olhar para o mar como se fosse a primeira vez.


terça-feira, agosto 29, 2006

Algures na terra da amêndoa e da laranja

Depois de 700 km... De algum desassossego e possíveis estranhezas... andei a divagar por aí.

Porque existem imagens [e sensações] que merecem ser partilhadas.
Aqui ficam algumas, de lugares por onde caminhei este fim-de-semana.

P.S.: Ide a Folha de Rascunho, já tem a bela da sugestão aqui da je :P



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sábado, agosto 26, 2006

Folha de Rascunho


Encontrei esta semana um blog que já faz as minhas delícias.
Sugiro a todos os amantes de livros ( e aos que não são amantes também, pois é uma boa maneira de passarem a ser hehehe ) o blog Folhas de Rascunho.

Ora passo então à publicidade ;)

"Folha de Rascunho
Um blog novinho em "folha"... à procura de "rascunhadores" participativos e com ideias novas!!
Agradeciamos aos "rascunhadores habitués", que nos têm visitado, que nos ajudassem nesta campanha de divulgação, para tornar este bloguito muito mais interessante e com mais opiniões e livros!!!
A gerência:
FR-Team"


Vá não sejam tímidos... Rascunhem muito :)

Fica o registo de um dos lugares onde mais gosto de 'rascunhar':

[Parque das Merendas, Montejunto, Agosto de 2006, FF]

quinta-feira, agosto 24, 2006

Cales de saudades. Ensinamentos de uma vida.

Ultimamente... (e não sei porquê) lembro o meu avô.
Assim, sem mais nada!
Recordo-o.
Mas, é em tudo.

Vejo uma criança de bicicleta... e recordo que foi ele que me ensinou a cair e a levantar-me.
Era uma bicicleta azul.
Fomos comprá-la ali para os lados de Rio Maior.
E tinha um cesto cor-de-rosa à frente.
E umas fitas nos punhos.
Era azul.
E era grande.

Vejo uma criança no baloiço.... e recordo que foi ele que me ensinou a não ter medo das alturas.
Era um baloiço vermelho.
Balançava ali para os lados do Baleal.
E tinha um escorrega à frente.
E era de ferro.
Era vermelho.
E era grande.

Vejo uma criança num pomar... e recordo que foi ele que me ensinou o valor da terra e do trabalho.
Era um pomar castanho.
De pêras ali para os lados da serra.
E tinha flores em frente.
E era de troncos.
Era castanho.
E era grande.

Vejo uma criança no mar... e recordo que foi ele que me ensinou a ter respeito pelo oceano.
Era um oceano verde.
De ondas ali para os lados de Peniche.
E tinha as Berlengas em frente.
E era de maresia.
Era verde.
E era grande.


Vejo uma criança a sorrir... e recordo que foi ele que me transmitiu a importância de um sorriso.
Era um sorriso com cor.
De brilho ali para os lados de tudo.
E tinha um olhar em frente.
E era de esperança.
Era de todas as cores.
E era enorme.
Enorme.


Tenho saudadecas tuas.
Mas, sorrio.
:)

segunda-feira, agosto 21, 2006

CONSERVAR

[Imagem retirada de www.olhares.com]

Hoje li algo de David Hume que ecoou em mim:

"O papel principal da memória é conservar não simplesmente as ideias, mas a sua ordem e a sua posição."

... O que é que conservamos na nossa memória? E porquê?
Não falo de datas, de números, de história e estórias...
Falo de tudo o que está para lá disso... e que está para cá disto.
Falo sobretudo de 'ar'.

O que conservamos na nossa memória que nos dê ar?
E que ordem ?
Será que damos a devida ordem e posição a essas mesmas 'coisas'?
E conservamos essas mesmas 'coisas' da melhor maneira?
Ou será que as colocamos lá no fundo... bem na última prateleira do frigorífico... E com isso esquecemo-nos ...
E a memória falha...
E o que devia estar conservado... não está...
Porque simplesmente deveria estar logo no início da prateleira... e está lá no fundo... e não vemos, e não chegamos lá.
Ou por outra, nem sequer deveria estar no frigorífico... mas, conservado como antigamente... com Sal.
As molas da roupa?
Simplesmente isso.
São como as prateleiras do frigorífico...
Existem certas 'coisas' que deveriam estar sempre no nosso 'estendal'...
Mas, esquecemo-nos de as estender...





sábado, agosto 19, 2006

Símile

[Algures por aí, 2006, FF]

Não sei.
Não sei onde é este arame.
Nem tão pouco, em que dia o captei.
Mas, hoje recordei-o.


Está mais alto.

Deveras mais alto.


E eu fragmento.

sexta-feira, agosto 18, 2006

Terra molhada. Ah este cheiro a terra molhada.










[Montejunto, 17 de Agosto de 2006, @FF]

Singularidade.
Sendo uma pluralidade.
Hoje é apenas isto que consigo escrever.

Estou sufocada.
Nem estes 666 metros me bombeiam o ar necessário.

Por instantes.

quinta-feira, agosto 17, 2006

Títulos de post's anteriores. Sensações presentes.

Se mudo. Falo. Se fico. Fico muda.
Onde está o erro?
Cheguei, andei, parei, voltei a andar e, ...
Silêncios.
Se é pequeno ou grande, é lá comigo.
Os 'ses', os 'sas', os 'sus'...
Alheados desde o começo.
Estado de alma.
Sal.
Vácuo.
Despertador.
E já nem...
Sentimentos.
Acasos e distracções.
Chamada em espera...
Queixas.
Sobrolho franzido.
Banalidades inesperadas.
Expontaneidade.
Meio a Zero.
Há dias assim!
O que nos incomoda?
Rebobinar.
Silêncios.
Redução ao absurdo.
Insana[mente].
Cheiros.
Trocadilhos.
Roupas à meia canela. Coração de canela inteira.
Questão pertinente.
Será?
Hoje apetece-me isso.
E tu estás predisposto a isso?
Até já...

terça-feira, agosto 15, 2006

Colcheia


Compassos.
Pausa.
Mínima.
Pausa.
Semínima.
Pausa.
Semibreve.
Pausa.
Clave de sol.
Sol.

Fá.

Pausa.

E entre tudo isto…

5 linhas paralelas…

Primeira segundas quiça terceiras... visões. Absorções!

Imaginemos uma praia.
Um qualquer areal.
Seja aqui.
Seja ali mais acolá.

Nessa praia uma rocha.
Um qualquer rochedo.
Seja este.
Seja aquele mais acolá.

Nessa rocha um búzio.
Um qualquer burrié.


Agora imaginemos tudo isto.
Mas, ao contrário.

Imaginemos primeiro o búzio.
Depois o rochedo.
E por último o areal.

E porque não imaginamos logo o búzio?
Porquê primeiro o areal?

Parte de um todo?
Ou o todo de uma parte?



E agora imaginemos tudo isto outra vez.
De trás para a frente.
E de frente para trás.

Será que imaginamos as coisas da mesma maneira?

Será que o búzio é do mesmo tamanho?
Será que tem a mesma cor?
Será que se colocarmos o ouvido .... ouvimos?

E ouvimos agora?

Ou será que na primeira descrição nem haveria a hipótese de colocar o ouvido?



E insisto... Porquê primeiro o areal?

segunda-feira, agosto 14, 2006

Trocadilhos

E porque tenho saudades de mim.
E porque ando virada do avesso.
E porque sinto trocadilhos.
E porque hoje precisava de silêncio.
De encontros.
De natureza.
De ar.
Disto.

Hoje andei por aqui.
Aqui:



E os trocadilhos insistem.
E insistem.
Ainda.
Eu gracejo.

sábado, agosto 12, 2006

Pé descalço

[Montejunto, Agosto de 2006]
Uso ténis.
Esteja frio.
Esteja calor.
Esteja vento, chuva, 'carapinha'.

Uso ténis.
Seja estrada.
Seja auto-estrada.
Seja nacional, carreiros, calçada.

Uso ténis.
Seja dia.
Seja noite.
Seja entardecer, anoitecer, amanhecer.

Uso ténis.
Eu uso ténis.

Porquê esta sensação de pé descalço?






sexta-feira, agosto 11, 2006

Olhares devastadores. Miocárdio desgraçado.

Já foram várias as vezes que referi a importância de um olhar.
De um olhar como reflexo de um ser.
De uma pessoa.
De uma visão.
De uma mente emoção.

Até já foram várias as vezes que escrevi o quão este pode ser libertador ou por outra, devastador.

E hoje.
Hoje em particular foram devastadores.
Sejam eles vazios, sejam eles cheios de iniquidade.
Eu não queria.
Eu não queria usar essa palavra.
Sentir isso.
E penso que nunca a escrevi.
Mas, é isso.
Iniquidade.

Eu poderia não olhar.
Eu poderia não sentir.
Eu poderia recorrer à indiferença.
E até a uma certa displicência.
Eu poderia não tanta coisa. E sim outras tantas coisas.
Mas...
Este apego.
Esta inquietude.
Este meu miocárdio.
Não me deixam.

quinta-feira, agosto 10, 2006

Mais ou menos. Menos ou mais.

[Montejunto, Encosta Este , Agosto 2006,]


Cruzamento de pessoas.
Todos os dias.
Mais ou menos ali.
Mais ou menos aqui.
E por aquém.


'Semi-olhares'.
Entre dentes.
Menos ou mais ali.
Menos ou mais aqui.
E por aquém.


Cruzamento de pessoa.
Aquele dia.
Ali.
Olhares.
Sem semi.

E se aquém poderá dizer longe.

quarta-feira, agosto 09, 2006

Sal











Não se sabe bem o quê!
Por vezes é isso.
É esse não saber bem o quê.
Ou será o porquê?
Até há quem tire o circunflexo.
E sinta com isso alguma consonância.
Dizem que é harmonia.
Concordância.
Eu não sei.
Mas, eu prefiro que seja desafinação.
Daquelas desafinações que se sentem no entardecer.
De vento 'suão'.
Eu prefiro assim.
É sal.
Sal.

sábado, agosto 05, 2006

Persianas no reflexo

[Fotografia retirada de www.olhares.com]





Olho.
Olho agora para ali.
Ali.
São persianas.
E o vento.
E é vento.
E carrega tudo.
Carrega tudo naquelas persianas.
Neste arrepio.

E vejo o reflexo.
Aquele reflexo.
Mas, não olho.
E também carrega tudo.
Aquele reflexo.

E são linhas oblíquas.
Persianas no reflexo.
Sendo paralelas.


quinta-feira, agosto 03, 2006

Conjecturar conjugações

O que nos leva aqui?
O que nos leva permanecer aqui?
Porque não ali?
Avistamos o 'ali' mas, ficamos por aqui.
Porquê?


O que se passa no nosso cérebro?
Nas nossas razões e emoções?
Que conjugações?


O que nos conduz a olhar este horizonte?
Por ser o único?
Ou por outra, por ser o essencial?


Porquê o conjecturar deste ou daquele olhar?
Desta ou daquela vivência?
Daquela ou desta realidade?
Porquê essa antevisão precoce?
Pelo malabarismo?



Andamos sentido.

Esta última sendo a única afirmação... passou a interrogação pelo modo como deslizou em mim.

Deslizou.
Escorregou.
Patinou.




terça-feira, agosto 01, 2006

Sobrolho franzido




[Montejunto, 27 de Julho de 2006]




Este aconchego.

Não do local físico.

Mas, deste 'lusco fusco'.

Do jogo de escondidas do sol com as nuvens.

Deste pôr de sol que parece um nascer.

Mas, que não deveria ser.

E é este não 'deveria ser' que se revela.

Que se esconde.

Que timidamente ofusca.

Qual sobrolho franzido.